O deputado em que ninguém vota

O meu leitor perguntou-me também que sendo eu o mais inútil dos deputados porque razão havia alguém de votar em mim? E se estou sempre calado como é que posso defender os interesses de quem me elegeu? Começando pela primeira tenho a certeza absoluta (embora admita que possa estar enganado) que não houve uma única alma penada neste concelho que tenha votado em mim. Quem é que reparou que o meu nome estava na lista para assembléia municipal? Quem reparou que se acuse. Mas ninguém deve ter votado na lista só porque eu lá estava. Não tenho fãs nem adeptos. Não sou nenhuma estrela local. Portanto, mesmo que o meu nome não fosse na lista isso não tinha influência nenhuma no resultado final. Vale pouco o meu nome em termos de votos. É claro que ao dizer isto arrisco-me a que nas próximas eleições corram comigo. Se o meu nome não vale nada vão despachar-me na certa. Já estou a ver o meu presidente a ler isto e a pensar: vou tratar deste rapaz que não me dá votos nenhuns. Mas seguindo este critério muita gente seria despachada não só no nosso partido como nos outros todos. Por isso, a minha presença na lista e na assembléia tem que ter outra razão para além do voto popular. Talvez alguém tenha pensado que o meu contributo seria importante para ajudar esta câmara a governar melhor. Talvez. Mas já estou a dar muita importância a mim próprio. Cá para mim passei despercebido ou alguém se enganou no nome. Bem, eu sei a razão, mas não vos dizer. Mas já agora caso alguém tenha votado em mim queria agradecer o seu voto. Quem vota em mim vota sempre na pessoa certa e para o ano não se esqueçam. Se eu não for corrido votem novamente.

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As promessas

Um leitor simpático e atento que se dá ao trabalho de ler este blogue escreveu-me a explicar as razões porque não costuma votar. Diz ele que uma das razões são as falsas promessas que os políticos prometem e depois não cumprem. É verdade que isto acontece e é mau para a classe política que assim seja. Creio que na maior parte dos casos isto não acontece por má fé dos políticos. Muitas vezes tais situações acontecem por imprudência política, por conhecerem mal a realidade, por serem demasiado optimistas em relação ao poder que vão exercer. O caso de Durão Barroso é um bom caso. Creio que ele não tinha a verdadeira noção da situação em que o país estava. Quando chegou ao poder deve ter apanhado um grande susto e deve ter reparado que não tinha outro remédio senão aumentar o IVA para captar receitas. Foi obviamente uma imprudência ter prometido certas coisas como choques fiscais e coisas do género. São promessas que agora as pessoas cobram. Outro caso que o leitor cita é o caso do aborto em que o PSD não tem coragem para romper com o PP e avançar com uma solução de despenalização. É verdade e tenho pena que assim seja. Mas aqui o PSD até diz que está a cumprir uma promessa eleitoral, embora curiosamente isso não conste do programa eleitoral do partido? Quanto a nós em Estarreja acho que tivemos o bom senso de prometer coisas exeqüíveis. É claro que há coisas que só são possíveis de concretizar na totalidade em dois mandatos, mas pelo menos vamos conseguir lançá-las ainda neste mandato. Acho que em 2005 poderemos enfrentar os eleitores de cara erguida no que toca a promessas. Mas era importante conseguir fazer passar a mensagem que muitas vezes não se cumprem promessas porque o exercício do poder não é tão fácil como parece e há muitos obstáculos pelo caminho. Era bom que uma vez por outra uma pessoa pudesse acompanhar a vida da câmara durante uma semana. Ver o que faz o presidente e os vereadores para ter a verdadeira noção do que é o exercício do poder e o trabalho desenvolvido. Se isto fosse possível acho que muita gente mudaria de opinião. O mesmo acontece em relação ao governo ou à assembléia da república. Uma semana com o governo ou com os deputados seria uma boa experiência para muita gente mudar de opinião. Pois acreditem que não é fácil governar e que muitas vezes se trabalha no duro para conseguir pequenas coisas que ninguém vê ou repara. É claro que nem tudo é perfeito e também há gente a passear o esqueleto em vez de trabalhar. Mas não podemos pôr toda a gente no mesmo saco. Senão o país seria ingovernável. Senão o país estaria num caos. É claro que há muita coisa mal na política (como em toda a sociedade), mas também há muita gente boa e que tem feito muito por este país. Não tenhamos ilusões quanto a isso. Depois não votar significa renegar uma conquista do 25 de Abril que foi o voto para toda a gente. Para quê que a malta no 25 de Abril teve tanto trabalho se agora o pessoal nem liga muito a essa famosa liberdade do voto? Que diabo, ao menos votem em branco.

O quadro de pessoal

Não era para falar deste assunto, mas como alguém pode pensar que estou zangado vou dizer em poucas palavras o que penso. Todos nós gostávamos de ter um quadro de pessoal mais reduzido e eficiente na nossa câmara. Infelizmente devido à lei que rege esta matéria tal não é possível e daí a razão da câmara ter apresentado na última assembleia a proposta que apresentou. Como o presidente da câmara referiu na sua intervenção, melhor é impossível. E até fez uma comparação com as câmaras à volta e Estarreja parece não estar nada mal nessa comparação. Convém também dizer que é uma proposta com meses de estudo e que pelo facto de ter muitos lugares vagos, não é obrigatório que a câmara os preencha. No fundo, a proposta tinha que ser como é. Tudo isto foi garantido pelo presidente da autarquia em pleno plenário e julgo mesmo que a intervenção dele foi fundamental para dissipar qualquer dúvida que pudesse existir. Para mim, o adiamento só tinha razão de ser se fosse para melhorar o documento. Agora não me parece que a câmara o possa mudar muito. Dessa forma, adiamos uma votação para brevemente votarmos exactamente a mesma coisa. Lembro também que já tinha havido uma reunião da comissão permamente para analisar o documento, onde quase ninguém apareceu. Ou seja, faltam às reuniões e depois vão para a assembleia cheios de dúvidas. Mas não fiquem preocupados. Isto é apenas uma mera opinião sem valor nenhum. Se calhar quem está mal até sou eu.

P.S. Uma rã à espera da Primavera.

O mais inútil dos deputados

Para que serve um deputado? Um deputado pode servir para muitas coisas. Para fiscalizar, para ajudar a governar melhor, para destruir, para pôr em causa, para atrapalhar, para evitar desastres, para denunciar, para criticar, para estar calado quando deve falar. Como eu não tenha feito nada disto (senão estar calado quando devo falar), acredito sinceramente que sou o mais inútil dos deputados. Talvez tenha mesmo que ser despedido se continuar assim. Principalmente por colaborar em adiamentos com os quais não concordo.