Cartazes

Depois daquele lema que não lembra nem ao diabo e daquelas promessas aéreas sobre o desporto em Estarreja, o PS está na rua com um excelente cartaz. Os meus parabéns, pois é um cartaz bem concebido graficamente e com uma boa foto do candidato. É claro que não é um cartaz que ganha as eleições, mas um cartaz bem feito ajuda sempre um pouco.

Mesmo assim, não resisto a transcrever um comentário que uma senhora de idade em Pardilhó fez ao cartaz. Ao ver a figura e ao ler o nome perguntou a uma pessoa do meu partido: “Aquele Teixeira da Silva é alguém lá de Estarreja? É que nunca o vi por aqui!”

Preocupações

Sempre soube que o meu amigo Vladimiro Jorge era um jovem preocupado com o meu partido e com a importância deste no contexto político local. Afinal estamos a falar do maior partido que existe no concelho e isso é relevante em qualquer discussão. Não sabia é que ele estava tão preocupado ao ponto de ver uma tragédia onde mais ninguém vê.

Uma coisa que é sempre um péssimo sinal na discussão política é a mercearia dos lugares. Quando a critico aqui é porque acho que são essas discussões que desacreditam a política. É claro que os nomes que vão numa lista autárquica são importantes, pois de certa forma olhamos para eles quando votamos. É claro que os cabeças de lista são importantes, pois é neles que acreditamos quando votamos.

Agora toda a discussão à volta de lugares numa lista, ou seja, se fulano vai em 10º e outro vai em 8º, se o candidato x saiu da lista y e foi para a lista z, tudo isso é discussão de merceeiro ou melhor dizendo é uma discussão para alimentar intrigas e conversas nos jornais.

E começo pelo meu caso que pouco vale, mas que cito aqui. Que me importa a mim ir em 12º lugar numa lista ou em 5º ou 6º? Rigorosamente nada. E se tivesse passado da lista da assembleia para a lista da câmara, que importaria isso? Rigorosamente nada.

Habituei-me a uma coisa no partido onde estou. Dizemos se estamos ou não disponíveis e em função disso metem-nos no lugar que bem entendem. Se não estamos satisfeitos podemos sempre recusar e ir embora. É tão simples quanto isto. Portanto, quem vem para o PSD à procura de lugares está mal arranjado. Porque está sujeito a ficar de fora ou então a ir num lugar que não gosta. É claro que toda a gente é livre de aceitar ou não um lugar. E também toda a gente é livre de não querer ir mesmo quando lhe oferecem um lugar elegível. É certo que num partido destes há quem possa ficar zangado com esta filosofia e é por isso que o PSD é um grande fornecedor de recursos humanos para outros partidos (principalmente para o PS), pois há quem não goste destas regras e mude de partido a ver se arranja um lugar melhor.

Já discuti aqui em tempos, as trapalhadas do PS com o candidato Vladimiro Silva. E foram trapalhadas importantes porque se tratava de um cabeça de lista. Não ocupava um lugar qualquer na lista. Mas depois do assunto resolvido não voltei a isso. É claro que podia dizer que o candidato que não serviu ao PS de Estarreja serve agora ao PS de outro concelho, mas como disse na altura, acho que Vladimiro Silva nunca devia se ter metido na alhada em que se meteu e acho que ele devia mesmo abandonar a política activa, pois há vida para além da política. Agora não me viram aqui discutir o facto da lista actual do PS à câmara ser bastante diferente de há 4 anos. E não discuti isso porque acho que o partido fez muito bem em renovar-se e em apresentar novas caras. Também não me viram aqui assinalar o facto de o nº1 da lista do PS à assembleia ser agora o nº3. Muitos podem ver aqui uma despromoção, mas para mim isso pouco interessa. O que interessa é obviamente a qualidade das pessoas e a disponibilidade que demonstram para continuar a participar num projecto. É isso que conta.

Portanto, percebo perfeitamente que o meu amigo Vladimiro Jorge queira desempenhar o seu papel de agitador com frases do tipo: “que no PSD se está a assistir a uma debandada geral de pessoas de reconhecido mérito e que algumas das principais figuras do partido foram compulsiva ou voluntariamente afastadas das listas é motivo de preocupação para qualquer um”. Ora eu que, por acaso, até pertenço a esse partido não tenho conhecimento de nenhuma figura do partido que tenha sido afastada das listas. Conheço sim, um caso ou dois de pessoas que se afastaram voluntariamente das listas, mas que continuam a trabalhar connosco como dantes. E nunca as ouvi criticar actual liderança. Portanto, não percebo onde está a tal debandada geral?

Também não percebo onde estão as tais vozes críticas que foram afastadas das listas? Não conheço nenhuma, mas talvez alguém saiba os nomes que eu desconheço? Ou as declarações de tais vozes críticas.

E já agora sobre Carlos Tavares acho impressionante que se diga que ele foi afastado quando actualmente reside praticamente em Bruxelas. Ou seja, parece que noto que alguns saudosos acham natural que um homem que tem a sua vida sediada em Bruxelas fosse novamente cabeça de lista para a assembleia! Só se tivesse uma máquina de teletransporte para estar presente nas reuniões e mesmo assim não sei se conseguia. Portanto, mesmo que ele quisesse ser candidato (e já disse que não quer devido à sua situação) não teria condições para sê-lo. Acho que isto é facilmente perceptível.

Portanto, esta discussão em torno das listas da coligação (do PS ninguém fala é curioso?) serve apenas para alimentar a nossa pequena blogosfera e um jornal local ligado ao PS, dado que noutros jornais não notei grande relevância em relação a este assunto dos lugares. Por isso, acho que é uma discussão estéril e sem interesse nenhum a não ser para a oposição que tenta arranjar algum lume para acender fogos onde eles não existem.

Os independentes

Agora que o tempo é de apresentação de listas onde estão afinal os independentes e os insatisfeitos deste pedaço de terra? Tinham uma oportunidade fabulosa de se apresentar nestas eleições com um projecto alternativo. Com um projecto que revolucionasse Estarreja. Mas não. Não se vê ninguém. Bem, talvez estejam todos no PS. Talvez estejam por lá a laborar em projectos fantásticos para este bocado de terra. Esperemos é que sejam realmente coisas novas e não daquelas que já existem.

Ausências III

Quantos boatos e intrigas se geram em redor das listas autárquicas? E tudo isto é apenas poeira. Apenas vazio de ideias. Que interessa se o candidato x ou y já não vai na lista? Ou se um subiu não sei quantos lugares e outro desceu outros tantos? Que relevância tem isso para o progresso de uma terra? E a resposta é nenhuma. Nada disso interessa a não ser para alimentar intrigas e especulações. O tempo que se perde com isso é um péssimo sinal do que é a nossa política local e mesmo nacional. Andamos entretidos com frivolidades com lugares com tachos ali e acolá. Quando nada disso interessa para nada. O que interessa é quem lidera.