Contra as portagens na A29

A Assembleia Municipal aprovou uma moção, da autoria da CDU, contra a introdução do pagamento de portagens nas auto-estradas sem custos para o utilizador (SCUT) A29 e A25. Achei uma proposta justa, pois acho que as portagens só devem existir quando temos alternativas qualificadas o que não é o caso da A29, nem se formos a ver bem de muitas outras SCUTs.

Penso, no entanto, que a moção aprovada pouco efeito terá junto do governo. As portagens irão para a frente de uma forma ou outra, mas pelo menos marcamos a nossa posição.

A moção foi votada favoravelmente pela maioria PSD/CDS e pela CDU. O PS votou contra, pois disse que não tinha condições políticas para votar a favor daquela moção em concreto e que esta devia baixar a uma comissão para ser alterada de forma a ser mais consensual. No entanto, não explicou o que queria alterar? Nem qual a alínea que estava a impedir o PS de votar favoravelmente? Mas percebe-se a posição, foi uma moção que gerou algum incómodo na bancada socialista. Obviamente que se o governo fosse do PSD, o PS local não teria dúvidas algumas em votar a favor. Mas como o governo é PS, o caso muda de figura. Também não percebi a posição do deputado Pedro Vaz que manifestou o tal problema em votar. É que o mesmo Pedro Vaz em Abril de 2008 dizia o seguinte ao Diário de Aveiro: “gostava que alguém me explicasse por que é que a Estrada Nacional 109 é alternativa à A29 e à A17? Esta situação deve ser melhor explicada. Todos os que vivemos nesta região sabemos o drama que é a Estrada Nacional 109″.

Ora o meu voto contra as portagens assenta na mesma dúvida. A falta de alternativa à A29 e A25. Mas há ainda outra coisa: é também um voto de protesto contra a aberração ter duas auto-estradas muito próximas, ambas com portagens. Mas lembrei-me também durante a discussão das palavras de Manuela Ferreira Leite quando das eleições legislativas a propósito deste tema: “nos próximos anos a situação é de tal forma pesada que não vou introduzir elementos mais pesados”. É uma observação que tem razão de ser.

Como já disse não sou por princípio contra as portagens nas SCUTs. O problema é que as SCUTS foram um modelo mal pensado desde o início. Nunca deviam ter nascido da forma como nasceram, como algo de gratuito para o utilizador, mas sim como algo que o utilizador devia pagar mesmo que fosse uma portagem reduzida. Mas também nunca deviam ter sido construídas em cima de vias já existentes (o caso da A25) ou a centenas de metros de auto-estradas (o caso da A29). Ora durante o frenesim da construção ninguém pensou em criar vias alternativas. Ora, as pessoas agora são confrontadas com situações em que não possuem qualquer alternativa digna desse nome.

E no caso concreto da A29, o que deviam ter feito era a continuação do IC1 para servir de alternativa à 109 e não mais uma via com perfil de auto-estrada. Assim, chegamos à situação presente e ridícula em que não temos qualquer alternativa á 109 a não ser duas auto-estradas com portagens.

(In Jornal de Estarreja)

O Carnaval

Desejo todos os anos a mesma coisa. Muitos lucros e poucos prejuízos. Quando dá lucro ninguém fala, quando dá prejuízo é mais falado. Este ano deu prejuízo, daí o falatório. Desconheço as razões do desequilíbrio nas contas, mas acho que devem ser claramente explicadas. O que correu mal deve ser analisado e se houve erros devem ser corrigidos e assumidos. Tudo isto, sem dramas e ligando pouco ao falatório. Porque nestes casos há sempre a politiquice do costume que não leva a lado nenhum.

Portagens

A Assembleia Municipal aprovou esta noite uma moção, da autoria da CDU, contra a introdução do pagamento de portagens nas auto-estradas sem custos para o utilizador (Scut) A29 e A25. A moção foi votada pela maioria PSD/CDS e pela CDU. O PS votou contra, pois disse que não tinha condições para votar a favor daquela moção em concreto e que esta devia baixar a uma comissão para ser alterada de forma a ser mais consensual. Pareceu-me a mim uma daquelas ideias para empatar. Aliás, não percebi qual era o problema do PS? Também não percebi a posição do Pedro Vaz que manifestou o tal problema em votar. É que o mesmo Pedro Vaz em Abril de 2008 dizia isto ao Diário de Aveiro:

“gostava que alguém me explicasse por que é que a Estrada Nacional 109 é alternativa à A29 e à A17? Esta situação deve ser melhor explicada. Todos os que vivemos nesta região sabemos o drama que é a Estrada Nacional 109″.

Ora o meu voto contra as portagens assenta na mesma dúvida. A falta de alternativa à A29 e A25. Mas há ainda outra coisa: É obviamente uma aberração ter duas auto-estradas muito próximas, ambas com portagens. Mas lembrei-me também durante a discussão das palavras de Manuela Ferreira Leite quando das eleições legislativas a propósito deste tema: “nos próximos anos a situação é de tal forma pesada que não vou introduzir elementos mais pesados”. É uma observação que tem razão de ser.

Não sou por princípio contra as portagens nas SCUTs, desde que exista alternativa, o que em grande parte não há. Mas tenho uma opinião realista sobre o assunto. Mais tarde ou mais cedo vai ter que se pagar, pois o modelo SCUT é ruinoso para o Estado. Foi um modelo mal pensado desde o início. Nunca devia ter nascido da forma como nasceu. Depois cometeram-se erros absurdos como construir SCUTS em cima das vias já existentes (o caso da A25) ou a centenas de metros de auto-estradas (o caso da A29). Ninguém pensou em criar vias alternativas. Ora, as pessoas agora são confrontadas com situações em que não possuem qualquer alternativa digna desse nome. Mas neste momento é como digo: seria mais um peso em cima dos utilizadores. E não estamos em tempos disso…Sabemos que o governo está aflito com a dívida pública e o défice. Mas a crise chega a todos e também a quem utiliza as SCUTs.