O açude

Tenho que reconhecer que nem sempre é fácil explicar porque razão certas obras são como são. Surge isto a propósito de um comentário de um conterrâneo meu sobre açude no rio Antuã. De facto, como ele próprio teve o cuidado de pesquisar, o açude serve como elemento regulador do rio (pois permite controlar até a um certo nível o caudal de água). Além disso, a possibilidade de controlo do caudal que oferece permite na Primavera e no Verão criar um espelho de água na zona para fins de lazer. Portanto, acho que não é difícil perceber isto. Como também se calhar não é difícil perceber que a partir de um certo caudal de água (em época de cheias), o açude não consegue conter toda a água e tem que ser aberto para a água circular à vontade. É isso que está acontecer neste momento. É claro que o açude não foi construído para resolver o problema das cheias no Inverno, mas sim para regular o caudal noutras épocas do ano. Também penso que não é difícil perceber que o problema das cheias em Invernos rigorosos (como este) é incontrolável e que não há nenhum açude que possa controlar o rio. Eu também não percebo muito de hidráulica, mas não é preciso nenhum curso para saber para que  serve um açude.

Os patos

Vi hoje um casal de patos naquela vastidão de água que rodeia o Antuã. Nadavam contentes e felizes da vida indiferentes a tudo. Cumpriam-se na vida de pato ao final da tarde. E fiquei a pensar que a vida está boa é para eles…

Tudo acabará em derrota e amargura

O engraçado neste post do Vladimiro é que ele capaz de fazer a elegia do candidato do PS, mesmo sabendo que vai perder. Diz mesmo que tem “um projecto para Estarreja”, embora sobre isso a biografia do candidato não diga uma única palavra, nem se conheça pensamento algum estratégico a esse nível? Mas eu percebo o Vladimiro. A festa é para animar as hostes, embora lá no fundo o Vladimiro saiba tão bem como eu, que tudo acabará em derrota e amargura. Falaremos de novo na altura.

Agora, não deixará ser interessante o combate e esperemos que seja um combate com opções claras e projectos claros. Muito há para dizer nos próximos meses…

“a queda da laranja provocará o poema?”

“[…]
A noite cerca a mão inteligente do homem que possui uma cabeça transparente.
Em redor dele chove.
Podemos adivinhar uma chuva espessa, negra, plúmbea.
Depois, o homem abre a mão, uma laranja surge, esvoaça.
As cidades (como em todos os livros que li) ardem. Incêndios que destroem o último coração do sonho.
Mas aquele que se veste com a pele porosa da sua própria escrita olha, absorto, a laranja.

A queda da laranja provocará o poema?
A laranja é, ou não é, uma laranja imaginada por um louco?
E um louco, saberá o que é uma laranja?
E se a laranja cair? E o poema? E o poema com uma laranja a cair?
E o poema em forma de laranja?
E se eu comer a laranja, estarei a devorar o poema? A ficar louco?
E a palavra laranja existirá sem a laranja?
E a laranja voará sem a palavra laranja?
E se a laranja se iluminar a partir do seu centro, do seu gomo mais secreto, e alguém a esquecer no meio da noite – servirá o brilho da laranja para iluminar as cidades há muito mortas? E se a laranja se deslocar no espaço
– mais depressa que o pensamento, e muito mais devagar que a laranja escrita
– criará uma ordem ou um caos?
[…]

AL BERTO

O candidato que já era conhecido

Fernando Mendonça vai ser o candidato do PS à Câmara. Só não entendo é como é que tendo sido hoje a votação secreta, o candidato já tinha de certa forma sido anunciado pelo JE há uma semana e já tinha também a biografia e a fotografia pronta para figurar no site do PS? Mas foi uma escolha acertada. Tem obviamente as suas fragilidades, mas o PS não tinha ninguém melhor. Vai perder, mas já se posiciona para 2013.

Agora gostei de ler a biografia. Está bem escrita é um bom texto de marketing político, embora não diga nada sobre o que pretende fazer em Estarreja? Uma verdadeira autobiografia em que não falta nada desde a vida pessoal; à infância; a entrada para o PS e subida fulgurante no partido; a vida política e outras facetas menos conhecidas (como ter sido reparador de figoríficos).

Mas toda a história pessoal é apenas para dizer que é um candidato confiável, que tem currículo e experiência autárquica. Falta obviamente o projecto e a equipa? Agora não me parece que tenha um futuro feliz nos próximos anos, mas ao perder ficará como vereador à espreita até 2013 e aí já o PSD terá outro candidato, o que altera o cenário do jogo.

A rede social e a Tupperware

Na última assembleia municipal de Dezembro o grupo do PS apresentou uma proposta para a criação de um Gabinete Municipal Anti-Crise, uma coisa praticamente inédita a nível nacional (só Portimão tem uma coisa semelhante proposta curiosamente pelo Bloco de Esquerda). Preocupado com a crise financeira e com as carências das famílias, o PS queria um gabinete que fizesse um levantamento exaustivo de todas as situações de pobreza, exclusão social e endividamento de famílias de forma a encontrar soluções para estes problemas.

Até não era uma má ideia se isso não fosse já feito pela Rede Social do concelho, uma rede de diagnóstico e intervenção que envolve a parceria de 71 entidades, desde os 7 presidentes de Junta de Freguesia, até às Instituições Particulares de Solidariedade Social, Colectividades e Associações concelhias e até outras entidades como o Instituto de Emprego e Formação Profissional e a própria Segurança Social.

No essencial a Rede Social tem como objectivos gerais a erradicação da pobreza e da exclusão social e a criação e a avaliação de políticas sociais, bem como de estratégias de intervenção. É um trabalho sério e muito necessário nos tempos actuais.

É claro que a líder do PS local conhece mal o que é a Rede Social, pois até disse em plena assembleia que eram “reuniões da Tupperware”, o que não deixa de ser espantoso, pois afinal até estamos a falar de um programa que foi criado por um governo socialista e que envolve dezenas de parceiros como já foi explicado. Mas para a deputada Marisa Macedo tudo não passa de “reuniões da Tupperware”. Verdadeiramente incrível esta afirmação. Presumo que se ganhar as próximas eleições uma das primeiras coisas que vai fazer é acabar com as “reuniões da Tupperware”. Portanto, adeus Rede Social.

Mas o mais espantoso nisto tudo é como é que uma pessoa que é líder de um partido que quer governar o concelho, que é deputada na Assembleia da República faz uma afirmação destas! É que dizer uma coisa destas é brincar com o trabalho de muita gente que contribui para a Rede Social.

Por aqui se percebe facilmente que a deputada Marisa Macedo não faz a mínima ideia do que é uma Rede Social, nem domina minimamente matérias que são importantes na gestão de um concelho. Mas pior do que isto é brincar com coisas sérias, só porque não aprovaram a sua maravilhosa proposta. Ora, para quem quer ser num futuro distante Presidente de Câmara andar por aí a dizer que a Rede Social são “reuniões da Tupperware” não é a melhor forma de começar. De facto, é preciso um gabinete anti-crise em Estarreja, mas é na sede do PS.

(In Jornal de Estarreja)