Ao Poeta

Acho que sim. Acho que está bem. É uma boa representação.

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Falar por falar

Acho interessante que o Vladimiro Jorge pense que o Ministério da Educação ia aprovar uma carta educativa copiada da carta de Oliveira de Azeméis? Todas as cartas educativas foram analisadas com atenção pelo ministério e é obviamente uma crítica desajustada continuar a dizer que a carta foi copiada por outra, quando a pessoa que o diz nem sequer leu uma nem outra? Um costume habitual no Vladimiro Jorge. Não admitir que estava a falar do que conhecia mal. Depois dizer que a carta foi copiada de outra é também a velha ligeireza do costume.

Que eu saiba tem apenas uma frase igual à de Oliveira de Azeméis. Ora dizer a partir de uma frase que a carta foi copiada de outra é realmente fantástico. Ou que a nossa foi aprovada porque a fonte da cópia também foi aprovada é não perceber como é que um documento destes é aprovado. E é sobretudo passar um atestado de incompetência a quem fez a carta, como o deputado Alexandre Mota já tinha feito em assembleia. E é pena, porque eu até conheço o autor da mesma e acompanhei o trabalho da carta e custa-me ver este tipo de comentários.

Mas espanta-me também que não tenha percebido que não foi uma notícia discreta no Correio da Manhã, que despoletou a nossa reacção sobre a GNR. Praticamente todos os jornais nacionais publicaram notícias sobre a reestruturação da GNR no começo do mês. E praticamente todos os concelhos (onde existia previsão da GNR fechar) reagiram contra tal hipótese. Basta percorrer a imprensa regional para ver isso. Basta ver o caso de Cacia. O PSD não fez mais do que mostrar a sua preocupação em relação a tal hipótese. Nada que outros não tenham feito, exceptuando o PS local.

É óbvio que se o governo fosse PSD, o PS não tinha ficado calado. Tinha falado logo, tinha agitado as águas. Mas calou-se, deixou correr a ver o que dava. Como o PSD reagiu, lá teve que dizer alguma coisa. E o Vladimiro fez a mesma coisa. Agora que o PS falou também teve que dizer alguma coisa. Mas dizer o quê? Que o PSD fez bem em falar, em fazer o que toda a gente fez? Claro que não.

A carta educativa

Foi homologada pelo Ministério da Educação. No começo deste ano, um comentador local disse que a carta educativa era uma “trapalhada feita à pressa e copiada da primeira que apareceu à mão”. Afinal a tal carta que era uma trapalhada foi aprovada pelo ministério. Presumo que o comentador seja coerente e diga agora que o ministério aprovou uma trapalhada feita à pressa e copiada de outra. Ou seja, que o ministério anda a aprovar trapalhadas.

Um deputado da assembleia (Alexandre Mota) disse que não era uma carta educativa com futuro e que era desligada da realidade local. Ou seja, o ministério aprovou uma carta sem futuro e desligada da realidade local. Esperamos que seja coerente na próxima assembleia e que diga que o ministério cometeu um erro.

Um outro deputado (Esmeraldo Drummond) escreveu num jornal local que a carta era tão má, que nem sequer ia ser aprovada pelo ministério. Esperemos também que seja coerente e que na próxima assembleia admita que estava errado.

A segurança de novo

Começamos pelo princípio. No começo deste mês, o Correio da Manhã trazia uma notícia desenvolvida sobre a reestruturação do dispositivo das forças de segurança com a possibilidade de vários postos da GNR fecharem. Avanca constava dessa lista. Portanto, quando alguém diz que andam a “inventar factos políticos” presumo que a acusação também se estenda ao Correio da Manhã e a outros jornais que deram a notícia no começo do mês.

Como não podia deixar de ser a notícia teve eco local. O Presidente da Câmara manifestou-se contra e eu próprio falei do caso aqui. Já na altura o silêncio do PS local era notório. Nem uma única palavra, para quem faz com frequência comunicados. Há uma semana atrás, o PSD emitiu um comunicado sobre o assunto manifestando-se contra ao fecho da GNR em Avanca. Por arrasto, o PS lá se pronunciou dizendo que o governo nunca pretendeu fechar o posto da Avanca.

A afirmação é estranha, pois o governo até agora ainda não disse que postos da GNR é que pretendia fechar ao certo? Ora, parece que o PS está bem informado. Mas quando diz que as declarações do Presidente da Câmara nos jornais (que fez o que toda a gente fez noutros concelhos na mesma situação) podem levar “caminho a outras possibilidades” (presume-se o fecho?) está apenas a dizer que não sabe ao certo o que vai acontecer. Ora se não sabe ao certo o que vai acontecer porque razão diz que o governo nunca pretendeu fechar? E imaginem que o governo até fecha o posto da Avanca. Bem, nesse caso, o PS dirá simplesmente que a culpa foi do Presidente da Câmara, que falou demais nos jornais. E imaginem agora que o Presidente da Câmara e o PSD não tinham dito uma palavra sobre o assunto e que o governo fecha mesmo o posto da Avanca. De quem era a culpa? Obviamente do Presidente da Câmara. E é esta falta de coerência que me cansa no PS local ou nos comentários do Vladimiro Jorge, que cai nisto de pára-quedas como sempre. Calculo que na visão dele, o PSD perante as notícias não devia ter falado. Devia estar calado como o PS.

Eu até acho que o governo não vai fechar o posto de Avanca, nem de Cacia. E não vai por várias razões. Uma é porque os autarcas locais se manifestaram contra isso. A outra é que fechar postos da GNR cria sentimentos de insegurança e também faz perder votos. É claro que isto é apenas um pressentimento. Não falei com o ministro, nem sei o que ele pensa sobre o assunto? Na verdade, não faço a mínima ideia do que vai acontecer, pois não sou eu que decido. O que me preocupa seriamente em tudo isto é falta de efectivos em Estarreja e Avanca. Isso é que me preocupa e não vi ainda no PS local uma palavra sobre isso. Podia ter falado disso no comunicado. Mas nada. Nem uma palavra sobre a falta de efectivos, nem sobre a falta de policiamento de proximidade.

Uma lei pouca justa?

Em termos gerais, o projecto que existe de uma nova lei autárquica defende que o presidente da câmara seja o primeiro nome da lista mais votada para a Assembleia Municipal. Depois escolhe os vereadores entre os membros eleitos da assembleia e forma o executivo sempre com maioria.

Não é obviamente uma lei muito justa. Se pensarmos no caso de Lisboa, António Costa com apenas 29% dos votos, em vez dos 6 vereadores actuais passaria a ter pelo menos a maioria de 9 vereadores.

Não é obviamente uma proporção muito justa, mas torna as câmaras mais governáveis.

É claro que reduz o papel da oposição. Também vamos ver que poderes terão as novas assembleias? Fala-se que terão poderes reforçados para fiscalizar as câmaras. Muito bem. Mas convém lembrar que os deputados municipais não são profissionais da política, têm o seu trabalho, e podem não ter muito tempo para estudar documentos ou para reunir com frequência. Fazer comparações com a Assembleia da República é obviamente um exagero quando estamos a falar de deputados a tempo inteiro. Mas parece-me também claro que para reforçar os poderes das assembleias municipais os deputados terão que ter outro tipo de subvenção.

Portanto, estou na expectativa a ver o que vem aí?

Segurança

É estranho que o PS local ainda não tenha dito uma única palavra sobre o possível fecho do posto da GNR em Avanca! Ou sobre a falta de efectivos da GNR em Estarreja! Concorda, não concorda? O que tem a dizer sobre o assunto. Percebo que ande preocupado com o pinheiro de Natal, mas não é a segurança no concelho mais importante do que uma árvore de Natal?