PSD I

Perdi. É a única palavra que me ocorre quando penso nas eleições que ocorreram no PSD. Mas perdeu também o partido, pois não acredito obviamente que vá ganhar alguma coisa de relevante com a eleição de Menezes. Percebo que os militantes tenham sido cativados pela mensagem de mudança, mas a verdade é que grande parte do partido  escolheu um caminho incerto com a liderança de Menezes. Temo que tudo isto acabe muito mal em 2009. Perdi mesmo qualquer esperança em relação a 2009. Nunca acreditei em soluções milagrosas para o partido. Mas agora acredito menos ainda. Acho que vamos continuar em plano inclinado e acho que os mesmos que festejam agora a vitória nas eleições internas não vão ter motivos para sorrir em 2009. E acho que vamos ter muitos anos de oposição à nossa frente, pois o eleitorado que nos interessa não vê obviamente em Menezes uma alternativa a Sócrates. Mas o partido tem os líderes que merece.

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Young folks

Dizem que é mais do que um toque de telemóvel. O vídeo é das coisas mais imaginativas dos últimos tempos. E a canção é uma óptima canção de Verão. Uma coisa para namorar. E ficamos contentes, sem nenhuma razão para ficar a não ser o som. Mas há também uma lembrança da juventude. De um tempo que nunca mais volta.

PSD

Aquilo que se passa no PSD é obviamente triste e não dignifica em nada o partido, nem os candidatos à liderança. Mas amanhã quem tiver as quotas em dia vai votar. Não faço ideia de quem ganhará? Votarei em Mendes e espero que ganhe. Mas em Estarreja, se Menezes ganhar será uma derrota para a comissão política. E se ganhar a nível nacional pior ainda. Por isso, espero o resultado com curiosidade, como também o dia seguinte. É que Portugal continua com os mesmos problemas de sempre.

Escapar

A discussão blogosférica está cheia de repetições, de banalidades, de lugares-comuns, de bocas, de impressões vagas, de falácias, de processos de intenção, de emoções exacerbadas, de teorias conspirativas. E não é fácil escapar a isto. No meio desta salada de argumentos e confusão também somos contaminados. Também temos que nos repetir. Também temos que repetir até exaustão, o que já dissemos tantas vezes. Também temos que cair na banalidade, no lugar-comum. Mas saber que isto é assim é meio caminho para escapar. É meio caminho para não cair no mesmo. Não é fácil, pois todos cometemos erros. Todos reagimos com emoções. Mas continuo a pensar que não é impossível. E continuo a fazer por isso. Mas tenho saudades das discussões rigorosas. De argumentos válidos e fundamentados. Lá isso tenho.

De novo a piscina

Devo confessar que até hoje ainda não percebi muito bem qual é a razão da oposição do Vladimiro Jorge à nova piscina? E gostava de saber. E gostava de saber com clareza. Também não percebi muito bem outros comentários de oposição, que me parecem apenas fugas para a frente quando os argumentos são pouco coerentes. Ou seja, parece-me óbvio que muita gente não leu o relatório técnico de 2003, que apontava como solução mais racional a construção de uma nova infra-estrutura. E isto faz com que a discussão seja pouco rigorosa, o que me mete sempre alguma impressão. Ora, não me parece que este seja o caminho correcto na discussão.

Não sou obviamente adepto de obras de regime ou inúteis, mas desde que li o relatório sobre a piscina pareceu-me óbvio que a construção de uma nova piscina seria a solução mais sensata. Portanto, a opinião que tenho não é baseada em conversas de ocasião, nem em alinhamentos políticos. É baseada num relatório que me parece fiável e rigoroso.

Na altura, o relatório técnico detectou os seguintes problemas na piscina e que não têm sido citados nesta discussão. E já é a segunda vez que escrevo sobre isto.

– Custos de manutenção elevados – só no ano de 2001 foram gastos mais de 150.000 euros.
– Falta de bombas doseadoras de tratamento de água
– Circulação da água é insuficiente
– Filtragem insuficiente
– Não existem tanques de compensação
– Não existe Unidade de Tratamento do Ar
– Estrutura metálica, com elevada corrosão
– Falta de estruturas de apoio, nomeadamente local para os pais assistirem às aulas, bancada, cadeira elevatória para deficientes, etc..

Com base nisto o estudo propunha 3 soluções, que me parecem acertadas na sua enunciação:

Solução 1
Recuperação do edifício existente. Investimento reduzido, baseado na substituição de revestimentos, tubagens, substituição de equipamentos, substituição de infra-estruturas mecânicas e eléctricas, substituição de caixilharia e correcções pontuais da edificação. Vão contudo prevalecer os problemas funcionais mais graves. O investimento garante o mínimo de condições por mais três/quatro anos.

Solução 2
Remodelação total e profunda do edifício existente, com o aproveitamento da parte estrutural. Pretende-se cumprir as normas da Directiva CNQ (Conselho Nacional Qualidade). Implica a demolição dos tanques, para aplicação de caleira finlandesa e tanque de compensação. O resultado fica sempre condicionado pelas áreas e estrutura de betão. O problema crucial do edifício existente (a dimensão dos tanques) não será resolvido. Será uma solução condicionada onde não se poderão efectuar algumas provas de natação, nomeadamente nacionais. Acrescem ainda os problemas inerentes à manutenção.

Solução 3
Construção de um complexo de piscinas municipais totalmente novo.
O projecto cumprirá as mais recentes exigências funcionais e tecnológicas para este tipo de edifícios.

Dadas as conclusões produzidas, parece-me natural que se tenha optado pela construção de uma nova piscina. E acho que é com base nestas conclusões que se deve fazer a discussão. É claro que quem acha que a piscina não se justifica porque serve um número reduzido de pessoas no concelho, deve ser coerente na argumentação e dizer o mesmo da biblioteca e do cine-teatro. Mas quem não entra neste tipo de argumento pode facilmente pronunciar-se com base nas conclusões aqui explanadas.

É óbvio que o PS local nunca estudou o dossier a sério e fez aquilo que é muita da discussão actual. Falou com bases em impressões vagas. E é pena que o tenha feito, pois um partido político não pode agir como um comentador de blogosfera.

P.S. O link para a nova piscina.

A piscina, as taxas e os impostos…

Não sei se Maria de Lurdes Breu lê blogues. Calculo que não. Mas se lesse ia sorrir com o que foi escrito aqui e aqui. Foi no tempo dela na Câmara, que alguém teve a sensatez de perceber que uma piscina municipal era um equipamento útil e com relevância social. Lembro-me bem da sua construção e do impacto que teve na nossa realidade local. Lembro-me de a visitar no tempo da escola. Lembro-me dos jovens que aprenderam a nadar por lá. De outros que seguiram a competição. Dos mais velhos e da hidroginástica. Da imensa quantidade de pessoas (dezenas de milhares?) que passou pela nossa piscina municipal. E nada disto teria sido possível se alguém noutros tempos não tivesse pensado nesta obra supérflua e de regime.

Como também não teria sido possível se não fosse um investimento público. E o Portugal de 1986 era obviamente mais pobre do que o Portugal de 2007. E o Portugal de 1986 tinha obviamente mais carências do que o Portugal de 2007.

É óbvio que quem não pratica natação passa bem sem uma piscina. Da mesma forma, que quem não vai ao cinema ou ao teatro passa bem sem o Cine-Teatro. Ou quem não lê também passa bem sem a biblioteca. E será que uma biblioteca é um equipamento social de primeira necessidade? E será que um Cine-Teatro é um equipamento social de primeira necessidade? Será que não é mais importante deixar de ter taxas no lixo ou baixas significativas nos impostos municipais, ao invés de termos uma piscina, uma biblioteca ou um Cine-Teatro? E será que não se devia aplicar também aqui o princípio do utilizador pagador? Afinal, “um equipamento que apenas interessa a um determinado número de utilizadores, deve por esses ser, exclusivamente, pago”. Ora é o caso típico de um teatro, de uma biblioteca ou mesmo de uma piscina.

Afinal quem tem esses vícios burgueses do teatro, da piscina, do cinema, da leitura, devia pagar. É agora o povo sobrecarregado de taxas que anda a pagar essas coisas? Afinal o povo nem sequer vai ao cinema, nem à piscina, nem o teatro, nem à biblioteca. Afinal, se formos a ver bem “a grande maioria da população” não retira qualquer benefício do teatro, nem da biblioteca, nem da piscina, embora esta última em comparação com o teatro e a biblioteca até é capaz de ganhar em número de utilizadores. Mas enfim isto só eu a dizer.

Portanto, se o princípio da relevância social é o nº de utilizadores então concordo que uma nova piscina é uma obra supérflua. Afinal a grande maioria da população não a usa. Mas por esse critério penso que também devíamos fechar a biblioteca e o Cine-Teatro, que foram duas despesas grandes no erário público.

E para que precisamos nós da piscina? Afinal quem quiser pode ir à Albergaria ou a Aveiro. O mesmo com o Cine-Teatro. Quem quiser cinema ou teatro vai a Aveiro. E a biblioteca a mesma coisa. Não faltam bibliotecas à nossa volta. Ou seja, constato que andamos estes anos todos a fazer obras supérfluas e de regime. Empreitadas que nos consumiram os fundos públicos. Empreitadas para satisfazer o “lobie da construção”. Ou melhor dizendo “betonadas” que o povo pouca usa.

Por acaso, discordo. Acho que uma piscina faz falta, como faz falta uma biblioteca ou um teatro. Mas claro isto só eu a dizer. O lobie da construção. Porque se formos a ver bem, o povo está-se nas tintas para a piscina, para a biblioteca ou para o teatro. Se formos a ver bem era melhor não pagar impostos municipais e com dinheiro da sobra fazer uma piscina em casa, ou uma boa biblioteca ou uma pequena sala de cinema com som envolvente. Assim acabavam as grandes “betonadas” públicas. E dávamos melhor proveito ao dinheiro dos impostos. Mas claro isto só eu a dizer mais uma vez. O tipo que anda a defender as obras do regime. Porque se fosse pela filosofia reinante, nem piscina, nem teatro, nem biblioteca. E vivíamos todos mais felizes. Sem taxas, nem impostos, nem obras de regime.