O navio de espelhos

No calor da tarde, no sufoco das horas mortas, há um poema sobre um navio e uma música que prevalece sobre tudo e todos. E as palavras misturam-se com a música e brincam com os sons…e eu volto ao trabalho, aos mistérios da luz solar..

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700 palavras

A deputada Marisa Macedo gastou há tempos neste jornal 700 palavras para responder a um artigo meu sobre a história do novo hospital em Estarreja. É com toda a simpatia que lhe respondo, pois acho que ela também merece 700 palavras, embora não tenha respondido a várias das questões do meu artigo especialmente dirigidas a ela. Além disso, é pena que tenha usado alguns truques de linguagem para passar uma ideia ou duas falsa. Em primeiro lugar, eu nunca defendi o hospital “Ria Norte” em lado nenhum, nem nunca falei sobre a sua hipotética localização em Ovar. Da mesma forma, o Presidente da Câmara nunca defendeu o hospital “Ria Norte” localizado em Ovar. A única coisa que o Presidente da Câmara defendeu foi a existência de um novo hospital com urgência 24 horas, que servisse Estarreja, Ovar e Murtosa. Nada mais do que isso. Sobre a hipótese de ser em Ovar, a única pessoa que defendeu isso foi o Presidente da Câmara de Ovar (como é natural), mas nem o governo disse alguma coisa sobre a hipotética localização de tal unidade, nem o Presidente da Câmara de Estarreja disse que apoiava semelhante localização. Portanto, é bom que a deputada Marisa Macedo corrija isso da próxima vez que falar sobre o assunto, pois já me faz lembrar aquela famosa história das obras paradas por falta de pagamento aos empreiteiros, que no dia seguinte já era só a história das obras paradas, já não falava dos empreiteiros.

Eu sei bem que a deputada Marisa Macedo não é uma pessoa livre em termos de opinião, pois defende obviamente os interesses partidários do PS local e nacional e desse ponto de vista só diz o que lhe interessa dizer. Está obviamente no seu direito e compreendo perfeitamente a posição dela e os leitores também. Também sei que não morre de amores pelo Presidente da Câmara e que toda a sua acção política tem como único objectivo atacá-lo o mais possível. Mas certos truques eram escusados. Mas o que eu gostava de saber sobre o novo hospital anunciado pelo PS e o velho que fica são coisas muito simples.

O anúncio de um novo hospital para Estarreja é obviamente uma boa notícia e espero que seja realmente construído. Espero bem que não seja um daqueles anúncios que se fazem a 6 meses de eleições e que depois caem no esquecimento. É um facto que anúncio não gerou grande entusiasmo nas pessoas, pois ficamos sempre desconfiados de obras anunciadas em período pré-eleitoral. Mas espero agora que o Secretário de Estado da Saúde visite Estarreja e que diga quanto vai custar, o que vai ter, e quando vai estar pronto?

É claro que muita gente vai aproveitar-se nos próximos tempos deste anúncio, mas o que importa verdadeiramente saber é se vamos ou não ter um novo hospital e o que é que vamos fazer do velho?

Na ausência de notícias sobre o novo prefiro para já falar do velho. E sobre o velho gostaria de dizer que continua por cumprir o protocolo assinado entre a CME e a ARS. Também continuamos sem saber as contas e a produção assistencial durante o período de vigência da última administração. Também continuamos sem saber se vai ou não ser construída a nova unidade de cuidados continuados (UCC). O PS local parece apostado em não seguir tal caminho, pois diz que o dinheiro para a UCC deve ir para o novo hospital. Estranhamente a deputada Marisa Macedo veio dizer neste jornal que é a favor de uma UCC de média e longa duração, embora não diga onde é que vai arranjar dinheiro para fazer tal coisa? Nem explique como é vai fazer isso sem afectar a estrutura do Hospital Visconde de Salreu? Então com uma UCC de média e longa duração já não vamos ter um pombal sobre o HVS? Já não vamos ter que suspender serviços? Já não vamos desperdiçar dinheiro num edifício que nem sequer é do Estado? Perguntas que ficaram sem resposta…

Por fim, que garantias temos nós do governo que um novo hospital vá ter um serviço de urgências básico (SUB)? Será que o Secretário de Estado vai dizer que sim também isso, que o novo hospital vai ter uma SUB? Esperemos bem que sim, senão temos que perguntar para que serve um novo hospital sem uma SUB?

E não podia terminar sem dizer à nossa deputada, que essa coisa de dizer que eu não vivo em Estarreja não lhe fica bem, pois afinal de contas a minha cara deputada também só vive em Estarreja ao fim-de-semana, estando à semana em Lisboa a defender os interesses da nação.

(In Jornal de Estarreja)

Wolverine

Falta um mês para chegar ao cinema, mas parece que uma versão do filme “X-Men Origins: Wolverine”,  foi divulgada na Internet sem autorização dos estúdios. São coisas que acontecem como diria o outro, mas mostra a curiosidade que há pelo filme. É claro que isto pouco interessa. Um tipo que é adepto de charutos, que tem capacidades sobrehumanas de cura e garras que cortam tudo é uma pura treta. Mas é um treta que leva muita gente ao cinema, porque este mutante faz-nos sonhar com capacidades que não temos, mas gostávamos de ter. Digamos que faz parte da cultura popular.

Careless Whisper

Havia uma cidade e um tipo loiro de 21 anos com um ar fora do comum e um penteado à lady, que contava a velha história do tipo que passou a perna à namorada e que depois ia atrás dela e que no fim ainda perguntava o que tinha feito de errado. Grande lateiro. Mas o tipo tinha de facto um ar estranho, um ar meio efeminado, que fazia as delícias das jovens daqueles tempos. E a canção era daquelas para ouvir no carro quando se ia dar uma volta com a namorada, embora naquele tempo os carros fossem poucos e as namoradas também. O tipo ainda canta e vive com outro tipo numa mansão lá em Londres, mas a canção continua a perdurar no tempo como se fosse intemporal. O que é estranho para uma canção tão queixinhas como esta.

Marta

Nunca percebi como é que uma funcionária tão boa como a Marta estava há tanto tempo a trabalhar no mesmo lugar. Parece que foi finalmente substituída pela Vera. Calculo que a Marta tenha sido promovida.