Não há dúvidas de que a Terra está a aquecer. Não sei onde isto vai parar? É um problema que devia preocupar-nos a todos. E é evidente que a nossa autarquia não se tem preocupado com o problema. Será que o Presidente da Câmara está a par deste terrível problema? Será que estudou o assunto? Temos o planeta em aquecimento e o Presidente da Câmara não se preocupa? Não faz nada? Ainda por cima, comprou um carro que só manda dióxido de carbono para a atmosfera. Saberá ele o que está a fazer? E o PS não vê isto? Não vê as alterações climáticas que estão a acontecer no concelho? Não vê a roupa nos estendais!
Quando o Estado Novo passou a escolaridade obrigatória de 4 para 6 anos gerou-se um duplo problema com esta medida. Por um lado, o parque escolar existente não tinha capacidade física para dar resposta a esta nova exigência, por outro não existia um corpo docente preparado para este novo desafio. Corria o ano de 1964 e o Governo de Salazar lembrou-se então de criar a Telescola, que ganhou forma no ano seguinte com o início das emissões regulares da TV Escolar.
Para resolver o problema das instalações, o Ministério da Educação mandou montar os postos de recepção (além das escolas) em vários locais, como centros paroquiais, salões de bombeiros, casas do povo, juntas de freguesia, associações etc… Tratou também da formação de vários monitores para explicar o que os professores diziam no ecrã da TV e trabalhar com os alunos.
Por cá, a telescola também teve um posto. Julgo que surgiu já depois do 25 de Abril, mas não tenho bem a certeza. Funcionava junto à escola primária num pavilhão pré-fabricado e muita gente passou por lá para obter o 6º ano. Costumava-se dizer que quem não estava destinado a prosseguir os estudos, ia para a telescola. Os outros (os destinados) já seguiam para o ciclo. E percebe-se porquê. O grau de dificuldade na telescola não era o mesmo do ciclo. A telescola era apenas para cumprir o ensino obrigatório.
Morreu quando o ensino obrigatório passou a ser de 9 anos. Aí toda a gente começou a ir para o ciclo e acabou-se a telescola. Mas é curioso. Há quem diga que os que saem agora com o 9º ano sabem tanto como os outros antes com a telescola. Julgo que não, mas não deixa de ser uma comparação curiosa.
Em resposta a este post convém dizer que o visitante em questão está em comunhão com a natureza e que os átomos que despeja irão circular e diluir-se na cadeia natural das coisas.
Há tempos, o Abel Cunha fechou a caixa de comentários do Notícias da Aldeia. Fartou-se dos insultos, da má educação, da falta de respeito, da pouca dignidade que muita gente tem na blogosfera a coberto do anonimato. Acho que fez bem, embora tenha pena. Porque as caixas de comentários existem não para destilar ódio contra este ou contra aquele, mas para trocar impressões sobre o que vamos escrevendo. É um problema antigo a que toda a gente se sujeita quando tem um blogue com comentários. Um dia perdemos a paciência e cortamos o mal pela raiz. Foi o que o Abel fez. Por um lado é pena, pois perde-se uma certa dinâmica com isso. Podia ter optado pela moderação dos comentários e sei que chegou mesmo a optar por isso. Muita gente faz isso. Estabelece um filtro e só publica o que interessa. Mas parece que não bastou.
Como já escrevi em tempos, o problema não está apenas no anonimato. Um comentador até pode ser anónimo, mas não optar constantemente pelo insulto ou pela má educação. Porém, a tentação é sempre grande quando não temos que prestar contas. Ou melhor dizendo quando não temos dignidade para assinar o que escrevemos. Porque a dignidade é essa qualidade que inspira respeito, que nos distingue do fraco, do devasso ou do trapaceiro. Podemos discordar, podemos criticar, podemos dizer mal, mas assinamos por baixo. Não nos escondemos atrás de um nome falso.
Por isso, sou contra ao tipo anónimo, que vem para a net mandar uns comentários, mas que na presença do visado não dizia nem um décimo do que diz. Por que há obviamente uma certa indignidade em falarmos mal e depois não assumir nada. Fugir como um rato. Dizer como desculpa que depois somos perseguidos. Mas é uma desculpa esfarrapada, porque o Estado Novo já acabou. Se fosse há 40 anos ainda se percebia. Aí algum autor mais atrevido estava sujeito a bater com os costados na prisão. Aí o anónimo até tinha alguma razão de ser. Agora, nós não estamos em 1968. Estamos em 2008. É claro que quando falamos abertamente podemos ter chatices. Alguém pode não gostar, alguém pode implicar connosco. Mas se temos medo de chatices então estamos calados. Agora servir-se de pequenos truques para falar sem ter chatices, não é de facto digno.
Em muita coisa, acho o Abel um exagerado, mas tem dignidade no que escreve. Podemos não gostar dele, podemos não concordar, podemos mesmo encontrar comentários poucos justos (e há vários), mas não se esconde atrás de um nome falso para dizer o que pensa ou sente.
Como é o tempo de Verão estas polémicas surgem mais facilmente. Alguém importante fala da opção nuclear para Portugal e meio país político anda dias a falar do assunto. Não é que não se deva discutir o tema, mas quantos saberão do que estão a falar? Eu também tenho umas ideias sobre o nuclear. Sei o que é uma reacção de fissão nuclear, sei como funciona uma central, mas não tenho opinião definida sobre o nuclear para Portugal. Eu não tenho porque o assunto é demasiado complexo e envolve muitos factores além do ambiental, que os ecologistas tanto apregoam. Por isso, não ando por aí a dizer que sou contra ou a favor do nuclear, porque simplesmente não estudei o assunto, nem tenho informação suficiente para tomar uma posição sustentada. Como eu, muitos dos que falam não sabem do que estão a falar. Por isso, acho que se devia fazer um livro branco sobre o assunto (quem o diz é Marcelo Rebelo de Sousa). Um documento onde o tema seja aprofundado e sirva de orientação para um debate sério.
Em resposta a este post mais uma sugestão de leitura. É um livro excelente para cursos paroquiais e vivamente recomendado pelo Secretariado Nacional da Liturgia (SNL). Não há cursos paroquiais em Fermelã (é pena), mas quem ler o livro já fica um pouco preparado para ler o missal do domingo. É que 99% do pessoal que vai ler as leituras dominicais não sabe muito bem o que está a ler. Preocupado com o assunto o SNL fez um manual para o leitor litúrgico. Vende-se na livraria Santa Joana em Aveiro. Louvado seja o Senhor. Louvado seja.
Se alguém quer perceber alguma coisa de transportes e dos vários factores ligados a esta temática tem uma boa bíblia em português. São dois volumes do Prof. José André do IST que abordam esta problemática de forma desenvolvida, principalmente no que diz respeito ao sector ferroviário. A única insuficiência que encontrei é que em certos aspectos a obra não é recente (2006), nomeadamente na discussão que diz respeito à AV. Além disso é uma obra que começou a ser escrita no começo da década, mas do ponto de vista do conhecimento da tecnologia dos meios de transporte é actual e fundamental para se perceber o que está por trás de muita coisa. A parte da ferrovia é um autêntico curso sobre comboios e linhas de comboio e quem quiser estudar o assunto tem muito para ler e perceber. Também não posso deixar de registar o esforço em fazer uma obra desta envergadura. Não terá sido fácil escrever os dois volumes e integrar todos os contributos. Dirão que é um livro para técnicos, mas eu acho que não. Acho que é um livro para toda a gente e cá fica como sugestão.
Ganhou o Urso de Ouro em Berlim. Conta a história do BOPE, o batalhão de operações especiais da polícia militar do Rio de Janeiro em acção nas favelas. Como em todas as forças especiais há um espírito de elite, uma ideologia de que estão acima da polícia regular minada pela corrupção e pela desmotivação. O BOPE é essencialmente uma força preparada para a guerra, para a luta contra o tráfico, onde se mata e se morre. A acção decorre em 1997, antes da visita de João Paulo II ao Brasil, com a polícia a limpar as favelas. Conhecemos assim um mundo escuro, de sangue e violência, e que é real. Neste mundo, os homens do BOPE são justiceiros. Nem sempre cumprem a lei. Matam porque estão em guerra. Ora, o filme traz para o cinema uma realidade que conhecemos de ouvir falar. No filme vemos como as coisas são. A não perder.
João Cravinho tem razão quando disse na quinta-feira passada à Antena 1 que o PSD decidiu na cimeira da Figueira da Foz em 2004 um programa de alta velocidade absolutamente mirabolante. Tinha que ter estudos para fazer isso. Ou será que Ferreira Leite foi para a dita cimeira aprovar projectos para os quais não existiam estudos?
Não tenho dúvidas que esses estudos existem em algum sítio, mas não me parece que seja na internet como dizia o primeiro-ministro há tempos na RTP. Acho obviamente inconcebível que se tenha aprovado um projecto desta magnitude sem estudos. Por isso, acredito que tais estudos existem, mas nunca vi nenhum?
Também me parece um pouco estranho que tendo este dossier passado pelo governo de Durão Barroso, não exista ninguém desse tempo que não tenha conhecimento dos ditos estudos. Pior ainda, sendo Ferreira Leite Ministra das Finanças nessa altura, como é que não sabia desses estudos? Então isso não foi discutido em Conselho de Ministros?
Portanto, o PSD como todos nós tem obviamente direito de saber quais são os custos que as grandes obras vão ter no nosso futuro. Acho muito bem que se preocupe com isso e nós também. Agora, sobre o caso concreto da AV é estranho que ninguém do tempo da cimeira da Figueira da Foz tenha aberto a boca para dizer alguma coisa?
Há tempos, o José Rodrigues dos Santos esteve na II Conferência Internacional sobre Alterações Climáticas e Segurança Energética a falar sobre o fim do petróleo. Obviamente que não é normal ver numa conferência destas, um jornalista cujo contributo na área foi ter escrito um romance que aborda as alterações climáticas e o fim do petróleo. Mas o Sétimo Selo tem sido um sucesso e aponta mesmo qual é a causa do problema, como já explicou publicamente José Rodrigues dos Santos. O problema é que os dados da OPEP sobre as reservas mundiais de petróleo não são fiáveis, pois os países produtores não fornecem à organização os dados verdadeiros sobre as reservas. Desta forma, a OPEP trabalha com base em estimativas pouco fiáveis e Rodrigues dos Santos acha que as reservas de vários países produtores já atingiram o pico e que estão agora a decrescer não dando resposta ao consumo que existe. José Rodrigues estudou os dados da Society Petroleum Engineers (SPE), que apontam nesse sentido. Ou seja, o problema do preço actual não é um problema de especulação é um problema de procura e de produção.
Obviamente que não é fácil suportar uma teoria destas. Em primeiro lugar, as reservas dos países produtores são segredo de Estado desde 1982. Ora sendo segredo de Estado é natural que ninguém saiba se países como os EUA, o Canadá ou o México já atingiram ou não pico de produção. Depois também ninguém sabe ao certo que reservas existem ainda por descobrir e também ninguém sabe qual é a verdadeira capacidade de produção da Arábia Saudita, que tem afirmado ser capaz de produzir 20 milhões de barris por dia. Tudo isto são incógnitas que tornam difícil suportar qualquer teoria. Depois é certo que o petróleo subiu de forma considerável desde a Guerra do Iraque e que o clima de instabilidade que se vive no Médio Oriente não tem ajudado a que preço pare de subir. Mas deixo a discussão para os especialistas.
O que importa aqui analisar é que para escrever o Sétimo Selo, Rodrigues dos Santos teve que pesquisar dados científicos e históricos para tornar o romance mais credível. Fez o que qualquer pessoa inteligente faz, que foi consultar fontes e comparar dados para formar uma opinião. Não sei se falou com algum especialista, mas tenho a impressão que não. É natural, por isso, que tenha uma opinião sobre o assunto que pode ou não estar certa, mas que não deixa de ser uma opinião com algum fundamento. Desta forma, não me parece descabido que fale numa conferência sobre alterações climáticas, mesmo que a sua opinião seja polémica ou não seja consensual. O importante é sermos honestos e falarmos unicamente do que sabemos.
E isto é válido tanto para um jornalista, que no caso em análise não é especialista em questões energéticas, como para um especialista em questões energéticas. Mesmo os especialistas cometem erros ou dizem disparates. O que acontece é o que indicie de disparates de um especialista é habitualmente mais baixo do que o indicie de disparates de um jornalista ou de outra pessoa qualquer. Mas ambos estão sujeitos ao disparate, que é uma coisa que muitas vezes as pessoas esquecem.