A ler

No rasto do novo hospital no Jornal de Estarreja.

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Memória do tempo

Quanta inocência num comic destes? Um tipo que vem à Terra para dar cabo do planeta. Quatro tipos com poderes especiais que lutam contra o vilão. A história do costume. Como é que se via uma coisa destas? Só na infância, só na inocência de um tempo que já passou. Passava à semana na RTP2, logo pela manhã.

De sandálias e camisola

Ainda não tinha reparado na minha foto no Boletim Municipal durante o dia do município (pág.23). Lá estou eu de azul-marinho e de sandálias, uma roupa adequada a um dia de calor. Não estou mal, até estou bem naquela cor. É claro que estou um pouco diferente dos outros, todos de fato e gravata. Na altura, alguém pensou que eu era do Bloco de Esquerda. Mas não. Sou apenas um tipo adaptado às condições climatéricas. Acho um desperdício de energia um tipo no calor do Verão ir de fato e gravata para uma reunião, para uma sessão solene. No frio do Inverno ainda pode ser, agora no calor do estio? Mas eu também nunca uso fato e gravata. Cansei-me de vestir como toda a gente. Cansei-me de ser igual. E talvez seja esse o significado da foto e da roupa. Estou ali sozinho, por conta própria e risco. Não espero nada da política. Nada de nada.

Polis da Ria

Há tempos o Ministro do Ambiente esteve em Aveiro para debater os projectos que vão integrar o futuro Polis da Ria. Em breve teremos o desenho definitivo do projecto e não tenho dúvidas que Estarreja terá uma fatia razoável de financiamento a este nível para recuperar os esteiros. Vamos ver.

O caso do Fontão

Comentava o Camilo Rego há tempos, que o Parque Empresarial do Fontão (em Vagos) era o exemplo acabado de um pólo de desenvolvimento numa aldeia. Calculo que quisesse aplicar o mesmo conceito a Canelas e apresentava o exemplo do Fontão como prova da falta de visão de quem governa em Estarreja. Já há tempos tinha dito que aquilo a que chamamos “política centralizadora da Câmara”, é no fundo a política normal de qualquer autarquia, que é centralizar os grandes investimentos nas freguesias de maior dimensão ou na sede do concelho. Há quem não acredite nisto e queira encontrar a toda a força exemplos contraditórios. É verdade, que o exemplo dado pelo Camilo parece contrariar à primeira vista esta teoria. Só que o exemplo do Fontão, não é um exemplo muito feliz para provar qualquer teoria de descentralização do investimento em Vagos.

Por acaso, conheço o sítio onde o referido parque está ser implantado (passei por lá há poucos dias) e lembrei-me que quem comenta à distância, se calhar pensa que foi uma medida descentralizadora da Câmara de Vagos fazer um parque empresarial no lugar do Fontão, quem nem sequer é freguesia. É o que faz comentar à distância, porque a realidade é um pouco diferente. O parque do Fontão surgiu ali por duas razões muito simples, que nada tem a ver com qualquer tipo de política descentralizadora do investimento em Vagos.

Em primeiro lugar, porque está perto da ligação A17, que tem ali uma saída. Em segundo, porque o parque foi pensando para ser uma zona industrial inter-municipal (Vagos, Aveiro, Ílhavo), sendo ali a zona de contacto entre os três concelhos. Se não fosse a conjunção destes dois factores jamais o parque nasceria no Fontão. Ora não foi a Câmara de Vagos que planeou a A17, nem que meteu o Fontão no limite dos 3 concelhos. São questões que ultrapassam a Câmara de Vagos. Portanto, o tipo de factores que temos aqui são geográficos e de valorização geográfica em função de uma nova acessibilidade, como a A17. Não foi agora a Câmara de Vagos que teve um arrufo de descentralização de investimento. Se não fosse a geografia, o Fontão continuava a ser um lugar como outro qualquer.

Em suma, o caso do Fontão mostra o que já tinha escrito há tempos num artigo de jornal: “há muitos factores que influenciam o desenvolvimento de uma terra e o factor político, nem sempre é o mais relevante, embora seja importante.”