Não me vou sem dizer isto…

O que tinha a dizer já disse é a hora de passar ao silêncio definitivo. Mas não me vou sem dizer isto. Tive em tempos esta coisa onde escrevo agora pela última vez que me serviu para satisfazer o vício da escrita. Nunca tive grandes pretensões com esta escrita, a não ser fixar um certo momento do dia ou da noite, um certo pensamento, uma certa irritação, um qualquer estado de espírito, o esboço de alguma coisa que me chamou a atenção.

No entanto, aconteceu por aqui muita discussão política, muita dela inútil porque não levou a lado nenhum, nem influenciou coisa nenhuma. Muita conversa animada, mas nada que tivesse relevância no correr dos dias. Nunca me fez diferença, porque sempre soube que ia ser assim. Mas um dia cansei-me do bolodório e o corpo também começou a falhar-me. Deixou de querer escrever e eu tive que lhe fazer a vontade. E o corpo manda muito nestas coisas da escrita.

Passei depois muito tempo a recuperar esta velha carcaça e comecei a ocupar-me de outras escritas. A ter mais cuidadado com a falência do corpo. Daí que tudo isto perdeu sentido. Depois veio também o facebook, por onde estou agora quando me apetece e o corpo deixa. Portanto, já nada disto me apetece ou interessa. Tutto è fatto.

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Em nome de quê? Para quê? Porquê?

Em nome de quê? Para quê? Porquê? São perguntas que fazemos quando chega a hora do fim. Quando chega a hora de acabar com isto. Começando pela primeira. Em nome de quê? Em meu nome concerteza. Para quê? Para nada, apenas para opinar, para dizer alguma coisa, mesmo quando não havia nada para dizer, apenas para chatear. Houve mesmo quem ficasse chateado, quem não gostasse disto ou daquilo. Até um processo em tribunal. Mas tudo passou. Já ninguém se lembra. Porquê? Por nada. Porque me apeteceu, porque podia escrever, porque tinha tempo, porque tinha saúde, porque não tinha nada de útil para fazer, porque queria fixar os dias e o percurso que realizei durante esse tempo. Deixar qualquer coisa para visitar no futuro quando entendesse. Deixar um pouco das milhentas situações em que fui em que pensei isto ou aquilo. Mas um dia deixei de poder e acabou-se. Por vezes, tenho saudades, mas passam depressa. Não tenciono voltar.

Contra as portagens na A29

A Assembleia Municipal aprovou uma moção, da autoria da CDU, contra a introdução do pagamento de portagens nas auto-estradas sem custos para o utilizador (SCUT) A29 e A25. Achei uma proposta justa, pois acho que as portagens só devem existir quando temos alternativas qualificadas o que não é o caso da A29, nem se formos a ver bem de muitas outras SCUTs.

Penso, no entanto, que a moção aprovada pouco efeito terá junto do governo. As portagens irão para a frente de uma forma ou outra, mas pelo menos marcamos a nossa posição.

A moção foi votada favoravelmente pela maioria PSD/CDS e pela CDU. O PS votou contra, pois disse que não tinha condições políticas para votar a favor daquela moção em concreto e que esta devia baixar a uma comissão para ser alterada de forma a ser mais consensual. No entanto, não explicou o que queria alterar? Nem qual a alínea que estava a impedir o PS de votar favoravelmente? Mas percebe-se a posição, foi uma moção que gerou algum incómodo na bancada socialista. Obviamente que se o governo fosse do PSD, o PS local não teria dúvidas algumas em votar a favor. Mas como o governo é PS, o caso muda de figura. Também não percebi a posição do deputado Pedro Vaz que manifestou o tal problema em votar. É que o mesmo Pedro Vaz em Abril de 2008 dizia o seguinte ao Diário de Aveiro: “gostava que alguém me explicasse por que é que a Estrada Nacional 109 é alternativa à A29 e à A17? Esta situação deve ser melhor explicada. Todos os que vivemos nesta região sabemos o drama que é a Estrada Nacional 109″.

Ora o meu voto contra as portagens assenta na mesma dúvida. A falta de alternativa à A29 e A25. Mas há ainda outra coisa: é também um voto de protesto contra a aberração ter duas auto-estradas muito próximas, ambas com portagens. Mas lembrei-me também durante a discussão das palavras de Manuela Ferreira Leite quando das eleições legislativas a propósito deste tema: “nos próximos anos a situação é de tal forma pesada que não vou introduzir elementos mais pesados”. É uma observação que tem razão de ser.

Como já disse não sou por princípio contra as portagens nas SCUTs. O problema é que as SCUTS foram um modelo mal pensado desde o início. Nunca deviam ter nascido da forma como nasceram, como algo de gratuito para o utilizador, mas sim como algo que o utilizador devia pagar mesmo que fosse uma portagem reduzida. Mas também nunca deviam ter sido construídas em cima de vias já existentes (o caso da A25) ou a centenas de metros de auto-estradas (o caso da A29). Ora durante o frenesim da construção ninguém pensou em criar vias alternativas. Ora, as pessoas agora são confrontadas com situações em que não possuem qualquer alternativa digna desse nome.

E no caso concreto da A29, o que deviam ter feito era a continuação do IC1 para servir de alternativa à 109 e não mais uma via com perfil de auto-estrada. Assim, chegamos à situação presente e ridícula em que não temos qualquer alternativa á 109 a não ser duas auto-estradas com portagens.

(In Jornal de Estarreja)

O culto do amadorismo

Este é um livro que toda a gente que anda na net a debitar lixo devia ler. Fala-se muitas vezes do que não se sabe, a cultura do copy-paste ganhou uma dimensão enorme, e qualquer um pode escrever sem grande controle. Portanto, o ruído é enorme e serve mais para confundir do que para esclarecer. Há coisas boas, mas a quantidade de lixo é apreciável. E eu ando farto disto, da perda de tempo, dos dias que já não voltam, das tretas que poluem o mundo virtual. E tenho uma certeza, vou deixar de perder tempo com isto…

Apenas um dia no calendário

Pensar que tudo muda por causa da passagem de ano. Pensar que acontece um milagre qualquer e ficamos diferentes no dia seguinte. Mas os problemas serão os mesmos no dia seguinte. Os tendões vão continuar a doer e a idade pesará mais um pouco. É apenas uma passagem de ano. É apenas um dia no calendário. Que seja de facto um ano melhor aquele que aí vem, mas não sei? Estou desconfiado à porta do novo ano. Cada vez escrevo menos, porque já não posso. Estou cansado à porta do novo ano. Farto, saturado. Preciso de parar. Preciso de descanso. De silêncio. De distância. De voltar a ser o que era no repouso dos dias.

Nem na hora de despedida…

Este homem nem na hora da despedida deixou de fazer campanha eleitoral. Fala de um projecto novo! Realmente com gente que anda na política há tanto tempo como eu deve ser mesmo um projecto novo. Realmente são pessoas novas da minha idade ou mais qualquer coisa que andam na política há 20 anos, que estiveram no poder 8 anos e que agora parece que têm um projecto inteiramente novo. Bem, só se for o programa eleitoral, mas isso toda a gente faz sempre um projecto novo a cada 4 anos, não é um exclusivo do PS. A CDU também tem um  projecto novo, a coligação também. Agora gente que anda na política há 20 anos, que já passou pelo poder! Que o programa é novo não há dúvida, agora as caras são sempre as mesmas. Mas pronto a gente percebe é campanha eleitoral.  Não tem mal. No domingo tudo acaba e o dito projecto ficará na gaveta à espera de melhores dias…ou melhor dizendo à espera de 2013.

A água e os truques habituais do PS

Já não é a primeira vez que vejo isto. Truque com os números, manipulações grosseiras para fazer passar uma certa teoria. Desta vez foi com a criação da nova empresa Águas da Região de Aveiro (ARA), a que Estarreja aderiu. É que era escusado o PS local andar a dizer que a água vai subir 130% até 2014, quando isso é falso e não passa de uma manipulação dos números para criar receio entre os consumidores e servir os apetites eleitorais do partido.

A adesão de Estarreja à ARA foi obviamente uma oportunidade que o município aproveitou para captar fundos comunitários neste novo modelo de gestão do sistema de abastecimento de água e saneamento, inventado pelo governo do PS. Quem ficar de fora da nova empresa não terá grandes oportunidades de fundos para a ampliação das redes de saneamento, nem para a manutenção da rede de água. Além disso, as autarquias aderentes terão dividendos da participação na empresa, que poderão ser usados para criar um Fundo Social, para ajudar os mais carenciados.

Que o PS local seja contra a adesão a esta nova empresa até se percebe, pois afinal parece que tinha muitas dúvidas sobre o modelo previsto na lei. Parece que gostava mais de um outro modelo que nem sequer está previsto na lei.

É que o Decreto-Lei nº 90/2009, de 9 de Abril, que estabelece a este nível o regime das parcerias entre o Estado e as autarquias locais só fala em três modelos de gestão possíveis: 1- uma entidade do sector empresarial do Estado em que participem municípios ou associações de municípios; 2- uma entidade do sector empresarial local em que participem entidades do sector empresarial do Estado; 3- uma entidade do sector empresarial do Estado legalmente habilitada para o exercício da actividade em questão. No nosso caso é as Águas de Portugal (Adp), que forma uma parceria com os municípios aderentes, portanto, a 1ª hipótese.

Perante este cenário, o PS local lá foi dizendo que não sabia muito bem qual era o melhor modelo para Estarreja, mas durante a discussão que ocorreu em assembleia municipal, quando interrogado por mim sobre uma solução alternativa, a deputada Marisa Macedo não hesitou em dizer que o modelo alternativo do PS era a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) concorrer aos fundos comunitários e depois contratualizar qualquer coisa com as Águas de Portugal (Adp).

Por aqui, vê-se logo que o PS tinha uma solução tão imaginativa que nem sequer estava prevista na lei, pois qualquer solução implica sempre a constituição de uma empresa com a participação do Estado e a CIRA também não é uma entidade do sector empresarial local, para configurar a 2ª hipótese. Ou seja, como é que um partido político vem para a uma assembleia propor soluções para um problema que nem sequer estão previstas na lei? Dá realmente que pensar, como também dá que pensar a conta dos 130% de aumento. Não sei quem foi o expert do PS que fez a conta, mas o autor da proeza não deve ser muito bom a matemática, pois manipulou os dados para fazer passar uma certa teoria alarmista. Senão vejamos. Existem actualmente 4 escalões em relação ao consumo de água com tarifas diferentes em relação ao preço por metro cúbico. A forma como serão aumentados no futuro é obviamente diferente de escalão para escalão, daí que a metodologia de análise mais correcta é fazer uma média dos 4 escalões e a partir daí calcular qual vai ser o aumento médio, pois afinal o aumento vai calhar a todos, embora de forma diferente consoante o escalão.

No caso de Estarreja a tarifa média é de 1,26€. A partir desta tarifa média podemos fazer uma projecção sobre o aumento da mesma nos próximos 5 anos. Ora esse trabalho foi feito pela consultora Deloitte, que chegou à conclusão que a actual tarifa média de 1,26€ subirá para 1,61€, ou seja (+28%).

Como é que o PS local aparece então com um aumento de 130%? É evidente que não usou a tarifa média para o cálculo, mas sim apenas os valores de alguns escalões (os dois primeiros segundo me parece) manipulando assim o resultado. Tudo isto para dizer que o modelo é mau e que coligação aprovou um mau modelo, pois a água vai subir (como se não subisse mesmo que Estarreja estivesse fora da ARA).

Só é pena que perante tantas dúvidas não tenham falado com os seus camaradas de partido de Águeda, de Albergaria-a-Velha, da Murtosa ou de Sever do Vouga, que parece terem percebido claramente o que estava em jogo votando favoravelmente a proposta de adesão à ARA. Mas cá está, o PS de Estarreja, juntamente com o de Aveiro, Ílhavo e Ovar é concerteza mais esperto que os outros todos. Aliás, é espantoso como é que perante tal grau de esperteza estejam todos na oposição!

(In Jornal de Estarreja)