Algumas respostas (ao Abel)

Em primeiro ao Abel Cunha. Teve em todo este processo das lamas um papel incansável de denúncia e de persistência. Nunca desistiu e fez tudo ao seu alcance para que o caso não fosse apenas mais um caso. Compreendo obviamente a sua frustração ao ver que nem tudo correu bem. E é nesse contexto que entendo algumas frases incendiárias ou comentários menos rigorosos sobre o processo ou mesmo acusações sem fundamento.

É sabido que o Abel Cunha tem uma profunda desconfiança em relação aos partidos políticos e é natural que às vezes cometa excessos e seja injusto em relação aos mesmos. Mas como sei que é uma pessoa justa e séria espero obviamente que corrija alguns desses comentários. Apesar das nossas divergências pontuais, tenho pelo Abel Cunha uma grande estima e gosto imenso de falar com ele, daí que tenha ficado um pouco surpreendido com algumas afirmações a meu respeito.

Em primeiro lugar, nunca houve de minha parte qualquer aproveitamento político em relação ao caso das lamas. Por acaso, fui o primeiro na altura a falar em assembleia municipal do tema e voltei a falar novamente na última assembleia, mas em termos práticos, o que eu disse pouco interessa para o caso, assim como outras intervenções feitas em assembleia pelo PS, que pouco adiantaram para a resolução do mesmo.

Tanto o PSD, como eu pessoalmente, fomos sabendo das diligências que a Câmara ia fazendo ao longo do tempo. Sempre acreditamos que o processo tivesse uma conclusão e que os resultados das análises fossem conhecidos. Dessa forma, nunca pedimos aos nossos deputados na Assembleia da República para tomar qualquer iniciativa, pois tínhamos confiança que a pressão institucional exercida pela Câmara fosse suficiente para resolver o caso. Apesar da demora é um facto que os resultados das análises foram produzidos e divulgados. Como já disse noutro post, não vou tirar o mérito a ninguém. Acho que tanto o Abel com a sua denúncia pública, como o Bloco de Esquerda na Assembleia da República, como a Câmara através da CCRC, todos tiveram o mérito de pressionar e de levar as entidades competentes a dar uma resposta, mesmo que fora de tempo. Acho que é de elementar justiça reconhecer isto e espero que o Abel o reconheça.

Depois não partilho obviamente de qualquer tipo de teoria de conspiração em relação à demora nas análises. Algumas dessas teorias lançadas pelo Abel (de interesses obscuros), não têm obviamente qualquer fundamento e não passam de pura especulação. É do conhecimento público que a Agência Portuguesa do Ambiente (ex-Instituto do Ambiente) não tinha na altura devida todo o equipamento laboratorial a funcionar para fazer as análises, daí o atraso nas mesmas. Saliento que faltava apenas uma parte das análises, estando a outra parte já feita desde Dezembro de 2006. É claro que nestes casos devia de existir uma alternativa, mas as regras de funcionamento destes institutos do Estado levam muitas vezes a bloqueios institucionais e à falta de resposta em tempo útil.

Mais graves são obviamente as declarações do Abel Cunha colocando em causa a validade das análises sem as conhecer. É obviamente uma acusação espúria contra a Agência do Ambiente e feita por alguém que nem sequer viu as análises, nem sequer conhece as condições em que as mesmas foram feitas. Como as vi em detalhe, acho que o Abel Cunha exagerou nos comentários e que acho que deve rectificar o que disse.

Quanto às penalizações em relação à Terra Fértil, as mesmas são as decorrentes da lei como é óbvio.

Gostava também de esclarecer para terminar, um aspecto que julgava já esclarecido há muito tempo com o Abel, que é a tirada presidencial de “com o tempo tudo se esquece”. Já em tempos tinha dito ao Abel Cunha, que essa frase estava descontextualizada da conversa que o Presidente da Câmara teve em Canelas. A frase é dita no final de uma conversa sobre as lamas em que o Presidente da Câmara comentava que “com o tempo tudo se esquece”, mas não no sentido que o Abel Cunha lhe dá. A expressão foi usada para dizer que infelizmente “com o tempo tudo se esquece” e não o contrário disso. Ora o Abel Cunha não assistiu à conversa. Porque se tivesse assistido tinha percebido isso. Como soube da conversa por uma outra pessoa é natural que essa pessoa não lhe tenha dado uma imagem correcta da conversa. Aliás, acho um pouco absurdo pensar que o Presidente da Câmara queria fazer esquecer o assunto. Mas já em tempos tinha alertado o Abel para a descontextualização da expressão e na altura ele concordou comigo. Admira-me agora voltar ao mesmo. Espero que fique esclarecido de uma vez por todas.

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3 thoughts on “Algumas respostas (ao Abel)

  1. Caro JM,
    as afirmações não são directas à sua pessoa, exceptuando a referência ao seu post. São como percebe, directas à actividade política e já conversámos sobre esse assunto e o meu posicionamento.

    Quanto à validade das análises, veremos. Percebo pouco de química e não saberei interpretar a questão da maturidade face aos valores encontrados. Tentarei encontrar alguém que saiba fazer essa leitura.

    Quanto à condenação da terra Fértil, não estamos de acordo. Não aceito que a lei que pune um cidadão ou uma empresa a trabalhar no sector privado, seja, a só aplicada, a uma empresa que, atropelando todos os procedimentos legais, cometa ilícitos como este de Canelas, continue a trabalhar para o Estado.

    Cpts

  2. Olá Abel

    Penso que não é boa política colocar em causa a validade de uma análise que nem sequer conhecemos. É logo um preconceito que descredibiliza a nossa posição.

    Em relação à Terra Fértil, o que deve ser aplicado é a lei. E a lei prevê sanções. Acho que isso que devemos exigir.

    Um abraço

  3. Pingback: Ainda as lamas « Terra Nostra

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