Para pensar

Andamos meses a discutir o ministro da saúde. A discutir a falta de comunicação na política do homem a discutir o fecho ali e acolá. E faltou talvez a discussão mais profunda. Apesar dos erros e das trapalhadas será que a política gizada não era a mais correcta? Será que a reestruturação das urgências não visava melhorar o sistema de saúde? Ou será que tudo não passou de um equivoco ou de um erro completo?

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75%

Uma sondagem recente feita pelo IPAM de Aveiro deu 75% das intenções de voto para José Eduardo Matos. Vale o que vale, mas talvez seja um sinal de que o PS está longe de ser uma alternativa local e que Marisa Macedo nunca vai ser Presidente da Câmara!

Anadia

Joga-se muita coisa em Anadia neste momento, nomeadamente a linha de rumo da política de saúde do governo. O Presidente da Câmara de Anadia (Litério Marques) sabe que está a jogar um jogo perigoso com o governo. Não só quer manter a urgência permanente no hospital de Anadia como também quer fazer um hospital novo em terrenos que a autarquia quer comprar e fazer aí uma urgência médico-cirúrgica. É uma grande jogada, que pode não dar em nada como também pode dar em alguma coisa.

Se tiver azar não vai ter nada. Vai ficar como está e com o passar do tempo vai-se perceber que a contestação foi apenas uma bravata sem resultado algum. Mas se tiver sorte pode conseguir alguma coisa. É claro que o fecho da urgência de madrugada será sempre uma derrota para ele e sabendo isso não pode ceder nesse capítulo.

A nova ministra também deve ter essa noção. Tem várias hipóteses em cima da mesa. Pode suspender tudo e deixar que os hospitais fiquem como estão, ou seja, com uma consulta não programada durante a madrugada. E aí os protocolos deixarão de fazer sentido. Pode apenas ceder no caso de Anadia ou Vouzela e ter depois que enfrentar os outros municípios que já assinaram os protocolos. Ou então pode manter a posição e esperar que Anadia assine um protocolo semelhante aos outros, o que não será fácil. Ou então deixar Anadia como está, sem protocolo e sem atendimento de madrugada.

Portanto, muito se joga em Anadia e os próximos tempos vão ser interessantes. Será, no fundo, a política do governo que estará em jogo. Se ceder é um sinal de fraqueza perante a contestação popular por muita razão que esta tenha.  

Ainda a saúde

Já escrevi aqui em tempos, que o problema dos comentadores que acham que o protocolo sobre as urgências em Salreu é mau, é a sugestão de que a Câmara não devia de assinar protocolo nenhum e que o hospital devia ficar entregue à sua própria sorte como no caso de Anadia.

Outro problema nestes comentadores é a recusa sistemática em fazer um balanço entre o que ganhamos e o que perdemos com o protocolo.

escrevi que, em termos gerais, ganhamos dois médicos das 20h00-24h00 com análises, coisa que não tínhamos, ganhamos mais algumas especialidades em termos de consulta, ganhamos uma ambulância INEM, ganhamos a intervenção da VMER de Aveiro, ganhamos um heliponto para operações com helicópteros, ganhamos telemedicina, ganhamos a requalificação das extensões de Veiros, Canelas e Fermelã.

Mantemos a possibilidade de assistência aos acidentes químicos como já acontecia a qualquer hora do dia ou da noite e perdemos a consulta não programada durante a madrugada.

Ora, no período da madrugada, os atendimentos no hospital em termos percentuais andam nos 6,3%, o que não é significativo, embora por mim até preferisse a continuação deste atendimento durante a madrugada. Já escrevi sobre isso, mas nunca vi qualquer abertura do ministério nesse sentido. Portanto, perante a posição do governo acho preferível ter um pássaro na mão do que dois a voar.

É claro que se o governo ceder em Anadia, Estarreja e outros municípios ganham legitimidade para contestar o protocolo. Por isso, é que acho que a nova ministra comete um erro se ceder. Mas em política tudo é possível. O que hoje é a política da saúde do governo amanhã pode não ser coisa nenhuma.

Políticas habilidosas

Esta notícia sobre o protocolo das urgências em São João da Madeira é um bom exemplo de uma política habilidosa para a divulgação de certos factos.

Quem fez a notícia não leu concerteza o protocolo. Alimenta apenas a habilidade do Presidente da Câmara que fez passar a mensagem que as urgências de São João vão continuar indefinidamente, o que não é verdade, como se pode ver no protocolo.

Um comentador local leu a notícia e aplaudiu obviamente. Compreendo que tenha sido induzido em erro pelo jornal, mas era escusado se tivesse lido o protocolo, antes de comentar.

Ainda o gaulês

Um dos problemas nas discussões com este gaulês, são as frases incendiárias e a alguma falta de reflexão na palavra escrita. Voltarei ao assunto em breve.

Parece-me pouco provável que algum ministro da saúde sensato neste país, cometa o erro de criar uma urgência básica em Anadia aberta 24h. E parece-me pouco sensato porque se algum ministro o fizer está a dar razão a Anadia e a criar um problema com os outros municípios que assinaram protocolos de boa fé no pressuposto de que uma urgência básica estava fora de questão.

Anadia não é mais do que Estarreja, Ovar ou São João da Madeira. Portanto, não tem que ter que mais desse ponto de vista. Se isso acontecer, os restantes municípios vão ter razões para pedir o mesmo.

O que aconteceu em Aveiro está a ser averiguado. São dois casos, um de falha aparente no sistema de triagem (o que pode acontecer em qualquer urgência) e outro de abandono no corredor, que deve ser averiguado a fundo. Tanto um caso como outro devem ser apurados, mas nem seriam precisos estes dois casos para saber que Aveiro tem problemas em termos de urgência.

Portanto, há uma luta que deve ser feita para que a urgência de Aveiro tenha melhorias. E aí acho que todos os autarcas devem reclamar por isso. É o que Estarreja tem feito junto da administração regional de saúde e vai continuar a fazer.

Agora dar a entender que o PSD de Estarreja menospreza a vida humana é um exagero e uma daquelas frases incendiárias que não leva a lado nenhum.

O gaulês

Automatix é o ferreiro da aldeia gaulesa de Astérix. Conhecido pelas suas discussões com Ordenalfabetix é um homem de temperamento explosivo e de lutas frequentes. Um homem de bravatas. Há grandes semelhanças entre Automatix e o Abel Cunha. Uma delas é a tendência para incendiar as discussões.

O Abel comenta aqui que os gauleses de São João da Madeira souberam resistir ao Ministério da Saúde assinando um protocolo, que parece que salva as urgências de São João e que para isso é preciso saber trabalhar e resistir.

Ora, o que estes gauleses conseguiram foi um protocolo que adia por um ano, o fecho das urgências durante a madrugada. Daqui a um ano, o protocolo vai ser avaliado e se estiverem cumpridas as 3 condições previstas no protocolo (o que é provável), a urgência fecha de noite e os doentes passam para o hospital da Feira.

É claro que Castro de Almeida joga aqui no tempo. Mas daqui a um ano, se o que está previsto for cumprido, a urgência fecha simplesmente. Ora, parece que o Abel Cunha vê aqui uma grande vitória dos gauleses de São João de Madeira, quando o que temos é um protocolo, onde o resultado final é também o fecho das urgências de madrugada.

Como no caso de Estarreja, acho que Castro de Almeida fez bem em assinar. É um bom protocolo, embora também com a previsão do fecho de madrugada. Mas melhora o hospital, como acontece no nosso caso. Vamos ver agora o que vai acontecer com a mudança do ministro?

protocolo-sao-joao-da-madeira.pdf