O supraespinhoso

Tenho andado ausente eu sei. Mas a culpa é do supraespinhoso, que continua a doer. Não tem cura para já. Tenho feito tratamento em cima de tratamento, mas não tem grande cura. Já perdi a esperança. Depois o pulso também já começa a ceder. Por isso, passo cada vez menos tempo ao computador e o pouco que passo é para tratar do essencial. Do trabalho, do dia-a-dia, de coisas que escrevo quando posso, quando o corpo não chateia. Tenho 40 anos e o corpo queixa-se das agruras do tempo. É pelos tendões que vou quebrando, pelos ossos, pelas partes móveis. O remédio é poupar-me. Não quer dizer que não volte de vez em quando, mas temo que a ausência seja prolongada.