Carta Educativa

Não tenho grandes dúvidas que a carta educativa já não vai ser o que estava planeado. E não vai ser porque o governo alimentou a ilusão de que as autarquias podiam reestruturar os parques escolares em larga escala, quando na verdade não havia dinheiro para isso. Portanto, um dia destes vamos que ter que rever a nossa e já nada será como estava previsto.

Perante o quadro financeiro e a mudança de critérios (o não financiamento do 2º e 3º ciclo), a única reestruturação que fará sentido será apenas a nível do 1º ciclo. Como será feito isso? Uma opção que me parece racional seria a construção de uma escola única no Rochico capaz de abranger Canelas e Fermelã, opção que já defendi em tempos. Isto no que diz respeito ao sul do concelho.

Já agora reparei nesta observação do Camilo a propósito de Oliveira do Bairro. É obviamente difícil fazer uma discussão séria sobre isto com base numa simples notícia de jornal, que não explica as opções tomadas. Mas deslizando por aí, por acaso, conheço Palhaça, Bustos, Oiã, Troviscal e são freguesias de dimensão superior a Canelas e Fermelã, que justificam a opção por uma escola localizada (como Salreu, Avanca ou Beduído). Mamarossa é um caso diferente (pois é mais pequena) e desconheço a razão da opção tomada? Como é óbvio as escolas a construir terão que ter espaço para a prática de educação física senão não terão as valências necessárias. Mas já agora que foi feita a comparação é uma discussão que será desenvolvida a breve trecho.  

A crise

Não tenho dúvidas que a crise dos combustíveis se vai acentuar e que terá consequências em toda a sociedade. É uma bomba de que ninguém estava à espera, mas que vista à distância começou com a guerra no Iraque em 2003. Perante esta escalada estamos sujeitos a ter um dia destes o petróleo a 200 dólares o barril, o que será desastroso para a economia e provocará um desgaste enorme no governo. Portanto, 2009, não será um ano fácil para quem está no poder e suspeito que isto poderá acabar mal para Sócrates. É claro que o governo pouca capacidade de intervenção terá sobre o problema e, portanto, estará sempre numa situação muito difícil. Por causa do controle do défice não pode descer impostos e agora muito menos. E é isto que vamos ter, por muito que nos custe.

Os comboios

Ao contrário do que possa parecer estou sempre disponível para falar de comboios. Portanto, ainda bem que tive esta pequena discussão com a JS local, por motivos que passo a explicar.

De facto, no tempo em que andava de comboio, os ICs não paravam em Estarreja. Foi com base nessa experiência pessoal que me pronunciei.

Já vi que em 2006, a situação era diferente, sendo assim a JS tem razão no reparo que faz sobre isso. Ou seja, eu estava errado nesse ponto.

Porque razão paravam 8 ICs em Estarreja em 2006 e agora só param 3 é algo que devia ser perguntado à CP.

Mas se em 2006 paravam 8 comboios e agora param 3 comboios, significa que a perda destes comboios é recente e de facto confirma-se que a JS nunca tomou posição sobre isso, a não ser agora. Parece que também andava desatenta.

De facto, depois desta discussão lembrei-me que a CDU se tinha queixado disso. Portanto, foi algo que me surgiu após a discussão, daí a citação.

Sobre a paragem dos Alfas, foi Marisa Macedo que disse num artigo de opinião que o Presidente da Câmara “não conseguiu impedir que os Intercidades deixassem de parar em Estarreja, para não falar dos Alfas”. Basta ler o artigo que está no site do Jornal de Estarreja.

Vejo que a JS também considera (como eu) que a paragem do Alfa em Estarreja não faz qualquer sentido. Ainda bem, pois parece que Marisa Macedo não pensa isso e que gostava de ver os Alfas a parar em Estarreja. Registo a diferença de opinião.

Sobre a paragem dos comboios não tenho problema nenhum em estar solidário com a JS. Ainda bem que se aperceberam do problema agora. Penso que esta discussão teve vantagens em relação a isso. Ficamos todos mais esclarecidos e mais atentos. Eu próprio fiquei alertado para a situação. Por isso, acho que a discussão teve o seu mérito. Agora não me parece que seja obviamente um problema relevante em Estarreja, o que não invalida obviamente a discussão.

Os jovens revoltados

Embora estas polémicas tenham pouco interesse gostava de esclarecer algumas coisas relativamente à revolta da JS local por causa de uma opinião minha sobre a paragem de comboios ICs em Estarreja.

Falam que Estarreja perdeu paragens de comboios Intercidades na nossa estação? Muito bem, param actualmente 3 comboios Intercidades na estação de Estarreja. Não tenho obviamente dados para dizer que no passado paravam mais. A JS também parece que não.

No entanto, devo dizer que durante os anos 90, quando era um utilizador habitual de comboios, não tenho conhecimento da paragem de comboios Intercidades em Estarreja. Depois passaram a parar. Muito bem, se eram 6 por dia como diz a JS tenho sérias dúvidas, isto porque actualmente passam por Estarreja 13 comboios Intercidades nos dois sentidos. Não me parece que no passado passassem mais do que actualmente (os tais 13). Desta forma, não estou a ver 6 comboios a parar por dia em Estarreja? Mas quem sabe? Posso estar enganado?

Depois saliento que os comboios que actualmente param em Estarreja, não param por exemplo em Ovar, uma cidade da nossa dimensão e que não tem o mesmo serviço.

O único lapso no meu artigo foi-me esquecer-me de referir os dois ICs provenientes de Aveiro que param em Estarreja às 10h07 e às 22h07. Referi apenas o das 7h23 da manhã que vem do Porto. Portanto, param 3 comboios ICs em Estarreja. Mas se passam 13 comboios ICs, parece-me de facto que essa paragem é a título excepcional.

Dizem que a Câmara não protestou. Também não me lembro do PS tomar posição sobre o assunto? Nem a JS que fala agora? Emitiram algum comunicado?

Aliás, o único partido que tomou posição sobre isso foi a CDU. De resto não me lembro do mais ninguém?

Agora o meu artigo foca outro aspecto que a JS local esqueceu-se de referir. É a que líder do PS disse em artigo de opinião que o Presidente da Câmara não conseguiu “impedir que os intercidades deixassem de parar em estarreja, para não falar dos alfas”. Ora, nunca os Alfas pararam em Estarreja, nem tinha qualquer sentido a sua paragem em Estarreja. E também a JS não apresentou nenhum dado concreto que no passado parassem mais comboios Intercidades do que agora?  Portanto, fico à espera desses dados. Estou sempre disponível para emendar algum lapso. Agora não confundo Alfas com Intercidades.

Estarreja e a Alta Velocidade

Um dos défices no debate sobre a alta velocidade ferroviária (AV) em Portugal (e que joga a favor do governo) é a dificuldade que existe em compreender matérias técnicas como é a discussão sobre a alta velocidade. Podemos dizer que somos contra a AV ou a favor, mas a verdade é que é preciso algum conhecimento da matéria para podermos ter uma opinião sustentada. Como o governo neste capítulo não tem feito outra coisa senão propaganda é difícil ao comum dos mortais formar uma opinião minimamente consistente sobre o assunto. Não vou para já discutir o interesse da linha AV entre Porto-Lisboa, pois isso é uma discussão que não cabe neste artigo. É óbvio que os estudos encomendados pela RAVE dizem que a linha Porto-Lisboa é importante, que provocará novos padrões de fixação populacional, de fixação de empresas, que permitirá facilmente que uma pessoa que vive em Aveiro possa trabalhar em Lisboa e ir e vir todos os dias (o bilhete ida/volta deve andar nos 60-70 euros). É claro que o optimismo dos estudos depende obviamente dos autores e convém lembrar a este nível que tudo vai depender do preço dos bilhetes que estarão dependentes dos custos de operação da AV. Mas isso são contas de outro rosário.

O que importa para Estarreja é o problema dos corredores propostos que afectam o concelho a vários níveis. Vamos ter uma discussão pública sobre os corredores e nessa altura, quem tem responsabilidades políticas, tem que aproveitar o período de discussão pública para perspectivar alterações aos eixos e traçados de forma a reduzir os impactos no concelho ou então propor uma mudança de traçado. É uma discussão a ter na altura certa, quando tivermos também o estudo de impacte ambiental.

Mas por questões de política doméstica, o PS de Estarreja decidiu antecipar a discussão. Fê-lo apenas para atacar a Câmara e para marcar agenda mediática. Começou por dizer que queria uma comissão para estudar o assunto, quando há pouco para estudar. Quando o que tem que ser dito com clareza é que o traçado a nascente da A1 é o único defensável para nós. E também me parece óbvio que vamos ter que estudar medidas para diminuir o impacto desse traçado, embora sabendo que uma linha de comboio afecta sempre as populações. Mas para dizer isto não é preciso nenhuma comissão de estudo, não é preciso andar por aí a gritar.

Mas eu percebo o jogo. Tudo não passa de retórica para sair nos jornais, para dizer que o PS está preocupado com a AV em Estarreja, que quer fazer uma discussão séria sobre o assunto. Mas num momento em que a AV nem sequer está em discussão pública, num momento em que nem sequer existe um estudo de impacte ambiental para se saber o impacto dos corredores, como é que o PS quer fazer uma discussão séria sobre o assunto?

Mas pior é que se andou dias a discutir o assunto em assembleia municipal por iniciativa do PS e foi uma discussão de banalidades. Não vi uma discussão profunda sobre o tema. Ora, quem se lembrou desta discussão foi o PS. Seria natural que fizesse uma apresentação sobre a AV, sobre os corredores propostos, sobre as possíveis localizações da estação. Se o tivesse feito teria sustentado a proposta que apresentou. Limitou-se à retórica política, a lugares comuns. Mas o mais espantoso desta precipitação é dizer que “Estarreja ficou com o Cine-Teatro, com a Biblioteca, com a Escola Básica Padre Donaciano, com um novo quartel da GNR, etc;” à custa da incineradora. Dizer uma coisa destas é não fazer a mínima ideia do erro que foi defender a incineradora para Estarreja. É também não fazer a mínima ideia de que o famoso pacote de medidas compensatórias que foi negociado com a incineradora (por acaso pelo PSD) – o PEDRAE – nunca foi aplicado em Estarreja e que as infra-estruturas citadas nem sequer faziam parte do pacote de medidas compensatórias. E dizer que o Presidente da Câmara “não conseguiu impedir que os Intercidades deixassem de parar em Estarreja, para não falar dos Alfas” é não andar de comboio, pois tanto o Alfa como o Intercidades jamais pararam em Estarreja, a não ser por avaria ou na situação excepcional do IC das 7h24 da manhã, que para em Estarreja. Mas será que faz sentido um comboio rápido parar em Estarreja e logo a seguir em Aveiro? Então agora Estarreja passava a ser estação de paragem de Alfas e ICs?

Podemos também perguntar “o que é que Estarreja beneficiou com o facto do Presidente da Câmara ser contra o traçado do IC1?” Mas então Vladimiro Silva já não era contra o IC1 a nascente? Não foi um defensor do traçado a poente, como José Eduardo Matos? Defendeu a solução que achava mais correcta, como José Eduardo Matos. Podiam até estar os dois errados, mas tinham opinião. E embora não andassem de comboio, não andavam por aí dizer que os Alfas e os Intercidades deviam parar em Estarreja.

(In Jornal de Estarreja)

Não saber do que está a falar

É óbvio que pedir uma descida no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), como pediu Passos Coelho ontem é uma irresponsabilidade. Os combustíveis não vão baixar nos próximos tempos (devido aos preços do petróleo) e descer o ISP não vai resolver nada. Ou seja, é uma medida insustentável a prazo. Passos Coelho devia saber isso. Ao dizer o que disse mostra apenas impreparação.