Gaza

Vive-se mal em Gaza. Muito mal mesmo. Não só pelo cerco israelita constante que asfixia todo o território, como também pela sombra do Hamas. O palestiniano pobre, sem emprego, nem perspectivas de vida não faz outra coisa senão sobreviver. A política não lhe interessa muito. O que quer é comida na mesa e que a sua vida seja melhor no futuro. Não gosta obviamente dos israelitas, que controlam a fronteira norte e que num ápice podem bombardear qualquer coisa em Gaza.

Do outro lado da fronteira, os israelitas do sul também querem paz. Estão fartos de viver constantemente sob a ameaça dos rockets palestinianos. Não gostam obviamente dos palestinianos e não percebem como é que tendo Israel deixado Gaza, o Hamas continua a bombardear o sul de Israel.

Acima desta gente toda, estão os políticos com os seus interesses. Uns querem ganhar as eleições de Fevereiro e dar uma lição no Hamas. Outros querem esticar a corda para que Israel seja visto como um agressor abominável. Querem também unir todos os palestinianos em torno da causa do Hamas e querem simplesmente castigar os israelitas o mais possível. Se pudessem exterminavam Israel. Alguns israelitas se pudessem também exterminavam os palestinianos. E é nesta espiral de ódio que vivem uns e outros.

Portanto, não há uma saída fácil para isto. É claro que a resposta de Israel é desproporcionada para as provocações que sofrem, mas quem começou a provocar foi o Hamas. No meio de tudo isto, muito palestino morre ou perde o que pouco que tem. O ódio contra os israelitas aumentará. Do outro lado da fronteira, os rockets vão continuar a cair e os israelitas do sul também não terão paz. E o ódio vai-se alimentando em cima do ódio sem qualquer solução à vista. Acabamos o ano em guerra, o que não é novidade por aqueles lados.

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Portugal não é um país pequeno

É um mapa que apareceu na Exposição Colonial de 1934, no Porto, pelos vistos da autoria de Henrique Galvão. Tinha como título “Portugal Não é um País Pequeno” e de facto olhando para o mapa dava essa impressão.

Durante anos e anos foi usado nas salas de aula para difundir a ideologia imperial do Estado Novo. Dava orgulho fazer parte de um país tão grande, com um império tão vasto. Não admira que durante muito tempo a hipótese de independência das colónias fosse encarada como um absurdo. Afinal Portugal ia do Minho a Timor. Só quando a guerra começou a desgastar, só quando as forças armadas começaram a duvidar de tal pátria é que tudo colapsou e o império desvaneceu-se num ápice de tempo.

Mas durante muito tempo Portugal não foi um país pequeno, embora o fosse lá no fundo. Um país atrasado com muita coisa por fazer. Mas é de admirar o mapa. O engenho, a arte, o mito imperial. As manhas do costume. Querer ser o que não se era.

Esperemos que em 2009, Portugal não seja um país pequeno ou melhor dizendo que seja um país melhor. Que a nossa terra seja também uma terra melhor. São os meus votos finais. Até para o ano.

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O orçamento

Um relato muito resumido da última assembleia, salientava, no entanto, um episódio curioso. Durante a discussão do orçamento em reunião de Câmara os vereadores do PS disseram que a piscina já estava a sofrer uma derrapagem financeira. Se não me falha a memória, o argumento foi repetido em assembleia. 

Mas voltando à reunião de Câmara disseram que o executivo previa gastar 3 milhões de euros e que o custo já tinha derrapado para os 4 milhões de euros. Ora em Outubro de 2007, passou em reunião de Câmara um documento com custo da piscina de 3.6 milhões de euros (sem IVA). Ora se tivessem feito as contas iam reparar que a derrapagem é apenas o IVA. Bastava terem perguntado.

A Guerra Fria

É estranho olhar para isto agora. Uma coisa que passou à história. Falava-se na escola. Falava-se da guerra fria. Porque a guerra fria existia para nos lembrar que o mundo era bipolar e que de um lado estavam os bons e do outro lado estavam os maus. Lembro-me de ler artigos sobre a invasão da Europa pelas tropas do Pacto de Varsóvia e de como tudo fazia sentido perante a ameaça soviética. E eu que lia revistas soviéticas em casa achava que os soviéticos não eram assim tão maus, mas conhecia a quantidade de armamento e de tropas que tinham na fronteira europeia. Não era brincadeira e em caso de invasão vinham por aí fora e isto virava tudo soviético. Por isso acho graça pegar num livro como “A Guerra Fria” do John Lewis Gaddis e relembrar o que foi esse período histórico. Porque eu vivi naquela Europa dividida. Com russos de um lado e europeus do outro. Com muros e barreiras. E havia por cá uma malta que achava bem. Que estava bem assim.

O orçamento

Era de esperar as críticas do costume. Pois é, só que o Orçamento e o GOP são 300 páginas e nem tudo se resume ao quadro das freguesias. Obras de cimento e macadame vão continuar a existir por mais 100 ou 200 anos. Não tenhamos ilusões quanto a isso. Em 2100, o Orçamento e o GOP vão continuar a trazer obras de cimento e macadame. O que importa verdadeiramente no Orçamento e no GOP são as linhas mestras de desenvolvimento para os próximos anos. E essas linhas estão logo nas primeiras páginas.

1) Eco-Parque Empresarial

2) Centros Escolares

3) Requalificação Ambiental e Paisagística

4) Regeneração urbana

5) Mobilidade

6) Ecoficiência

Podemos obviamente discordar das opções tomadas, mas gostava obviamente de saber que tipo de alternativas existem em relação a estas seis linhas? Foi isso que a oposição não disse até agora, nem nenhum comentador local.

Depois o orçamento tem sempre 4 grandes rubricas: despesas e receitas de capital; despesas e receitas correntes. É nestas 4 rubricas que se baseia tudo e importa olhar para os valores de cada uma.

A despesa de capital (19.5 milhões de euros) é a mais elevada desde 2006. Portanto, um bom sinal. As receitas de capital a mesma coisa. A receita corrente é a mais elevada de sempre seguindo a tendência histórica nesse sentido e a despesa corrente idem. Estas duas estão dentro da evolução normal que tem ocorrido ao longo do tempo, embora as despesas com pessoal tenham uma previsão de aumento de 4.6%, um dos aumentos mais baixos de sempre.

Portanto, o Orçamento é consistente e coerente. Relativamente ao GOP aguardo que outros apresentem as suas linhas mestras, embora tenha grandes dúvidas quanto a isso. Mas vamos ver, a assembleia é na próxima terça-feira. Mas calculo obviamente que muitos comentadores vão preferir o quente da lareira…