A fábula do rasgar

Um dos problemas que Manuela Ferreira Leite teve ao longo do seu mandato foi o problema da comunicação. Não soube diversas vezes transmitir uma mensagem clara que não gerasse equívocos e que sobretudo não fosse aproveitada pela máquina comunicacional do PS para se virar contra o PSD. O caso do rasganço é um bom exemplo. A frase é a que se segue.

“Nós vamos repudiar todas as receitas que o PS tem estado a adoptar para o país. Nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social, para que tenhamos resultados diferentes”.

A frase diz-nos que quer cortar com algumas das políticas do PS que têm produzido maus resultados. Economia e social (e não tinha razão?). Não fala em obras públicas, nem noutros sectores da governação e não diz que vai cortar com todas as políticas. Mas o PS aproveitou bem a frase e disse logo que Ferreira Leite queria rasgar tudo, quando isso não era verdade. E quando Ferreira Leite diz que quer cortar com essas políticas, também não diz que vai acabar com tudo, o que dá a entender é que vai fazer políticas diferentes que produzam melhores resultados. A enunciação dessas políticas foi depois realizada no programa eleitoral e quem lesse o programa percebia que de facto a intenção era desenvolver políticas mais eficientes nestas áreas. Mas é óbvio que Ferreira Leite nunca devia ter dito aquilo e mais tarde lá tentou emendar dizendo que não queria rasgar nada.

Ora com base nesta frase, uma teoria ardilosa foi montada pelo PS local, segundo a qual Ferreira Leite não queria um novo hospital para Estarreja, quando Ferreira Leite jamais algum dia disse que queria parar com a construção de novos hospitais. Aliás, o próprio programa do PSD previa a construção de novos hospitais com base em parcerias público-privadas. Mas mais: como o Presidente da Câmara era do mesmo partido se calhar também não queria um novo hospital para Estarreja. Percebe-se a teoria. Arranjar para o PS mais uns votos em Estarreja nas legislativas. É claro que quem inventou a fábula teve por cá depois o número de votos que mereceu.

A teoria do rasgar…

Em resposta ao Camilo. A ideia que Manuela Ferreira Leite queria rasgar o compromisso do novo hospital de Estarreja é uma teoria da treta inventada pelo PS local. O que Ferreira Leite disse na altura é que queria “rasgar” o essencial do programa de obras públicas, mas nada disse sobre hospitais. Aliás, bastava ver o programa do PSD para perceber isso, não estava lá escrito em lado nenhum que os hospitais iam ser cancelados. O programa referia mesmo que o PSD daria continuidade à política de construção de hospitais usando parcerias público-privadas. Portanto, quem inventou esta teoria da treta, só o fez para tentar arranjar uns votos em Estarreja nas eleições legislativas, mas como se viu a teoria teve pouco efeito, porque as pessoas não são estúpidas, embora há quem ache que sim e não estou a referir-me ao Camilo que foi atrás da teoria…

Um problema que não passa…

Tenho um problema complicado no ombro direito. Todos temos os nosos males, alguns até mortais, mas eu tenho um tendão que não me deixa escrever ou trabalhar no computador. Ganhou calcificação e os tratamentos que fiz até agora não resultaram e, por isso, não posso usar o computador. Enquanto assim estiver pouco posso fazer ou escrever. Estou como um tipo aleijado e o problema destes não passa de um dia para o outro. Portanto, lá terei que continuar com os tratamentos, neste caso infiltrações a ver se isto passa. Um dia terei uma longa história para contar, mas ando farto disto. Outro dia descobri que também tenho um menisco partido. Para um tipo como eu que não anda por aí aos saltos, não deixa de ser caricato, partir um menisco sem saber como? É claro que isto não é nada comparado com os males do mundo. Com doenças mortais ou crónicas. Mas que raio! Escusava de acontecer a mim. Mas vamos lá ver como a medicina vai resolver tudo isto. Porque tudo isto tem solução ou pelo menos é o que me dizem e eu espero bem que sim, porque preciso de trabalhar e voltar a ser o que era…

Livre que nem um pássaro

Esta semana no Rádio Clube de Aveiro no programa do Miguel Bastos (Mais Vale Tarde) estão a passar toda a semana uma série de pequenas entrevistas comigo sobre várias facetas do meu trabalho e da minha actividade política.

Hoje passou sobre a política local e naqueles minutos de entrevista uma coisa ficou bem clara no que eu disse. Estou na política de passagem. Não devo nada a ninguém, nem nunca tive interesse neste ou naquele lugar. Um dia quando me for embora vou como entrei. Livre que nem um pássaro.

Apenas um dia no calendário

Pensar que tudo muda por causa da passagem de ano. Pensar que acontece um milagre qualquer e ficamos diferentes no dia seguinte. Mas os problemas serão os mesmos no dia seguinte. Os tendões vão continuar a doer e a idade pesará mais um pouco. É apenas uma passagem de ano. É apenas um dia no calendário. Que seja de facto um ano melhor aquele que aí vem, mas não sei? Estou desconfiado à porta do novo ano. Cada vez escrevo menos, porque já não posso. Estou cansado à porta do novo ano. Farto, saturado. Preciso de parar. Preciso de descanso. De silêncio. De distância. De voltar a ser o que era no repouso dos dias.