Impressões finais

Há uma semana, não contava obviamente que este episódio da visita ao hospital gerasse tanta polémica. Mas de facto, uma coisa que não devia passar de um mero incidente, teve impacto e visibilidade pública. Em jeito de conclusão e correndo o risco de me repetir, deixo aqui as minhas impressões finais.

Começando pelo aspecto formal da coisa. É óbvio que os aspectos formais para a combinação da visita não foram bem cuidados. Exigia-se mais rigor na marcação da visita, assim como na sua comunicação a nível interno no hospital. Como isso falhou gerou-se o imprevisto conhecido. Nada que não se pudesse resolver, mas obviamente uma situação a evitar futuramente.

O problema formal gerou obviamente um problema prático que é ter o líder do PSD no hospital para visitar as urgências e não ter ninguém para recebê-lo, nem para conduzi-lo durante a visita. Perante isto, só se podiam tomar duas opções. Tentar resolver o problema no local e ultrapassar a situação ou então negar simplesmente a visita. É claro que a realização da visita neste contexto, só faria sentido se não existisse perturbação do serviço, que na situação em análise não parece ser o caso, pois as urgências não tinham praticamente ninguém naquele momento. Ora o director do hospital podia obviamente fazer o seu reparo à situação e mostrar-se descontente pelo sucedido, mas de seguida tentava resolver o problema falando com as urgências para ver se a visita era possível ou não. Se as urgências dissessem que não, o caso morria ali e toda a gente compreendia a situação. Ora não foi isso que fez negando logo a possibilidade da visita. Ao fazê-lo criou um caso político perfeitamente desnecessário.

A vertente política é obviamente uma vertente que o director geriu mal. Não percebeu que a negação da visita iria criar um caso político. Além disso, piorou a situação no dia seguinte ao emitir um comunicado em que dizia que existia perturbação no serviço, quando toda a gente viu que isso não era assim. O comunicado acirrou obviamente os ânimos, o que levou o PSD a reagir com outro comunicado pondo água na fervura. Não acredito obviamente que fique de tudo isto alguma mágoa, mas é óbvio que o episódio não deixa uma boa recordação.

Por fim, uma palavra para a discussão aqui gerada. O blogue teve um número de visitas acima do habitual e na caixa de comentários gerou-se um debate interessante (tirando um caso pontual de má-criação).

Acho que neste, como noutros temas, os comentários são bem-vindos desde que as pessoas sejam correctas.

Por fim, uma palavra para a Ana que com os seus comentários pertinentes elevou a discussão e obrigou-me a escrever mais sobre o assunto. É claro que continuo a aceitar mal o que aconteceu, pois sei que tudo podia ter sido resolvido no local, mas é mais um estado de espírito. Errar é humano e nem sempre agimos bem perante o imprevisto. Há que perceber isso e virar a página.

Uma última resposta…

De novo em resposta ao Vladimiro:

1- É óbvio que achei inaceitável (como ainda acho) a atitude que o director do hospital teve em relação à visita ao hospital. Penso que podia ter resolvido o imprevisto de outra forma. Se estivesse no lugar dele é o que teria feito. No meu primeiro post sobre o assunto não comentei nada sobre de quem era a culpa da situação como é óbvio.

2- No meu segundo post fiz apenas uma análise mais detalhada do caso e fui dando conta na caixa de comentários do que pensava sobre o assunto.

3- Em reposta à acusação de que a culpa era do Presidente da Câmara respondi apenas que a combinação da visita foi do PSD nacional e não do PSD de Estarreja.

4- É um facto que houve um contacto telefónico do PSD nacional com o hospital de Salreu. Também é um facto que alguém dentro do hospital se esqueceu de dar a informação ao CA. Também me parece óbvio que o telefonema do PSD devia ter sido seguido de um fax. E neste caso como noutros casos, acho que cada entidade deve obviamente assumir os seus erros ou omissões. E aprender alguma coisa com a situação criada.

De novo uma resposta ao agitador do costume

Como é óbvio em muitos posts, o Vladimiro Jorge, fala muitas vezes, sem consultar ninguém, sem fontes nenhumas, sem suporte documental, ao contrário do que afirma. O caso do hospital e do parque são bons exemplos disso.

No caso do hospital diz o seguinte: “O CA do HVS, colocado involuntariamente na posição de cúmplice da desorganização de JEM, fez o óbvio: é absolutamente inaceitável que um batalhão de jornalistas e representantes partidários invadam de surpresa os serviços de um hospital que se encontra a trabalhar normalmente.”

Ou seja, acusa o Presidente da Câmara de ser o responsável pela desorganização da visita ao hospital. Ora o Presidente da Câmara nunca esteve envolvido na organização da visita, mas sim o PSD nacional. Como o Vladimiro não sabe disto, acusa logo o Presidente da Câmara de mais esta “trapalhada”, quando o Presidente da Câmara nada tem a ver com a questão. Viram-no emendar o que disse? Nada, nem uma única palavra a dizer que julgou mal a situação.

Depois fala que um batalhão de jornalistas e representantes partidários ia invadir o hospital quando a visita era apenas às urgências. Depois apoia a decisão do director sem saber de quem de facto foi a culpa do problema que surgiu.

Depois diz ainda que “JEM perdeu o timing das negociações com o Ministério da Saúde”, quando nada sabe dessas negociações nem do que se passa. Ora não me parece que isto seja falar com consulta de fontes ou com consulta do que quer que seja!

Em relação ao parque a mesma coisa. Andou meses a dizer que tinham sido dados 80 e tal hectares de terrenos à Câmara para fazer o Parque Industrial. Isto com base num acordo assinado em 1995 entre Mira Amaral e Vladimiro Silva. Será que algum dia o Vladimiro Jorge leu o dito acordo? É óbvio que não, pois se o tivesse lido tinha percebido que os terrenos não eram dados, mas sim permutados e tinha percebido também que não eram 80 e tal hectares, mas sim 63 hectares e desses só 43 é que eram na zona do parque os outros 20 nada tinham a ver com o parque. Mas cá está, falou sem consultar documento nenhum. Viram-no emendar o que disse? Nada nem uma palavra. Mas se tivesse estudado o assunto a fundo teria percebido que o dito acordo de 95 nunca foi cumprido e que a Câmara acabou por comprar os terrenos à Quimigal na zona do parque. Viram-no fazer isso? Nada, mas também não emendou o que disse.

A ver com atenção

Um post do Pedro sobre a política local. O que ele disse é o que eu penso. Não tem sido hábito a oposição afirmar-se pela apresentação de projectos alternativos. As críticas aos orçamentos mostram sempre isso. As contas a mesma coisa. Nunca dizem como é que gastavam o dinheiro, em que projectos alternativos é que investiam? São sempre críticas de circunstância. Na questão das urgências obviamente que estão mortinhos que a coisa corra mal, porque vão logo dizer que a culpa é do Presidente da Câmara, não do governo. E não falam mal do governo porque é do mesmo partido, porque se fosse do PSD então já a culpa era do governo e do Presidente da Câmara. Também nunca reconhecem que no passado nem tudo foi bem feito como no caso do Parque Industrial. Para eles, o passado é que era bom, o presente não presta. No caso do BCN é mesmo caricato quando falam de uma nova política e no passado faziam exactamente a mesma coisa que agora que era dar subsídios. Daí o meu cansaço com este tipo de discurso. Daí perceber bem o que é que o Pedro quer dizer.

Um inquérito?

Já circula por aí a informação (que não me foi possível confirmar), que vai ser instaurado um inquérito aos funcionários do hospital que atenderam a comitiva do PSD no sábado passado.  A ser verdade (coisa que ainda não sei?) é obviamente estranho? Um inquérito para quê? Só se for para saber quem foi a pessoa que recebeu o telefonema do secretário-adjunto do PSD a comunicar a visita de Marques Mendes e se esqueceu de dizer à direcção?

P.S. De facto, como já suspeitava, foi feito um contacto telefónico com o hospital na passada quinta-feira a anunciar a visita de Marques Mendes. Desconheço obviamente porque razão a pessoa que recebeu o telefonema não comunicou a visita à direcção? Mas espero que o inquérito interno descubra o que se passou.