Archive for Janeiro, 2006
Viver feliz
Quanto ao ser feliz realmente a nossa vida é feita de períodos felizes e infelizes. De períodos luminosos e mais sombrios. Mas é bom que nos períodos mais sombrios da nossa vida ou que nas crises de meia-idade a gente olhe para aqueles que têm doenças incuráveis, para aqueles que vivem paralisados, para aqueles que vivem na mais absoluta das misérias ou no mais absoluto sofrimento e nos lembremos da sorte que temos em não estar assim também. Da sorte que temos em viver razoavelmente bem em ter saúde, casa, emprego, família, o amor e cuidado dos outros, ou seja, tudo para ser feliz. E é nestes períodos mais sombrios que temos que encontrar forças para viver, que temos que encarar a realidade como ela é. É bom não ter uma doença, é bom não sentirmos dores no corpo, é bom ter o amor e o carinho dos outros, é bom ter que comer todos os dias ou uma casa que nos sirva de resguardo. É bom ter um emprego de que gostamos, ter pessoas que se preocupam connosco, ter uma família à nossa volta, poder encarar a vida com algum conforto e tranquilidade. Muitos não têm nada disto. E é nisso que se calhar devemos pensar quando estamos mais deprimidos, quando estamos mais em baixo. Que há quem viva com muito menos e muito pior e mesmo assim vive feliz.

Add comment Janeiro 5, 2006
Orçamento
Add comment Janeiro 4, 2006
Quando estiveres cansado
Caro Vergílio. Obrigado pelo conselho, mas eu ainda não estou cansado.
Add comment Janeiro 4, 2006
Receita de ano novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Add comment Janeiro 2, 2006