Árvores e blogues

Qualquer pessoa que goste de árvores não gosta obviamente que estas sejam cortadas. Mas quando é mesmo necessário há que ter em linha de conta a sua idade, raridade e valor ambiental. O caso das árvores que foram cortadas por causa da nova rotunda do hospital deve também ser enquadrado neste contexto. Não eram árvores centenárias (não tinham mais de 50 anos), não eram de nenhuma espécie rara, nem tinham um valor ambiental elevado. É claro que tinham uma função estética no sítio onde estavam, mas perante a impossibilidade de as contornar, o abate era provavelmente a única hipótese. Foi um mal necessário. Felizmente ficaram lá muitas mais e novas serão plantadas. Por isso, não vale a pena fazer grande barulho por causa delas. Tenho pena, mas a obra que se está a fazer é mais importante.

Já agora bem pior foi aquilo que fizeram nos anos 80, na entrada sul de Fermelã. Existiam aí dois corredores de árvores na beira da 109, que desapareceram com o alargamento da estrada. Gostava delas, pois davam as boas-vindas a quem vinha daquele lado. Foi tudo cortado. Foram-se sem deixar rasto nem raízes. E ninguém as chorou. Mas ainda cá estão na memória. Silenciosas, altivas, com as gotas de orvalho, com as folhas de céu verde, com as copas escuras.


Quanto ao novo blogue acabado de chegar à blogosfera ser ou não de alguém ligado à oposição é o que vamos ver no futuro. Posso estar obviamente enganado e se assim for vou ter que me penitenciar daquilo que disse aqui. Agora acho estranho que num blogue ainda com poucos comentários, todos eles sejam contra a câmara. Além disso, a escolha do nome para o blogue denota uma ironia muito curiosa. É claro que não vejo mal nenhum em haver mais um blogue contra a actual câmara. Até lhe dei razão na questão das tampas, embora não lhe possa dar razão no resto, pois não a tem. Agora era bom que soubéssemos quem é o autor, pois acho que na blogosfera não deve haver anonimato. É bom que as pessoas digam quem são, para sabermos o que as move. Todos sabem quem sou, ou seja, que sou membro de um partido, que apoia a actual câmara. Portanto, quando me lêem sabem isso. Mas sabem também que sou um homem livre e que digo o que penso. Talvez, por isso, me leiam, me achem graça. Mas também sabem que não digo aqui tudo o que sei ou que penso, pois quando fazemos parte de um partido, tudo o que dizemos pode ser usado contra nós. Mas de uma forma ou outra sabem quem sou e ao que venho. E isso para mim é importante para perceber o que move cada blogue. Para entender as suas raízes já que falamos de árvores.
Anúncios

Tampas

A oposição criou mais um blogue. Ainda tem pouca coisa e não sei se terá muito assunto no futuro, mas numa coisa dou-lhe razão. A colocação de tampas de saneamento nas estradas seja em Estarreja ou noutro sítio qualquer é sempre uma desgraça. Estão sempre mais altas ou mais baixas que o pavimento e os nossos pobres carros lá vão andando a bater nelas. Será que esta malta que mete tampas não podia ir tirar um curso na Alemanha para aprender como é que se metem tampas certinhas com o pavimento? É que só se vê isto cá em Portugal. Isso e os rasgos mal tapados no meio da estrada, onde também andamos sempre a bater.

Os queixinhas

Há tempos, o Fernando Mendonça queixava-se no seu blogue das queixas do PSD à Alta Autoridade para a Comunicação Social (ACS) contra o Voz Regionalista. Quem lê o comentário que ele produziu fica com a ideia que só o PSD é que faz queixas à ACS. Venho eu agora a descobrir que o nosso caro vereador também faz o mesmo e que na última queixa que fez acusava a câmara de não dar publicidade ao Voz Regionalista nem lhe remeter comunicados de teor político. O que é curioso é que perante tal descriminação a ACS devia ter dado logo razão ao autor da queixa. Mas não. Na deliberação que tomaram entenderam que não havia provas suficientes para sustentar as queixas. Mas disseram mais alguma coisa. Disseram que a ACS não era local para querelas e disputas partidárias como parece ser este o caso. Acho que está tudo dito no que diz respeito a queixas.

Na hora do fim

Nunca pensei que isto acabasse assim tão rápido, tão depressa. Nunca pensei que o Presidente tivesse coragem para tomar uma medida destas. Mas lá percebeu que o primeiro-ministro não era capaz de garantir a estabilidade governativa de que o país tanto precisa e accionou a bomba atómica. É triste que tudo acabe assim. Deve ter sido dos governos mais curtos que tivemos desde o 25 de Abril. Em quatro meses tudo se esgotou. Mas os sinais de que isto podia acabar mal eram evidentes. Ninguém gostava deste governo. Desde que nasceu foi sempre mal amado, atacado e minado. Nunca teve estado de graça. A falta de confiança foi sempre uma constante. Num ambiente tão hostil era difícil sobreviver a não ser que o primeiro-ministro fosse um político excepcional. Mas não era. Ao longo destes quatro meses foi mostrando que não estava à altura do cargo. Falou de mais de que coisas que não sabia ou percebia mal, contradisse ministros, criou ou deixou criar factos políticos completamente desnecessários (o caso Marcelo), criou desconfianças onde elas não existiam e até mesmo na consolidação orçamental mudou ligeiramente de discurso quando não o devia ter feito. Não percebeu que governar um país nem é mesma coisa que ser Presidente de Câmara ou presidente de um clube de futebol. Aí as gaffes são mais aceitáveis, passam mais despercebidas. Agora ser líder de um governo é bem diferente. Aí não perdoam os deslizes. E quando começamos a governar num clima de desconfiança pior ainda. Qualquer deslize é logo notado, qualquer contradição é logo ampliada. Calculou mal o aviso que o Presidente lhe fez na reunião de segunda-feira. Até aqui falhou. Não percebeu que o Presidente queria mais do que um simples nome para substituir o ministro em falta. Elaborou mal a resposta. Meteu-se a jeito para que tudo isto acontecesse.

Para muitos foi um alívio o que aconteceu, para outros foi a sorte grande que lhes saiu. O homem do gelo quente deve estar radiante. De repente, o vento corre a seu favor e tem tudo para ganhar as próximas eleições. É certo que foi apanhado de surpresa. Vai ter que preparar um programa eleitoral à pressa e assim como uma ideia mobilizadora para o país. Duvido que esteja preparado para governar, mas talvez na adversidade se revele um bom político. Talvez, mas não dou muito por ele. Quanto ao PSD voltará à oposição para curar as feridas e fazer a travessia do deserto. Talvez encontre um bom líder depois deste. É um grande partido com muita gente boa. E talvez ganhe as presidenciais com Cavaco como candidato. Mas é triste que tudo acabe assim. Depois de dois anos difíceis vem agora o PS colher os louros da retoma.

Quanto a Cavaco Silva deve estar contente com tudo isto. Demarcou-se na hora certa dos maus políticos. Cortou na hora certa com Santana Lopes. Pode agora aparecer como uma espécie de Messias. Como um garante de estabilidade. Vai ter o partido com ele. O partido vai estar sequioso de vitórias e o simples facto dele poder ganhar as próximas presidenciais vai entusiasmar muita gente. Talvez lhe dêem razão na altura sobre os maus políticos, porque agora muita gente no partido não gostou do que ele disse. Mas o partido é volátil e muda facilmente de opinião. E o que agora parece errado no futuro pode estar certo.

Luís Marques Mendes também deve estar sorridente. Sabe que o vento sopra a seu favor. Por agora não vai levantar grandes ondas. Vai deixar que Santana Lopes seja o candidato do partido a primeiro-ministro. E vai deixar que ele acabe mal com uma derrota nas próximas eleições. Depois terá campo aberto para ser candidato a líder. Isto se não aparecer mais ninguém.

Uma última palavra para Regina Bastos. Não teve praticamente tempo para mostrar o que valia no governo. Mas espero obviamente que o PSD distrital lhe dê um lugar elegível na lista às próximas legislativas. E quando digo elegível é entre os 3 ou 4 primeiros. Penso que fará um bom lugar na Assembleia da República como deputada. Tem experiência e visão para isso e conhece bem o distrito. Além disso é sempre um encanto vê-la numa lista. Fica sempre bem em qualquer fotografia.