Archive for Novembro, 2007
Falar por falar
Acho interessante que o Vladimiro Jorge pense que o Ministério da Educação ia aprovar uma carta educativa copiada da carta de Oliveira de Azeméis? Todas as cartas educativas foram analisadas com atenção pelo ministério e é obviamente uma crítica desajustada continuar a dizer que a carta foi copiada por outra, quando a pessoa que o diz nem sequer leu uma nem outra? Um costume habitual no Vladimiro Jorge. Não admitir que estava a falar do que conhecia mal. Depois dizer que a carta foi copiada de outra é também a velha ligeireza do costume.
Que eu saiba tem apenas uma frase igual à de Oliveira de Azeméis. Ora dizer a partir de uma frase que a carta foi copiada de outra é realmente fantástico. Ou que a nossa foi aprovada porque a fonte da cópia também foi aprovada é não perceber como é que um documento destes é aprovado. E é sobretudo passar um atestado de incompetência a quem fez a carta, como o deputado Alexandre Mota já tinha feito em assembleia. E é pena, porque eu até conheço o autor da mesma e acompanhei o trabalho da carta e custa-me ver este tipo de comentários.
Mas espanta-me também que não tenha percebido que não foi uma notícia discreta no Correio da Manhã, que despoletou a nossa reacção sobre a GNR. Praticamente todos os jornais nacionais publicaram notícias sobre a reestruturação da GNR no começo do mês. E praticamente todos os concelhos (onde existia previsão da GNR fechar) reagiram contra tal hipótese. Basta percorrer a imprensa regional para ver isso. Basta ver o caso de Cacia. O PSD não fez mais do que mostrar a sua preocupação em relação a tal hipótese. Nada que outros não tenham feito, exceptuando o PS local.
É óbvio que se o governo fosse PSD, o PS não tinha ficado calado. Tinha falado logo, tinha agitado as águas. Mas calou-se, deixou correr a ver o que dava. Como o PSD reagiu, lá teve que dizer alguma coisa. E o Vladimiro fez a mesma coisa. Agora que o PS falou também teve que dizer alguma coisa. Mas dizer o quê? Que o PSD fez bem em falar, em fazer o que toda a gente fez? Claro que não.
2 comments Novembro 30, 2007
A carta educativa
Foi homologada pelo Ministério da Educação. No começo deste ano, um comentador local disse que a carta educativa era uma “trapalhada feita à pressa e copiada da primeira que apareceu à mão”. Afinal a tal carta que era uma trapalhada foi aprovada pelo ministério. Presumo que o comentador seja coerente e diga agora que o ministério aprovou uma trapalhada feita à pressa e copiada de outra. Ou seja, que o ministério anda a aprovar trapalhadas.
Um deputado da assembleia (Alexandre Mota) disse que não era uma carta educativa com futuro e que era desligada da realidade local. Ou seja, o ministério aprovou uma carta sem futuro e desligada da realidade local. Esperamos que seja coerente na próxima assembleia e que diga que o ministério cometeu um erro.
Um outro deputado (Esmeraldo Drummond) escreveu num jornal local que a carta era tão má, que nem sequer ia ser aprovada pelo ministério. Esperemos também que seja coerente e que na próxima assembleia admita que estava errado.
Add comment Novembro 30, 2007
A segurança de novo
Começamos pelo princípio. No começo deste mês, o Correio da Manhã trazia uma notícia desenvolvida sobre a reestruturação do dispositivo das forças de segurança com a possibilidade de vários postos da GNR fecharem. Avanca constava dessa lista. Portanto, quando alguém diz que andam a “inventar factos políticos” presumo que a acusação também se estenda ao Correio da Manhã e a outros jornais que deram a notícia no começo do mês.
Como não podia deixar de ser a notícia teve eco local. O Presidente da Câmara manifestou-se contra e eu próprio falei do caso aqui. Já na altura o silêncio do PS local era notório. Nem uma única palavra, para quem faz com frequência comunicados. Há uma semana atrás, o PSD emitiu um comunicado sobre o assunto manifestando-se contra ao fecho da GNR em Avanca. Por arrasto, o PS lá se pronunciou dizendo que o governo nunca pretendeu fechar o posto da Avanca.
A afirmação é estranha, pois o governo até agora ainda não disse que postos da GNR é que pretendia fechar ao certo? Ora, parece que o PS está bem informado. Mas quando diz que as declarações do Presidente da Câmara nos jornais (que fez o que toda a gente fez noutros concelhos na mesma situação) podem levar “caminho a outras possibilidades” (presume-se o fecho?) está apenas a dizer que não sabe ao certo o que vai acontecer. Ora se não sabe ao certo o que vai acontecer porque razão diz que o governo nunca pretendeu fechar? E imaginem que o governo até fecha o posto da Avanca. Bem, nesse caso, o PS dirá simplesmente que a culpa foi do Presidente da Câmara, que falou demais nos jornais. E imaginem agora que o Presidente da Câmara e o PSD não tinham dito uma palavra sobre o assunto e que o governo fecha mesmo o posto da Avanca. De quem era a culpa? Obviamente do Presidente da Câmara. E é esta falta de coerência que me cansa no PS local ou nos comentários do Vladimiro Jorge, que cai nisto de pára-quedas como sempre. Calculo que na visão dele, o PSD perante as notícias não devia ter falado. Devia estar calado como o PS.
Eu até acho que o governo não vai fechar o posto de Avanca, nem de Cacia. E não vai por várias razões. Uma é porque os autarcas locais se manifestaram contra isso. A outra é que fechar postos da GNR cria sentimentos de insegurança e também faz perder votos. É claro que isto é apenas um pressentimento. Não falei com o ministro, nem sei o que ele pensa sobre o assunto? Na verdade, não faço a mínima ideia do que vai acontecer, pois não sou eu que decido. O que me preocupa seriamente em tudo isto é falta de efectivos em Estarreja e Avanca. Isso é que me preocupa e não vi ainda no PS local uma palavra sobre isso. Podia ter falado disso no comunicado. Mas nada. Nem uma palavra sobre a falta de efectivos, nem sobre a falta de policiamento de proximidade.
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Uma lei pouca justa?
Em termos gerais, o projecto que existe de uma nova lei autárquica defende que o presidente da câmara seja o primeiro nome da lista mais votada para a Assembleia Municipal. Depois escolhe os vereadores entre os membros eleitos da assembleia e forma o executivo sempre com maioria.
Não é obviamente uma lei muito justa. Se pensarmos no caso de Lisboa, António Costa com apenas 29% dos votos, em vez dos 6 vereadores actuais passaria a ter pelo menos a maioria de 9 vereadores.
Não é obviamente uma proporção muito justa, mas torna as câmaras mais governáveis.
É claro que reduz o papel da oposição. Também vamos ver que poderes terão as novas assembleias? Fala-se que terão poderes reforçados para fiscalizar as câmaras. Muito bem. Mas convém lembrar que os deputados municipais não são profissionais da política, têm o seu trabalho, e podem não ter muito tempo para estudar documentos ou para reunir com frequência. Fazer comparações com a Assembleia da República é obviamente um exagero quando estamos a falar de deputados a tempo inteiro. Mas parece-me também claro que para reforçar os poderes das assembleias municipais os deputados terão que ter outro tipo de subvenção.
Portanto, estou na expectativa a ver o que vem aí?
Add comment Novembro 30, 2007
O fim do comércio tradicional?
A nova proposta de lei de licenciamento comercial tem passado despercebida. A discussão pública tem sido praticamente inexistente. Mas no essencial vai facilitar em toda a linha a instalação de grandes áreas comerciais. Não admira que o comércio tradicional esteja preocupado e olhe para o futuro com grande apreensão. Há-de sobreviver. Mas não sei até quando?
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Segurança
É estranho que o PS local ainda não tenha dito uma única palavra sobre o possível fecho do posto da GNR em Avanca! Ou sobre a falta de efectivos da GNR em Estarreja! Concorda, não concorda? O que tem a dizer sobre o assunto. Percebo que ande preocupado com o pinheiro de Natal, mas não é a segurança no concelho mais importante do que uma árvore de Natal?
1 comment Novembro 27, 2007
A guerra peninsular
Quem se lembra da Guerra Peninsular? Das invasões francesas? Do Junot, do Massena? Da ajuda dos ingleses? Da vitória final em Tolouse? E, no entanto, os franceses andaram por aqui faz agora 200 anos. Vários livros têm sido publicados sobre esta guerra. Este é o mais resumido e essencial da autoria do António Pedro Vicente que é natural de Águeda.

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Utilidades
Para quem gosta de viajar e precisa de saber o melhor percurso. Não há melhor que o Mappy.
Add comment Novembro 26, 2007
A rua das patas
É bom começar pelo princípio. Dois anos depois das autárquicas, José Eduardo Matos deu uma entrevista a este jornal em que fala do meio do mandato. A entrevista é interessante (diz muito nas entrelinhas) e tem o seu aspecto mais caricato no arranjo da Rua das Patas, em Avanca, que continua por alcatroar. Talvez seja uma boa deixa para fazer umas graçolas, coisa que a líder do PS local aproveitou para fazer num longo artigo de análise à entrevista.
Mas o mais interessante na análise é a notória tendência para os pequenos casos particulares. É notório que a líder do PS tem um problema pessoal com quem governa a Câmara. As queixas que faz no artigo são um sinal claro disso. Ao falar do passado e das queixas apresentadas “selectivamente contra Vladimiro Silva, Fernando Mendonça, empresas de pessoas com ligações ao PS” (refere-se a ela própria) está no fundo a dizer que se sentiu perseguida e que tem um problema pessoal com José Eduardo Matos. Esqueceu-se obviamente de dizer que hoje faz exactamente o mesmo, ao promover queixas na IGAT, com a enorme diferença de fazer de conta que não sabe quem as apresenta, quando na verdade está profundamente envolvida no processo. E esta é uma atitude que não lhe fica bem, pois negou várias vezes qualquer ligação às mesmas.
É óbvio que o longo historial de queixas na política local era escusado, mas quando alguém se acha “angélico” neste domínio está obviamente a passar uma imagem que não corresponde à realidade.
Mas a tendência pelos pequenos casos continua na análise da saída de José Cláudio Vital da Câmara, ou na história do marido traído na Assembleia, ou mesmo no título do artigo. O problema é que esgotada a casuística não se percebe qual é a alternativa do PS? E esse é um problema no PS local, a falta de alternativa ao poder vigente. Seria de esperar que perante a dita falta de rumo de José Eduardo Matos, o PS local tivesse um pensamento político estruturado, quanto ao futuro de Estarreja. E não estou a falar de um programa eleitoral, estou a falar de algumas ideias-chave para o futuro. Também estou a falar de cortes com a política actual. Era bom que a deputada (que parece criticar a animação social) dissesse claramente que com ela acabavam as viagens com os velhinhos. Ou os apoios ao Carnaval ou à SEMA para a compra de uma árvore de Natal. Ou então que assumisse que com o PS na Câmara jamais haveria uma nova piscina e que a política seria remendar a actual. Ou que jamais haveria um atraso no pagamento de subsídios às colectividades (quando isso no tempo do PS também aconteceu). Ou que jamais seriam dados 17.500 contos para um clube de caça comprar terrenos para uma carreira de tiro (como aconteceu no tempo do PS).
Mas o que faltou claramente nesta análise à entrevista de José Eduardo Matos foram números. E os números são simples. Nos 8 anos em que o PS esteve na Câmara, o valor de despesas de capital executadas foi de 37 millhões de euros. Nos primeiros 4 anos de José Eduardo Matos o mesmo número foi de 40 milhões de euros. Em 4 anos investiu-se mais do que em 8 anos! E isto com restrições ao crédito e com estagnação das transferências do Estado. É pena que a deputada não tenha comentado estes números. Talvez também lhes chame animação social. Como também é pena não explicar no mesmo artigo porque razão o PS em 8 anos de poder não conseguiu acabar uma única obra emblemática? Ou porque razão perdeu de forma tão “esmagadora” as eleições em 2005? Terá sido também um problema de animação social?
Mas além destas omissões há também uma dificuldade de análise ou melhor dizendo uma conveniência do que tem sido o tempo de José Eduardo Matos na Câmara. A primeira coisa que fez foi obviamente acabar as obras que o PS tinha deixado por acabar (biblioteca e cine-teatro foram os mais emblemáticas). Depois empenhou-se no Parque Industrial, um processo mal gerido pelo PS e que em 2001 estava longe de dar frutos. Projectou e executou o parque do Antuã e começou a preocupar-se de forma séria com a organização interna da Câmara qualificando os serviços. Implementou políticas a nível do ambiente para resolver velhos problemas (o caso do ERASE) e de promoção do Baixo Vouga (o caso do Bioria). Implementou finalmente uma programação cultural digna desse nome no Cine-teatro, que é das melhores na região centro. Quanto ao futuro, teremos obviamente a nova piscina, que requalificará toda uma zona urbana, a nova escola básica e integrada do sul do concelho, a expansão do Parque Industrial, o novo mercado municipal, os centros cívicos nas freguesias, o centro de ciência de Avanca e a implementação de uma agenda 21 local, que dê uma nova dinâmica ambiental a Estarreja. Se isto é animação social então era bom que a deputada Marisa Macedo anunciasse as suas grandes ideias para o densevolvimento do concelho, já agora não esquecendo a pobre da rua das Patas, que não foi de facto alcatroada no tempo do PS. E nesse tempo também era obrigação da Câmara tapar buracos e melhorar as ruas. Mas aí parece que não foi só a rua das Patas. Foi também a rotunda do hospital, o cine-teatro, a biblioteca, o Parque Industrial….enfim, um bom lote de obras que ficou por fazer. Pois é, e não faltavam técnicos na Câmara para tratar do assunto. Nem políticos…
(In Jornal de Estarreja)
Add comment Novembro 23, 2007