O tempo tudo apagará…

Nunca tive grandes ilusões quanto à influência da blogosfera local na política local. É praticamente nula ou inexistente. Eu sei que alguns autores pensam que sim, que o que escrevem tem alguma influência ou alguma relevância política na comunidade, mas a verdade é que pouca gente lê blogues. Daí que ao longo do tempo, os blogues foram servindo para expressar pontos de vista dos seus autores ou então para a bandalheira política através das caixas de comentários, mas poucas vezes tiveram relevância no que realmente interessava. É certo que houve por aqui discussões importantes. Recordo-me de algumas, de grandes embates, de dias seguidos a bater no ceguinho, mas que passaram ao lado de muita gente. Daí que neste fim de década calculo que muitos acabarão por desaparecer nos próximos anos. As pessoas cansam-se ou começam a ter problemas físicos como eu e vão deixando de escrever. Ficarão os arquivos para se perceber o que se discutiu durante esta década. A vida seguirá o seu curso inexorável como sempre e o tempo tudo apagará ou tornará irrelevante.

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É só uma questão de tempo…

Há vinte anos que os computadores começaram a entrar na nossa vida pessoal. De início eram muito caros, mas pouco a pouco foram-se tornando acessíveis e hoje estão por todo o lado. E nós humanos que não fomos feitos para estar ao computador começamos a passar cada vez mais horas sentados em frente ao ecrã. De início não notamos nada, mas com o passar do tempo o corpo vai-se ressentindo. As tendinites começam a surgir, as dores nas costas, os músculos a ceder. Pode demorar 20 ou 30 anos ou até uma vida, mas um dia toda esta malta que passa horas ao computador vai ter um problema qualquer a chatear. Eu sei que isto agora parece distante, mas um dia todos lá chegamos. É só uma questão de tempo. Não perdem pela demora. Bem e aí vemos que passamos grande parte da vida a usar o computador para coisas fúteis.

Prologue

Vou ter uns dias de descanso. Ou melhor dizendo uma pausa para reflexão. Não vou desaparecer, mas o meu tendão vai ser tratado para voltar a ser o que era. E depois vamos ver como se portará? Vamos ver se a medicina resolve o problema? Mas espero ficar bom. Dizem que sim, que resulta. Metem uma agulha cá dentro e lá vai remédio para cima. Mas que seja o prólogo de um ano melhor, de um Natal melhor. De dias melhores. Há gente por aí com males bem maiores. Ou então sem dinheiro no bolso para passar o Natal, também há muitos que esgotaram as agências de viagens. É assim que vivemos.

Mas enfim, não é nenhuma doença mortal. É apenas um tendão inflamado, a precisar de tratamento e descanso. Um Bom Natal para todos.

Razões de uma escolha

Todo o folclore político à volta da instalação da fábrica de baterias em Cacia era escusado. Uma empresa como a Nissan/Renault não se instala em Cacia porque os políticos locais pediram. Instala-se com base em critérios económicos e de escala (e com as benesses do governo), não é com base em pedidos políticos. A notícia do Diário de Aveiro de ontem  diz tudo a respeito das razões da escolha, embora seja de acrescentar mais um pormenor: os terrenos para a fábrica no caso de Cacia já pertencem à marca. Portanto, Estarreja ou Sines tinham poucas hipóteses de ganhar alguma coisa perante este cenário. Em Estarreja e Sines, a marca tinha que comprar os terrenos e não tinha nenhuma unidade industrial da própria marca adjacente. Portanto, optou pela solução mais racional do ponto de vista económico. É claro que em Estarreja ninguém gostou da decisão e em Sines também não e vai dar ainda para alimentar o folclore político durante uns tempos.

A escolha de Aveiro, concretamente na freguesia de Cacia, ficou a dever-se à vantagem da futura fábrica se integrar na outra fábrica do grupo – a CACIA -, pelas sinergias daí decorrentes, significando “uma melhoria do rendimento operacional e financeiro do projecto”, conforme explicou Carlos Tavares. Também foram levados em conta outros factores, caso da rede de acessos rodo-ferroviários. A fábrica ficará situada junto à nova ligação ferroviária ao porto marítimo de Aveiro, localizado a poucos quilómetros de Cacia, num local com ligações viárias importantes nas imediações, como a A25 e a A1.