O Homem e a Terra

É das recordações mais antigas que tenho de uma série televisiva. O Homem e a Terra do Felix Rodriguez era algo que me fascinava. Não sabia que o Felix Rodriguez era dentista e que foi a águia-real que o entusiasmou pela natureza. Morreu num acidente de avião quando filmava no Alasca em 1980. Hoje tem uma associação na sua aldeia natal. Para preservar o gosto pela natureza. E a série está publicada em DVD em Espanha.

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Um tiro no pé

Foi o que PS local deu agora, ao colar-se ao governo e a Rui Crisóstomo, na questão do fecho das urgências. Ao defender a mesma coisa que o governo defende para Estarreja (um protocolo semelhante ao de Cantanhede), o PS local mostrou que não tem autonomia para afrontar o governo nesta questão. Não percebeu que o que está em questão neste momento nas urgências, já não é encerrar o serviço. Já passamos essa fase. O que está em questão é conseguir que o governo perceba que Estarreja tem certos problemas, que não existem noutros locais e que a solução a encontrar deve ter em linha de conta isso mesmo. Por isso, é uma negociação difícil porque não é fácil fazer entender isto ao governo. Por isso, é importante que toda a gente esteja do mesmo lado. Mas ao colar-se ao governo, o PS escolheu claramente o seu lado. E esse lado não é o mesmo da população, nem da Câmara. E perante a escolha mostrou também que não é capaz de pôr de lado as cores partidárias em função de uma questão tão sensível como esta. Só tem a perder com esta atitude.

 

Faltou o motivo?

Há tempos tivemos em assembleia a discussão e votação do relatório de contas de 2006. É um documento técnico que pouco diz à população, mas é um documento importante, pois dá-nos conta da execução orçamental. É claro que todo o debate político à volta deste documento é sempre um debate falseado. Falseado porque nunca a oposição vota a favor, nem o contrário por parte de quem está no poder.

Mesmo assim, tento sempre fazer um debate sério sobre o assunto. Com pontos positivos e negativos. Foi o que fiz este ano como também no ano passado. Posteriormente deixarei aqui um artigo que escrevi para o Jornal de Estarreja sobre o assunto. Mas gostava já de comentar a questão da dívida. O PS local diz que a dívida nos últimos 2 anos passou de 14.8 milhões de euros para 23,5 milhões de euros. Realmente os números dizem isso, mas há uma nuance, que o PS esconde.

Se a Câmara não tivesse contabilizado os 2 milhões de euros de dívida à SIMRIA, a dívida seria de 21.4 milhões de euros, ou seja, ligeiramente inferior a 2005 (21.7). Ora a dívida à SIMRIA arrastava-se devido ao facto de existir uma diferença entre os caudais mínimos combinados e os caudais reais. Ou seja, a Câmara estava a receber facturas que eram superiores aos caudais reais. Daí que se recusava a pagar á SIMRIA. Desta vez, a dívida foi negociada por conta de dividendos futuros e daí o impacto nas contas.

Portanto, quando o PS fala de um aumento brutal da dívida a fornecedores está a esconder o essencial. E o essencial é que houve uma diminuição de dívida a fornecedores de imobilizado, assim como a fornecedores ditos correntes (exceptuando a SIMRIA), como se pode ver pelas contas. Aliás, o Relatório da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Publicas, dá conta que a Câmara Municipal de Estarreja, paga aos empreiteiros em tempo abaixo da média nacional entre 3 a 6 meses estando bem classificada a nível do distrito.

É claro que o PS local tem boas razões para não falar da dívida à SIMRIA. É que o acordo fabuloso negociado com esta entidade que estabelecia caudais mínimos a pagar pela Câmara foi negociado no tempo de Vladimiro Silva. Ora como se viu não foi um grande acordo para a Câmara.

Mas faltou obviamente debate na Assembleia Municipal. A CDU pouco disse e o PS eclipsou-se completamente. Daí que não deixe de ser caricato ver o PS local a escrever para um jornal indignado pelo facto de não terem noticiado o motivo pelo qual votaram contra. Mas é natural que o jornal não tenha noticiado o motivo, pois o motivo realmente ninguém o percebeu, nem o viu explanado?

Contas 2006

Falarei em breve das contas de 2006. Também falarei da parca oposição do PS na assembleia ao documento. Da conveniência política do costume de falar apenas dos pontos negativos e nunca dos positivos. Do hábito de ir à comissão permanente da assembleia falar com os técnicos e mesmo depois de esclarecidos voltarem a usar os mesmos argumentos. No entanto, deixo o link para a página da Câmara sobre o assunto.

Coisas da saúde.

Até há pouco tempo, o Dr. Fernando Portal era o presidente do CA do Hospital de São João da Madeira. Durante o período em que documento técnico sobre o fecho das urgências esteve em discussão, o Dr. Portal emitiu a sua opinião numa rádio local dizendo que era contra ao encerramento das urgências no seu hospital. Quando chegou ao fim da sua comissão de serviço foi-lhe dito claramente que não lhe renovavam a comissão porque ele se tinha manisfestado publicamente contra o fecho das urgências. Num lugar de nomeação política era natural que o Dr. Portal fosse substituído por um socialista. Muito bem. Nada contra. Agora dizerem-lhe que o mandavam embora porque ele se tinha manisfestado contra o encerramento das urgências durante o período de discussão pública do documento é obviamente grave. Então o ministro não estava durante esse período a colher opiniões? Ora não estava escrito em lado nenhum que o médico em questão não se podia pronunciar. Ou a discussão pública era só para quem não era médico? Realmente um episódio lamentável. Mas aconteceu aqui bem perto de nós.

Sobre as declarações recentes do ministro sobre as taxas moderadoras. Há muito que penso que deviam de existir taxas moderadoras na saúde diferenciadas em função do rendimento de cada um. E não escolho idades. Se um reformado com mais de 65 anos tem por mês 1000-1500 euros de reforma, acho obviamente que deve pagar taxas moderadoras. Estar isento só por que é reformado e idoso não tem muito sentido. Por outro lado, quem ganha 1500 euros/mês não deve pagar obviamente o mesmo que aquele que ganha 500 ou 600 euros.  Mas actualmente paga. Em relação às crianças reconheço que é polémico, mas quem tem bons rendimentos devia pagar. É claro que quem tem bons rendimentos não vai ao SNS. Vai ao privado.