Submarinos

Foi por causa de uma conversa que surgiu este artigo. É raro escrever sobre estas matérias, mas não resisti. É uma coisa sobre os novos submarinos da Marinha. Mas deu-me gosto escrever isto. Tentar explicar às pessoas um assunto tão polémico. Tentar mostrar porque precisamos destas coisas.

Saddam

A morte de Saddam não resolverá nada no Iraque. Tudo continuará na mesma a ferro e fogo.

O antigo ditador tinha o seu destino traçado desde que foi decidido o seu julgamento no Iraque. Deve ter percebido isso. Que ali não tinha grande hipótese de escapar à morte.

Mesmo assim, sempre desafiou o tribunal como se ainda o fosse o Presidente de outros tempos. Toda a vida matou ou mandou matar. Não sei o que pensará agora que está prestes a ser enforcado? E o que pensarão aqueles que perderam a família às mãos de Saddam? E os que foram torturados ou presos sem razão?

Mas obviamente que me custa ver isto. Sou contra a pena de morte, mesmo que seja um ditador desprezível.

Salazar

O Salazar de Fernando Dacosta é um Salazar humano, o Salazar das pequenas histórias, o Salazar pela voz da Dª Maria. Não é um livro histórico é um livro de pequenas histórias. A história da cadeira, das cápsulas de cianeto fornecidas por Hitler ou por um diplomata vindo da Alemanha, da PIDE que afinal matou Delgado sem Salazar saber, o Salazar das 500 galinhas, das botas preferidas e por aí fora.

É um Salazar curioso, muito próximo de nós. Um Salazar visto na intimidade. É um livro bem escrito e dá um certo gosto ler. Aqui fica como sugestão deste ano.

Coisas da cultura

Uma pequena palavrinha sobre cultura. Nunca Estarreja teve na sua história o nível de oferta cultural que tem hoje no Cine-Teatro. Onde é que já tivemos cinema como aquele que lá passa, onde é que já tivemos concertos como os do Rodrigo Leão ou teatro como o da Barraca. Também nunca tivemos até hoje o nível de interacção que existe com as escolas a este nível. Portanto, dizer que a cultura estagnou, só se diz por dizer. Ou para dizer mal, quando não há mais nada para dizer.

Coisas do Parque

Ao contrário do que diz o Vladimiro Jorge no seu blogue sobre a temática do Parque Industrial, o tema não está suficientemente esclarecido do ponto de vista histórico. Porque se estivesse ele não dizia o que diz.

Não está em causa neste processo tirar o mérito que o Partido Socialista teve na idealização do projecto. Como também não está em causa, o esforço que foi feito pelos executivos seguintes para avançar com a obra. Nunca o faria, pois sei que tantos uns como outros trabalharam para tornar o Parque Industrial uma realidade.

Agora isto não significa que não tenham sido cometidos erros na gestão do processo, que se tentam agora ocultar. E é contra isso que estou. Como também estou contra as confusões que se fazem dos factos.

É um facto que a Câmara de Estarreja recebeu do último governo de Cavaco Silva, 82 hectares de terrenos. Nunca o neguei, só que não foram todos na zona prevista para o Parque Industrial. Quem faz esta afirmação devia ter noção disso e não devia criar a ilusão que a Câmara tinha em 2001, grande parte dos terrenos para avançar com a obra de infra-estruturação do Parque, pois não tinha como se pode ver pelo mapa que já mostrei aqui. Quem faz afirmação não sabe obviamente onde param os 82 hectares? E fala de forma generalista sem dizer onde estão os terrenos.

O mapa que mostrei aqui também é um facto e mostra a situação que tínhamos em 2001 para a 1ª consignação. Faltavam ainda comprar muitas parcelas e o executivo de Vladimiro Silva estava justamente a fazer essas compras, o que mostra evidentemente que grande parte dos terrenos previstos para o Parque não pertencia à Câmara.

Ora quem mandava devia ter esperado um pouco mais até ter os terrenos suficientes para a obra avançar, mas devido à pressão eleitoral avançou para mostrar obra. Fez mal e deixou um problema bicudo para quem vinha a seguir.

É também um facto que o executivo de Vladimiro Silva foi avisado disto pelos técnicos da Câmara. E é também um facto que não ligou nada ao aviso.

Portanto, o problema dos terrenos é tão simples quanto aquilo que se vê no mapa. A grande parte dos terrenos que estão hoje no Parque foi comprada pela Câmara de Estarreja. Tanto no tempo de Vladimiro Silva como no tempo de José Eduardo Matos. E estamos a falar de 92 hectares. Sei que cerca de 10% desta área já estava na posse da Câmara em 2001. É possível que dentro dessa fatia uma parte estivesse relacionada com a oferta dos 82 hectares, mas seria uma pequena parte, pois a Câmara estava a comprar grande parte dos 92 hectares.

E isto é outro facto, pois os documentos e as escrituras existem para quem quiser ver e o processo está todo na Câmara Municipal. E, portanto, em vez de afirmações confusas, o que Vladimiro Jorge devia fazer era ver os documentos e ver como as coisas foram feitas. O mapa que divulguei foi um contributo nesse sentido. O que tenho escrito na imprensa local a mesma coisa.