A tomada de posse

A tomada de posse dos novos eleitos para a Câmara e para a Assembleia é sempre um momento de festa. A sala enche-se de gente e dizem-se sempre coisas bonitas aos que chegam e aos que partem. Depois há sempre os discursos da praxe, mas no meio daquela música linguística, o que pensarão verdadeiramente as pessoas? O que pensarão os vencidos? O que pensarão os vencedores? Quantos de nós estaremos ali de novo naquela sala em 2013? Que atribulações até lá?

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A saga continua

Gosto sempre de ver a continuação da saga. Gostei das novas personagens como o R2 Pedro Vaz. Mas de facto o confronto foi fatal para os rebeldes. Nada que não fosse de esperar, mas a batalha foi devastadora para as forças rebeldes. 5 mil votos de diferença arruma com qualquer jedi. Um estranho silêncio caiu sobre a galáxia socialista. Penso que a decepção deve ser grande. Mas as batalhas galácticas são mesmo assim. Os rebeldes ainda só tiveram um líder que os conduziu uma vez ao poder. Depois dele a paz imperial voltou a reinar neste canto do espaço.

Vencedores e vencidos

A vitória da coligação em larga escala no concelho era expectável. Nunca esteve em questão a sua vitória e qualquer pessoa minimamente atenta sabia disso. A única coisa que não se sabia é qual seria a diferença em relação ao PS local. Espantosamente o PS perdeu a Câmara por 5.042 votos. Há 4 anos tinha perdido por 5.156. Em termos percentuais teve 28,5% contra 64.15% da coligação. Desta forma, o PS ficou muito perto do resultado de há 4 anos (26.45%), enquanto que a coligação manteve praticamente a percentagem histórica de 2005 (64.7%). É obviamente uma derrota pesada para o PS. Isto com um candidato que à partida nada tinha a ver com o candidato de há 4 anos. Depois seria também natural que José Eduardo Matos apresentasse algum desgaste político ao fim de 8 anos de governo. Mas não. Repetiu praticamente a vitória de 2005. Embora apoiado por dois partidos (um dominante no concelho) é de facto uma vitória notável na qual tem grande mérito pessoal e político. E não foi apenas nos 15 dias da campanha que a construi. É claro que uma campanha é importante para falar com as pessoas e para apresentar propostas, mas uma vitória destas não se faz apenas durante uma campanha. Já vem de trás.

O PS também não conseguiu conquistar uma única freguesia à coligação. Perdeu em todas como há 4 anos com a excepção de Avanca que já era PS. O resultado em Avanca, no entanto, era expectável. Qualquer candidato da coligação em Avanca teria sempre muitas dificuldades em vencer quem está no poder e Carlos Amador concorreu em condições muito difíceis contra José Artur Pinho, um candidato muito forte e praticamente imbatível em Avanca. De registar também a subida que o PS teve em Canelas com um candidato experiente e conhecido na freguesia (Camilo Rego), mas que mesmo assim não conseguiu dar a volta ao resultado e vencer o jovem Gabriel Tavares.

Em relação à Assembleia Municipal, a coligação teve mais votos que há 4 anos (+73 votos), embora em termos percentuais tenha descido ligeiramente (passou de 60.51% para 58.19%) perdeu um deputado para o PS. O PS subiu um pouco (passou 29.34% para 30.88% + 412 votos) e passou de 6 para 7 deputados. A coligação fica com 13 deputados, praticamente o dobro do PS, ou seja, a relação de forças que existia pouco mudou.

É claro que os vencidos merecem sempre o nosso respeito, mas o PS tem que tirar consequências deste resultado. Não pode apenas dizer que o resultado das eleições em Estarreja ficou aquém das expectativas. Não pode fazer de conta que nada aconteceu. Além do candidato, a comissão política deve assumir as suas responsabilidades e demitir-se como é óbvio, pois o resultado mostra que a política que conduziu nos últimos anos estava profundamente errada e contribui também para a pesada derrota que o partido teve. Marisa Macedo como líder do partido deu a cara por essa política empenhou-se mesmo a fundo nisso. Deve agora assumir as consequências disso.

Mas como disse no início, nunca esteve em jogo a vitória do PS, porque José Eduardo Matos era um candidato imbatível em Estarreja e se alguém no PS tinha dúvidas quanto isso deve ter ficado esclarecido com o resultado de domingo. Por isso, a única coisa que estava em jogo era ganhar por uma margem folgada ou menos folgada e para o PS era perder por muitos ou por poucos votos. Obviamente que existe uma teia complexa de razões que leva um partido como o PS a ter um resultado tão decepcionante. Como é óbvio não foi apenas o candidato o culpado. O adversário também era demasiado forte e o próprio PS não conseguiu mostrar ao longo destes 4 anos qualquer alternativa credível ao poder vigente. Andaram mesmo a brincar à política, aos pequenos casos, às queixas e queixinhas e outras coisas que tais que não levavam a lado nenhum. Têm agora o resultado que merecem.

É claro que quem ganhou também não pode ficar agora à sombra dos resultados. As expectativas e responsabilidades são grandes para os vencedores e temos que saber honrar isso e não decepcionar as pessoas que votaram em nós. Essa deve ser a nossa preocupação daqui para a frente.

(In Jornal de Estarreja)

Coisas hilariantes 2

O Pedro Vaz foi outro dos tais que falhou as previsões todas. Ainda estou para saber se estava a falar mesmo a sério ou apenas a fazer campanha…

O Fernando Mendonça que a partir do próximo dia 11 será o 4º Presidente da Câmara Municipal de Estarreja pós-25 de Abril. Fico contente (Pedro Vaz em 5 de Outubro)

A partir de Outubro Estarreja vai de facto ter “UM FUTURO FELIZ”. Tudo o resto é poeira. José Eduardo Matos, sabemos, que será um adversário difícil, mas nem a Coligação que tem com o CDS-PP será desta vez tábua de salvação (Pedro Vaz em 26 de Janeiro)

Coisas hilariantes 1

Coisas hilariantes que se disseram durante a campanha e pré-campanha.

Esta é uma oportunidade fantástica para Estarreja e estou certo de que vamos mesmo ganhar as eleições! (Vladimiro Jorge em 9 de Outubro)

E mesmo que José Eduardo de Matos tivesse governado bem (o que, como todos sabemos, não aconteceu), tivesse promovido obras não herdadas ou planeadas por outros (nem vale a pena escrever mais sobre isto) ou não tivesse atrasado tudo o que de bom recebeu de mão beijada (idem, idem, aspas, aspas), Fernando Mendonça ganharia as eleições. (Vladimiro Jorge em 26 de Janeiro)

Pois é, José: habitua-te, pois estás perante uma candidatura vencedora e que nasceu com um dinamismo como há muito não se via em Estarreja (Vladimiro Jorge em 26 de Janeiro)

8-1

A vitória da coligação em larga escala no concelho era expectável. Nunca tive grandes dúvidas disso. É claro que 8-1 é obviamente uma grande vitória ao fim de 8 anos de poder, mas no caso da eleição para a Câmara é particularmente significativa, pois a diferença de votos em relação ao PS foi avassaladora. O PS perdeu a Câmara por 5.042 votos. Há 4 anos tinha perdido por 5.156. Em termos percentuais teve 28,5% contra 64.15% da coligação. Desta forma, o PS ficou muito perto do resultado de há 4 anos (26.45%), enquanto que a coligação manteve praticamente a percentagem histórica de 2005 (64.7%). É obviamente uma derrota pesada para o PS. Isto com um candidato que à partida nada tinha a ver com o candidato de há 4 anos.

Também não conseguiu conquistar uma única freguesia à coligação. Perdeu em todas como há 4 anos com a excepção de Avanca que já era PS. O resultado em Avanca, no entanto, era expectável, pois seria sempre muito difícil para a coligação derrotar o José Artur Pinho.

Em relação à assembleia municipal, a coligação teve mais votos que há 4 anos (+73 votos), embora em termos percentuais tenha descido ligeiramente (passou de 60.51% para 58.19%) perdeu um deputado para o PS. O PS subiu um pouco (passou 29.34% para 30.88% + 412 votos) e passou de 6 para 7 deputados. A coligação fica com 13 deputados, praticamente o dobro do PS.

É claro que os vencidos merecem sempre o nosso respeito, mas o PS tem que tirar consequências deste resultado. Não pode fazer de conta que nada aconteceu. Além do candidato, a comissão política deve assumir as suas responsabilidades e demitir-se como é óbvio.

O resultado final mostra que as pessoas voltaram a dar uma vitória esmagadora a José Eduardo Matos e à coligação. É uma vitória obviamente que nos dá grandes responsabilidades e expectativas e temos que estar à altura delas.

Tudo isto merecerá outras análises durante a semana…

É a democracia meu caro amigo…

Quando vivemos e funcionamos num regime democrático, o meu voto vale exactamente o mesmo que outro voto qualquer. Estranho obviamente que o meu amigo Abel Cunha tenha dificuldades em compreender isto até porque continua a sugerir que só certas pessoas deviam votar, uma espécie de iluminados que sabem mais que os outros todos. Já agora o Abel podia dizer como é que fazia a selecção dos ditos eleitores. Talvez por teste escrito, não?

A lei nº1/2001, de 14 de Agosto, no seu artigo 3º define claramente quem não pode votar nestas eleições:

a) Os interditos por sentença transitada em julgado;

b) Os notoriamente reconhecidos como dementes, ainda que não interditos por sentença, quando internados em estabelecimento psiquiátrico, ou como tais declarados por uma junta de três médicos;

c) Os que estejam privados de direitos políticos, por decisão judicial transitada em julgado.

Portanto, o meu amigo Abel pode ficar descansado que os dementes não votam, quanto ao tipo que está na prisão, ou que não paga impostos, ou que é marginal tem os mesmos direitos e obrigações que eu. É claro que se está na prisão é porque fez alguma e está lá pagar esse crime, se não paga impostos devia pagar, mas o direito de votar permanece mesmo que tenha violado uma obrigação qualquer que tinha em sociedade. Porque é assim que funciona a democracia, que apesar de todos os defeitos ainda é a melhor coisa que temos.

O que me parece grave neste tipo de propostas vindas do Abel é que o Abel sabe tão bem como eu como funcionava o voto no tempo da ditadura e sabe perfeitamente que esse esquema manhoso de só certas pessoas ditas responsáveis poderem votar era exactamente o mesmo esquema que funcionava no tempo da ditadura. Era um esquema anti-democrático só possível obviamente no tempo do outro senhor. Se o Abel fosse um rapaz novo já nascido depois do 25 de Abril e não soubesse o que foi a ditadura eu ainda compreendia uma proposta destas por desconhecimento histórico. Agora, o Abel não nasceu depois do 25 de Abril e conhece bem a história portuguesa desse tempo. Por isso, acho grave que alguém com esse conhecimento histórico proponha esquemas de voto anti-democráticos típicos de facto de uma ditadura.

Quanto ao meu seguidismo não adianta vir com essa conversa, pois a mim meu amigo ninguém me pode apontar nada. Nunca fiz carreira política, nem nunca tirei qualquer benefício pessoal da minha actividade política. Portanto, essa conversa comigo não pega, não adianta ir por aí.