Perdemos as nossas vacas?

O Expresso traz este fim-de-semana em destaque uma notícia para ajudar a votar não no referendo para a Constituição Europeia. Diz o jornal que Portugal perdeu o direito ao mar por causa da Constituição Europeia. Diz mesmo que a Constituição Europeia retira a Portugal a soberania sobre a sua Zona Económica Exclusiva (ZEE). Ora isto é daquelas notícias que só servem para causar confusão.

Desde que aderimos à comunidade que as políticas de pescas de todos os países são definidas em conjunto. Ou seja, temos quotas de pesca que temos que cumprir. O mesmo acontece no leite ou outros produtos agrícolas. Portanto, esta notícia também podia ser: perdemos o direito às nossas vacas, pois não podemos produzir o leite que queremos. Portanto, o que se passou com a Constituição Europeia foi passar para o papel uma coisa que já era evidente. Portanto, Portugal continua a ter a sua ZEE, onde continua a exercer a sua soberania em termos de fiscalização, recursos minerais e pesquisa científica. E já agora esta regra é válida para todos os países da União Europeia. Portanto, a Espanha, a França, a Itália etc.. também estão na mesma situação e nenhum deles protestou. É que a notícia dá impressão que Portugal foi a única vítima do artigo constitucional.

O que os nossos pescadores deviam pensar é se estão à altura dos espanhóis em termos competitivos. É se conseguem meter o peixe no mercado ao mesmo preço que os espanhóis. Isso é que os devia preocupar. Na Agricultura não temos conseguido fazer isso, o que mostra que talvez os fundos comunitários que jorraram para a Agricultura e Pescas nos últimos 18 anos não tenham sido bem aproveitados para a nossa modernização e capacidade competitiva. Portanto, o ministro ontem tinha razão em avisar os pescadores. Preocupem-se é com a competição, não com a constituição.

Anúncios

Receitas extraordinárias

Como muitos portugueses vivo acima das minhas posses. Gasto o que tenho e o que não tenho. E quando fico aflito recorro a receitas extraordinárias. Sei que um dia, quando acabarem as receitas extraordinárias, estarei perdido e sem luz ao fundo do túnel. Mas até lá vou vivendo feliz. O governo do meu país faz o mesmo, mas um dia quando chegar à mesma situação o que fará?

Vermes na noite escura

A noite abriu um pouco. Depois da chuva é bom ter as estrelas de regresso. É bom sentir a sua presença de novo. Brilham como lágrimas de luz suspensas nas insondáveis profundezas do céu. Algumas terão planetas. Muitos inóspitos e terríveis, mas alguns de paisagens meigas e doces, de noites suaves e breves como as nossas. E nós vermes rastejantes perguntamos onde estão esses outros vermes diferentes de nós? Que pensarão eles dos nossos negros dramas? Das nossas ambições? Dos nossos egoísmos insaciáveis? Dos nossos orgulhos desmedidos? Das nossas tolices? Saberão eles o que isso é? Ser verme e ter a mania das grandezas?

Estrela

Estrela que desces sobre a verde colina,

Triste lágrima de prata no véu da noite.

Estrela, aonde vais tu, nessa noite imensa?

Procuras, acaso, um leito nos canaviais?

Ou, tão bela, à hora do silêncio, vais tu cair,

Como uma pérola, no seio profundo das águas?

Estrela de amor não desças dos Céus!

Muset