O deslize

Os jornais sublinharam esta semana a gaffe do vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, que disse na Câmara dos Comuns que a invasão do Iraque tinha sido ilegal, mas poucos deram destaque à gaffe de David Cameron em Washington, ao dizer que a Grã-Bretanha tinha sido o parceiro menor dos EUA no combate ao regime nazi. O deslize mostra obviamente um certo desconhecimento histórico do que foi a Batalha de Inglaterra e o esforço que os ingleses fizeram para conter os nazis. Mas é grave vindo de um primeiro-ministro inglês.

A fábula do rasgar

Um dos problemas que Manuela Ferreira Leite teve ao longo do seu mandato foi o problema da comunicação. Não soube diversas vezes transmitir uma mensagem clara que não gerasse equívocos e que sobretudo não fosse aproveitada pela máquina comunicacional do PS para se virar contra o PSD. O caso do rasganço é um bom exemplo. A frase é a que se segue.

“Nós vamos repudiar todas as receitas que o PS tem estado a adoptar para o país. Nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social, para que tenhamos resultados diferentes”.

A frase diz-nos que quer cortar com algumas das políticas do PS que têm produzido maus resultados. Economia e social (e não tinha razão?). Não fala em obras públicas, nem noutros sectores da governação e não diz que vai cortar com todas as políticas. Mas o PS aproveitou bem a frase e disse logo que Ferreira Leite queria rasgar tudo, quando isso não era verdade. E quando Ferreira Leite diz que quer cortar com essas políticas, também não diz que vai acabar com tudo, o que dá a entender é que vai fazer políticas diferentes que produzam melhores resultados. A enunciação dessas políticas foi depois realizada no programa eleitoral e quem lesse o programa percebia que de facto a intenção era desenvolver políticas mais eficientes nestas áreas. Mas é óbvio que Ferreira Leite nunca devia ter dito aquilo e mais tarde lá tentou emendar dizendo que não queria rasgar nada.

Ora com base nesta frase, uma teoria ardilosa foi montada pelo PS local, segundo a qual Ferreira Leite não queria um novo hospital para Estarreja, quando Ferreira Leite jamais algum dia disse que queria parar com a construção de novos hospitais. Aliás, o próprio programa do PSD previa a construção de novos hospitais com base em parcerias público-privadas. Mas mais: como o Presidente da Câmara era do mesmo partido se calhar também não queria um novo hospital para Estarreja. Percebe-se a teoria. Arranjar para o PS mais uns votos em Estarreja nas legislativas. É claro que quem inventou a fábula teve por cá depois o número de votos que mereceu.

A teoria do rasgar…

Em resposta ao Camilo. A ideia que Manuela Ferreira Leite queria rasgar o compromisso do novo hospital de Estarreja é uma teoria da treta inventada pelo PS local. O que Ferreira Leite disse na altura é que queria “rasgar” o essencial do programa de obras públicas, mas nada disse sobre hospitais. Aliás, bastava ver o programa do PSD para perceber isso, não estava lá escrito em lado nenhum que os hospitais iam ser cancelados. O programa referia mesmo que o PSD daria continuidade à política de construção de hospitais usando parcerias público-privadas. Portanto, quem inventou esta teoria da treta, só o fez para tentar arranjar uns votos em Estarreja nas eleições legislativas, mas como se viu a teoria teve pouco efeito, porque as pessoas não são estúpidas, embora há quem ache que sim e não estou a referir-me ao Camilo que foi atrás da teoria…

Razões de uma escolha

Todo o folclore político à volta da instalação da fábrica de baterias em Cacia era escusado. Uma empresa como a Nissan/Renault não se instala em Cacia porque os políticos locais pediram. Instala-se com base em critérios económicos e de escala (e com as benesses do governo), não é com base em pedidos políticos. A notícia do Diário de Aveiro de ontem  diz tudo a respeito das razões da escolha, embora seja de acrescentar mais um pormenor: os terrenos para a fábrica no caso de Cacia já pertencem à marca. Portanto, Estarreja ou Sines tinham poucas hipóteses de ganhar alguma coisa perante este cenário. Em Estarreja e Sines, a marca tinha que comprar os terrenos e não tinha nenhuma unidade industrial da própria marca adjacente. Portanto, optou pela solução mais racional do ponto de vista económico. É claro que em Estarreja ninguém gostou da decisão e em Sines também não e vai dar ainda para alimentar o folclore político durante uns tempos.

A escolha de Aveiro, concretamente na freguesia de Cacia, ficou a dever-se à vantagem da futura fábrica se integrar na outra fábrica do grupo – a CACIA -, pelas sinergias daí decorrentes, significando “uma melhoria do rendimento operacional e financeiro do projecto”, conforme explicou Carlos Tavares. Também foram levados em conta outros factores, caso da rede de acessos rodo-ferroviários. A fábrica ficará situada junto à nova ligação ferroviária ao porto marítimo de Aveiro, localizado a poucos quilómetros de Cacia, num local com ligações viárias importantes nas imediações, como a A25 e a A1.