O fim do petróleo

José Rodrigues dos Santos vai discursar amanhã na Assembleia da República sobre a crise do petróleo. O jornalista da RTP irá ser orador num painel da 2ª Conferência Internacional sobre Alterações Climáticas e Segurança Energética, que vai decorrer na Sala do Senado da assembleia. O último romance dele aborda esta questão, mas ninguém diria que o José Rodrigues fosse um especialista no assunto. É claro que se fosse convidado para vir a Estarreja falar do assunto e se tivesse na audiência alguns membros do PS local era capaz de ouvir o mesmo que eu ouvi. Afinal, o José Rodrigues não é um especialista em questões energéticas. É apenas um jornalista que escreveu um romance, onde por acaso fala do fim do petróleo. Nada mais do que isso. E, no entanto, foi convidado para ir à Assembleia da República. Quem diria?

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Despropósitos

O Abel tem obviamente razão neste post, mas o problema é essencialmente de sectarismo partidário, embora obviamente também exista um problema político a vários níveis. Um de intolerância partidária, outro de não respeitar a decisão do plenário que já tinha votado pela minha audição, outro a péssima imagem que passaram para a audiência que estava a assistir e ainda a falta de educação que mostraram para alguém que estava ali como convidado da mesa. Mas caro Abel para eles continua tudo bem. Para eles foi um acto nobre coberto de razão. Enfim, um grande exemplo a seguir. Fica bem no currículo deles.

Um episódio lamentável

Quando há tempos fui convidado pelo Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Beduído a estar presente numa reunião sobre a Alta Velocidade (AV) e o impacto da linha em Beduído aceitei o convite na perspectiva de que podia dar um pequeno contributo para esclarecer as pessoas sobre o assunto. Como já tenho dito aqui penso que há falta de informação e de debate sobre o tema e que devemos contrariar isso fomentado o debate e o esclarecimento das pessoas. Foi, por isso, que aceitei ir e que estive presente na reunião como convidado da mesa e que divulguei a reunião publicamente neste blogue.

Além de mim, também esteve na reunião, um técnico de planeamento da Câmara, o Dr. Granja, convidado com o mesmo propósito. Obviamente que nenhum dos dois convidados era ou é especialista em AV. Não temos livros, nem teses publicadas sobre o assunto, nem trabalhamos para a RAVE, mas tanto eu como ele temos algum conhecimento sobre a questão, suficiente para falar publicamente e poder esclarecer minimamente as pessoas. E foi isso que o Presidente da Mesa entendeu quando nos convidou. Admito que os membros do PS tivessem um entendimento diferente da questão, mas, nesse caso, tinham então tomado a iniciativa de convidar dois ou três técnicos da RAVE e assim, nem eu, nem o Dr. Granja, íamos lá fazer nada. Como não fizeram nada disso, seria de esperar que tivessem algum respeito por alguém que foi convidado pela mesa a estar presente na reunião.

Como é normal nestas reuniões, o plenário da assembleia tem que dar a autorização para os convidados falarem. Logo aqui, os elementos do PS (com especial destaque para dois deles) tentaram boicotar a minha participação votando contra à minha audição. Os dois elementos em questão disseram logo que não me reconheciam competência alguma para eu falar do TGV, nem viam interesse algum na minha intervenção (e isto sem saber sequer o que eu ia apresentar). O julgamento partidário começou logo ali. Eu até percebo a atitude e o sectarismo partidário, mas seria de esperar que tivessem alguma consideração por um convidado e que não tentassem boicotar-me, nem humilhar-me, como tentaram fazer, mesmo não concordando com a minha presença ali.

Como não conseguiram impedir a minha audição pela assembleia, quando chegou o momento de eu falar decidiram abandonar a sala dizendo mais uma vez que o que eu tinha para dizer não tinha interesse nenhum para eles e que eu não tinha competência para falar da questão. Disseram também que só voltavam à sala quando eu acabasse de falar, numa atitude lamentável a todos os níveis. É óbvio que qualquer pessoa pode duvidar da minha competência para falar disto ou daquilo. Agora, quando eu não conheço uma pessoa de lado nenhum, a única forma que tenho para avaliar numa reunião pública da sua competência é ouvir o que tem para dizer e só depois avaliar se tem ou não competência para falar do que está a falar ou se sabe do que está a falar. Mas os elementos do PS não fizeram nada disso. Tentaram foi humilhar-me em público com considerações que eram bem escusadas. É claro que se eu fosse da tribo deles já não havia problema nenhum e não tinham dito um átomo do que disseram. Ou seja, se eu fosse um militante do PS convidado para falar na assembleia será que também me boicotavam? Como era de outra tribo já não podia falar. Calculo obviamente que se o Dr. Granja fosse além de técnico da Câmara, um destacado militante do PSD local, teria tido o mesmo tratamento.

No entanto, tirando este episódio lamentável, a reunião correu bem e acho que as pessoas saíram um pouco mais esclarecidas em relação ao problema que enfrentam. Penso que deverá ser na altura da discussão púbica do estudo de Impacte Ambiental que deverão intervir e foi isso que salientei na reunião. Fiz também uma pequena apresentação em PowerPoint, apenas com o essencial sobre a AV, salientando também a solução aberrante que arranjaram para Aveiro. Acho que a reunião foi positiva e que valeu a pena pelo interesse que suscitou.

A ver se temos uma boa discussão…

Parece caricato, mas logo um dos primeiros problemas em qualquer discussão sobre a alta velocidade ferroviária (AV) em Portugal é logo o problema de estarmos usar uma palavra (TGV) que na prática é incorrecta. TGV é uma marca registada dos caminhos-de-ferro franceses. É como um tipo que chega a um bar e quer um sumo e diz: quero um Sumol. Pois é, mas sumo, não é a mesma coisa que Sumol. Portanto, quando alguém me diz agora que quer discutir o TGV fico logo de pé atrás, pois é um sinal de que a pessoa não sabe bem o que está a dizer. São coisas que vamos aprendendo com o tempo.

Lembrei-me disto a porque o termo TGV entrou na linguagem popular. Agora todos falamos disto, mas sem sabermos muito bem do que estamos a falar. Temos umas ideias como noutras coisas da vida.

É claro que é bom discutirmos o TGV (vou usar o termo, embora incorrecto). Estamos a falar de um projecto que vai custar 9.500 milhões de euros ou talvez mesmo 10 mil milhões de euros com as derrapagens habituais. É muito dinheiro e é importante discutirmos isto. Mesmo em Estarreja.

Há tempos por iniciativa do PS local fomos todos para a assembleia municipal discutir banalidades sobre o TGV. O PS que suscitou o assunto tinha a responsabilidade (até porque tinha tempo para isso) de fazer uma apresentação de fundo sobre o assunto, de explicar às pessoas as razões do TGV e qual o impacto do mesmo no concelho. Não fez nada disso.

Perdeu-se assim uma óptima oportunidade de esclarecimento das pessoas. Por isso, qualquer iniciativa pública que tente esclarecer as pessoas é sempre bem-vinda. Por isso, acho que temos uma boa oportunidade de discutir este assunto em Beduído. Mas discutir sem politiquices, sem perder tempo com banalidades. Se a noite for boa, o nosso tempo será bem empregue, senão será outra oportunidade de discussão perdida.

Como se previa…

Este post do Camilo chamou-me atenção para um problema muito habitual por cá: o vandalismo. É pena que esta modalidade continue a ter adeptos. Mas já agora sobre as sugestões do Camilo de facto está previsto no âmbito do Bioria 2, o aproveitamento da antiga estação da CP para um centro de interpretação ambiental, que ficará inerente ao percurso de Canelas.