O único caminho possível

Há uma ideia generalizada de que os partidos estão povoados de gente medíocre, que querem singrar na política para obter aquilo que não conseguem na vida profissional. Não é uma ideia estúpida, mas também não corresponde exactamente à realidade. É verdade que há gente medíocre nos partidos como há em todo o lado. É verdade que há gente que procura benesses ou lugares, que não consegue obter de outra forma. Mas também há gente séria que milita para mudar o estado das coisas, para tornar o país um pouco melhor. E é gente dessa que aprecio e que tento ter à minha volta. Quando trabalhamos, quando cumprimos as nossas funções, sem estar preocupados com lugares ou benesses fazemos alguma coisa por nós e pelos outros. Não é fácil, pois exige sabermos ao que vamos e ao que andamos. Mas é o único caminho possível se queremos chegar a algum lado. É claro que a realidade nem sempre confirma esta teoria. Mas não devemos desistir por causa disso, pois quando desistimos deixamos espaço aberto para os medíocres. E é com esta ideia que termino o ano. O que até não é má ideia para terminar o ano.

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Gestos

A CDU votou favoravelmente o último orçamento da Câmara. Foi a primeira vez que o fez, mas naquele simples gesto mostrou uma coisa, que mesmo sendo um partido da oposição teve a coragem de ver para além do partidarismo e de votar favoravelmente um documento que acha no essencial correcto. Sem complexos de oposição, sem partidarismos locais. E isto não inibe obviamente a CDU de discordar de outras políticas e de marcar a sua posição. Mas há coragem neste gesto e uma forma diferente de fazer política.

Grão a grão

Não sei se o Sílvio Marques fez as contas, mas das 3 freguesias mais pequenas do concelho, foi a Fermelã que calhou a maior fatia do orçamento (513 mil euros). Uma pequena fatia num bolo de capital que anda à volta dos 17 milhões de euros. Vamos ver qual vai ser a taxa de execução? Mas sem dizer uma palavra ou esboçar gesto, Sílvio Marques não tem grandes razões para ficar descontente. Há um ditado que se aplica a este homem: grão a grão enche a galinha o papo.

Sinais

Por vezes, na regularidade das noites, na normalidade das reuniões há pequenas surpresas. Fiquei admirado com a intervenção do Presidente da Junta de Canelas na última assembleia sobre a fatia do orçamento para Canelas. É um facto que não é uma verba muito elevada (277 mil euros). É semelhante à de Veiros (242 mil euros). Mas para ser maior eram necessários mais projectos. E aí temos um problema é que fiquei sem saber que obras queria a Junta de Canelas? Também fiquei sem perceber que tendo o Presidente da Junta o orçamento em mãos há mais de uma semana, não se tenha manifestado junto da Câmara antes da assembleia?

Parece-me que o grande problema que Canelas tem como diz o Abel aqui é o problema das áreas de construção. A revisão do PDM teve que aguardar a decisão da A29 e penso que agora a sua concretização tem espaço para avançar. Mas o que falta em Canelas, como noutras freguesias, são planos estratégicos a longo prazo. E isso não existe em Canelas, nem em lado nenhum. E é isso que é preciso. E nesse capítulo estou aberto a sugestões. Gostava de ouvir gente a falar sobre isto.

Cansaço

Algum cansaço, desalento, desmotivação. Foi o que vi mais no grupo do PS na assembleia. Não tem a combatividade que devia ter. Afinal era a discussão do orçamento, o documento mais importante do ano. Limitou-se a uma intervenção, onde disse que o orçamento era um desastre, pois a despesa corrente subia. Esqueceu-se de dizer que a despesa corrente está a subir pelo menos há 17 anos (tenho dados desde 1990) e que no tempo do PS sempre subiu. Mas aí nunca vi ninguém do PS votar contra ao orçamento por causa da subida da despesa corrente.

Depois, o grupo nem sequer aproveitou o grande trunfo da noite que foi a intervenção do Presidente da Junta de Canelas. No fundo, o nosso homem disse que entre ele e os serviços técnicos há uma grande dessintonia de prioridades. Foi uma intervenção crítica que culminou na abstenção dele. Nas mãos de uma oposição combativa tinham ali boa matéria para atacar a Câmara. Mas nada nem uma palavra. O desalento falou mais alto. Um sinal dos tempos.

Assembleia

Agora que o Natal já lá vai voltamos à política. Voltamos à assembleia que se junta logo à noite para discutir o orçamento para o próximo ano. Para ajustar contas dos últimos meses. Será longa como sempre. No fim uns votarão a favor e outros contra. Uns dirão bem e outros mal. Uns pintarão um quadro negro e outros nem por isso. Onde fica a verdade no meio disto? Talvez a dos números seja a mais correcta. Mas será que alguém vai discutir os números? E quem entre nós estudou o orçamento a fundo? Quem olhou para o histórico das despesas correntes ou de capital? Ou para a receita? Ou para o investimento? Quem fez o trabalho de casa? Logo veremos pelo nível de retórica. E quem se importa com isto? Ninguém liga nada. Nem quem votou em nós. Falamos para dentro. E não há soluções mágicas para isto. Cumprimos o nosso papel. E é isso que vamos fazer logo à noite.

É Natal

A atracção que ainda temos por esta canção é triste. Mas é um facto que ainda passa na rádio. Na altura, os Wham estavam no pico na popularidade, mas 20 anos depois já não existem. Mas a canção resiste ao tempo. Estranhamente. Enfim, faz parte do espírito, embora estejamos longe da neve do vídeo. Na verdade, hoje está de novo um dia de luz morna. De luz boa. Mas cá fica o meu desejo de Bom Natal para todos.