Para um camarada cá da terra

Quando passamos os 70 anos, a máquina começa a falhar e temos problemas por tudo e por nada. Tenho um camarada cá na terra, que está agora nessa fase, mas nunca o tinha visto tão em baixo como há dias. Problemas de diabetes e sei lá mais o quê? Este meu camarada é também presidente da junta, mas mesmo que não fosse, não podia obviamente deixar de lhe enviar um abraço e de esperar que melhore depressa.

Um século

Em Setembro, a escola das Laceiras, em Salreu, vai fazer 100 anos. Vai haver festa. Não vou estar presente com muita pena minha. Afinal foi lá que aprendi as primeiras letras. Não tenho uma única fotografia desse tempo. Nem um único registo. Também não tenho grande memória dos colegas. Apenas me lembro de uma colega. O resto apagou-se. E lembro-me da professora. E da sala, que ainda hoje existe em versão mais reduzida. E lembro-me de lá voltar um dia (2002) para levar o espaço aos mais pequenos. E foi aí que a memória do passado voltou. Como volta sempre que lá regresso. Mas é uma memória já difusa, apagada pelo desgaste dos anos. É que já lá vão 30 anos. Por isso, gostava de ter uma foto. De ter um registo daquela época.

De novo as teorias incendiárias

Uma das questões que eu gostava de ver claramente explicada por quem acha que o protocolo sobre as urgências do hospital nunca devia ter sido assinado é qual seria o destino do hospital na ausência de qualquer acordo? Porque realmente era essa alternativa. Nunca haveria um acordo, pois o ministério jamais cederia na parte da madrugada e nós também não.

Ora na ausência de acordo, parece-me óbvio que o hospital ficaria entregue à sua própria sorte e que até ao final deste ano, a urgência seria simplesmente encerrada, pois o Despacho nº 18459/2006, foi feito para ser cumprido e o hospital de Salreu não estava no grupo dos hospitais com direito a um dos 3 níveis de urgência definidos no despacho. Sendo assim, o destino era fechar.

Ora dentro de um ano, o hospital estaria bem pior do que agora. Sem consulta de madrugada na mesma e sem nenhuma das vantagens negociadas com o protocolo. Ora parece-me que é isto que os críticos do protocolo queriam, pois não vejo outra alternativa. E queriam isto para dizer depois que a culpa era do ministro, como se isso fosse um grande consolo para a população que usa o hospital.

Ora para mim pouco me interessa saber que a culpa é do ministro, pois isso é óbvio e não serve para nada. O que me interessa é que as pessoas fiquem melhor servidas no futuro, mesmo que não tenham consulta de madrugada.

Ora críticos como o Abel Cunha, acham que era melhor o hospital ficar sem consulta de madrugada na mesma e também sem o resto das vantagens negociadas no protocolo (que segundo o Abel não interessam para nada, nem vão ser cumpridas), para depois dizer a toda a gente que culpa era do ministro. É a isto que chamo uma teoria incendiária, pois serve apenas para exaltar os ânimos, mas mais não é do que um beco sem saída.

Também me custa obviamente ver à boleia de frases incendiárias, palavras pouco sensatas e exageradas sobre a realidade política local ou sobre as intenções de quem assinou o protocolo. Toda a gente parte do princípio que o protocolo foi assinado de boa fé. Se não for cumprido cá estaremos para o denunciar. Agora fazer processos de intenção sobre pessoas que mal conhecemos e que assinaram um documento de boa fé e com seriedade, parece-me mais uma vez pouco sensato.

Dentro de um ano ou dois será possível fazer um balanço do protocolo e aí veremos se está ou não a ser cumprido. Até lá devemos estar atentos e pugnar pela sua execução. E no fim veremos quem tem razão. E eu acho obviamente que o Abel Cunha não tem razão em nada do que diz e um dia veremos se eu estava certo ou não na minha apreciação.

É claro que eu também gostava de continuar a ter o serviço de antendimento aberto durante a madrugada, mas não vejo nenhuma abertura do ministério nesse sentido. Nem me parece que esta política mude a breve prazo.

Os problemas do PSD

Os problemas actuais do PSD são os problemas de sempre, quando o partido não está no poder. Ninguém gosta de estar na oposição e como muita gente sente que o PSD não está em vias de conquistar o poder em 2009, as hostes agitam-se e as lutas intensificam-se. E o problema está aqui, na sensação de que o PS continua forte e que o PSD não vai lá com a actual liderança.

E para um partido que não pode estar muito tempo na oposição, a simples impressão de que a conquista do poder está longe agita toda a gente. Porque o PSD é um partido de poder, que vive à sombra do poder, que se alimenta desse mesmo poder, como agora faz o PS.

Ora, a perda da Câmara em Lisboa foi uma afronta. De repente, perdeu a Câmara mais importante do país. E isto foi um golpe para muita gente que vivia na sombra do poder autárquico, que tinha a sensação do poder. Ainda por cima, Carmona Rodrigues teve mais votos do que Fernando Negrão, o que é uma humilhação para o partido.

Mas para voltar ao poder, o PSD tem que se renovar, tem que ser capaz de estabelecer-se como alternativa credível ao PS e isso não é fácil e exige tempo. Mas para um partido que vive mal fora do poder pedir paciência aos militantes é capaz de ser difícil. No entanto, apesar de tudo, penso que Marques Mendes é bem melhor do que Menezes e que o partido deve continuar com o líder actual. Mesmo que não seja possível voltar a governar em 2009.

Ainda o protocolo

Como sabem sou contra a frases incendiárias, sou contra a análises pouco rigorosas como esta sobre o protocolo feito esta semana a propósito do hospital. É que quem se der ao trabalho de fazer um balanço entre o que ganhamos e o que perdemos com o protocolo celebrado, vê obviamente que os ganhos são maiores do que as perdas. E penso que é essa análise rigorosa que devemos fazer para que a perda não seja apenas a única coisa em destaque. Por isso, considero que o mais importante agora é que o protocolo seja cumprido e que problemas como a falta de médicos em algumas extensões de saúde (ex: Salreu) sejam ultrapassados e que algumas extensões sejam mesmo melhoradas como prevê o protocolo.

Em termos gerais, ganhamos dois médicos das 20h00-24h00 com análises, coisa que não tínhamos, ganhamos mais algumas especialidades em termos de consulta, ganhamos uma ambulância INEM, ganhamos a intervenção da VMER de Aveiro, ganhamos um heliponto para operações com helicópteros, ganhamos telemedicina, ganhamos a requalificação das extensões de Veiros, Canelas e Fermelã, sendo as duas últimas novidade.

Mantemos a possibilidade de assistência aos acidentes químicos como já acontecia a qualquer hora do dia ou da noite e perdemos a consulta não programada durante a madrugada.

É óbvio que não deixa de ser uma perda, mas num balanço global, o hospital melhora e os cuidados de saúde também. Portanto, penso que apesar da perda, não podemos dizer que o hospital saiu prejudicado com este protocolo. Na verdade, sai reforçado. Além disso, penso que o hospital tem com este protocolo uma base de futuro que não tinha caso não tivesse sido assinado nada. É que no caso de não existir acordo, a política seria no sentido de fechar o hospital dentro de 2 a 3 anos. Com este acordo esse é um horizonte que fica afastado. Depois há também um outro factor positivo. A Câmara tem pela primeira vez algum poder de intervenção nesta área e isto poderá ser vantajoso no futuro com um governo diferente e com outra política de saúde.

E foi por causa das análises incendiárias que deixei aqui o fich. do protocolo, para que cada um o possa ler e avalie por si as vantagens e as perdas.