Gostos…

Gosto obviamente mais de televisão do que rádio. A televisão tem aquela coisa da imagem. A rádio não. Mas a rádio tem programas que seriam impensáveis em televisão. O caso da Prova Oral é típico. Não é propriamente um programa para televisão. É uma coisa típica de rádio. Mas o programa é o Fernando Alvim na sua perfomance diária. Sem ele não era o que é. E acredito que não seja fácil manter um programa daqueles todos os dias. Quando posso costumo ouvir. Não sou um adepto fanático, mas gosto de ouvir. E amanhã vou ouvir com atenção.

Prova Oral

Não era um programa em que estava à espera de participar. Mas lá estarei na próxima quinta-feira (1 de Novembro) para falar do que faço todos os dias. O programa já está gravado, mas foi das coisas mais divertidas em que participei até hoje.

Amanhã

A Fundação Benjamim Dias Costa de Avanca promove amanhã, um colóquio subordinado ao tema “Educação e Novas Tecnologias” com Carlos Zorrinho, Orlando Belo e António Costa Valente.

Os trabalhos começam às 9h30 da manhã, nas instalações da Fundação, em Avanca. O programa pode ser visto aqui.

Leituras

Quantos de nós lêem jornais? E quando falo em jornais não falo em jornais desportivos. Falo no Público ou no DN. Ou quantos lêem o Monde Diplomatique ou um Courrier? Pouca gente lê neste país e não me espanta, pois sempre foi assim. É claro que os jornais vão aguentando. Mal ou bem vão andando. Mas acredito que não seja fácil.

E os livros? Essas coisas caras que se vendem nas livrarias a 10, 15, 20 euros. O preço de um t-shirt de marca! É espantoso, não é? Gasta-se mais depressa dinheiro numa t-shirt do que num livro. E porque não ? Afinal uma camisola dá para vestir e um livro não.

O meu problema com a caça

Nunca tive grande jeito para caçar. Como um gato que tenho cá em casa, caço mais dentro do prato. Mas a verdade é que nunca apanhei nada. Nem os passarinhos naquelas ratoeiras de arame. Nada, nem um pardal ladrão. Se calhar, por isso, não tenho grande admiração pela caça. Não sou contra as armas, mas acho que matar patos ou coelhos é demasiado fácil. É só disparar. No meio de tanto chumbo algum há-de acertar. É uma maroteira. Não devia ser permitido um cartucho ter tanto chumbo. Devia ser coisa de projéctil único. Como na caça grossa ou na guerra. E aí é que eu queria ver quem é que acertava?

É claro que não tenho grande gosto em comer um coelho cravado de chumbo. Ou um pato. Prefiro carne limpa e bem passada. Mas isto há gostos para tudo. Agora o que eu não percebo é tiros em cegonhas, em gaivotas, em milhafres, em pássaros que não devem ser grande coisa à mesa do jantar. Imaginem que vai uma pessoa a um restaurante e que nos dizem assim: para prato do dia temos aqui uma cegonha bem passada com um arrozinho à maneira. Não é de facto muito tentador.

Depois também sou contra essa coisa do regime livre na caça. Quem quer caçar devia pagar e bem. Eu se quero dar uns tiros tenho que pagar e bem. Tenho uma pistola aí em casa, na verdade tenho mesmo um arsenal. Coisas compradas na candonga. E se quero dar uso ao armamento tenho que ir para uma carreira de tiro. Não vou para o campo disparar. Era mais engraçado, pois atirar contra alvos em movimento tem mais graça do que atirar contra pratos. Mas não posso. Para mim não há regime livre.

Eu até acho que a caça podia ser uma alternativa interessante para o desenvolvimento rural em Portugal e que pode ser uma fonte de receita considerável a esse nível. Em Espanha, por exemplo, existem 37 mil coutadas de caça e um milhão e meio de caçadores, que geram receitas na casa dos seis mil milhões de euros. São números que dão que pensar.

Portanto, sou mais pelas coutadas de caça. Agora coutadas em áreas protegidas é que não. Ou em áreas onde anda a malta a passear a ver os passarinhos a tentar não fazer barulho e de repente é tiros por todo o lado. Isso é que não. Se querem dar tiros acho que devem inscrever-se numa coutada de caça turística e darem uma ajudinha para o desenvolvimento rural em Portugal. No Baixo Vouga não ajudam ninguém. Em primeiro, não ajudam as aves que querem descanso e não gostam de ser incomodadas. Em segundo, não ajudam os agricultores, que não ganham nada com a caça. E em terceiro, não ajudam os investidores turísticos que também não ganham nada com o regime livre.

Por isso sou contra a caça no Baixo Vouga. Porque o Baixo Vouga é para a malta passear e apreciar a natureza. É para os passarinhos viverem em paz e harmonia, não é para caçar.

(in Jornal de Estarreja)