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O pacto de silêncio

Há tempos, o Presidente da Mesa da Assembleia Municipal teve que mostrar um cartão vermelho a um deputado socialista chamado Pedro Vaz. É um caso raro na nossa assembleia, mas pode acontecer quando as pessoas esticam a corda.

A história conta-se em poucas palavras e mete além do deputado em questão, um vereador do mesmo partido chamado Fernando Mendonça, candidato a Presidente de Câmara nas últimas eleições. É um pequeno caso da política local que fica mal aos dois eleitos, mas que não podia deixar passar em branco, porque é um caso típico de desrespeito pelas instituições e pelas pessoas.

Em primeiro lugar, há um deputado na assembleia municipal chamado Pedro Vaz, líder da bancada do PS, que ainda não encontrou o registo certo e que nem sempre contribui, pela sua diligência, para o bom correr dos trabalhos da assembleia. Por diversas vezes e em situações de vária ordem tem sido advertido pelo Presidente da Mesa para respeitar os trabalhos da assembleia. O deputado em questão tem uma certa tendência para os apartes constantes, para a interrupção das pessoas quando estão no uso da palavra. Era escusado ser assim, mas é uma mania que tem.

Na última reunião no período em que se estava a discutir a informação escrita do Presidente da Câmara decidiu falar da política dos mega-agrupamentos escolares, quando isso não estava na informação escrita do Presidente da Câmara. E decidiu para responder a uma intervenção minha, feita no período antes da ordem do dia sobre esse assunto. Portanto, estava claramente a desviar-se do assunto em discussão violando o nº2 do artigo 33 do regimento da assembleia. Foi advertido pelo Presidente da Mesa, mas não quis saber e ainda tentou embrulhar a mesa dizendo que o assunto estava de certa forma contido na informação escrita. O Presidente da Mesa não gostou e ao abrigo do artigo 33 retirou-lhe a palavra. Ora o deputado Pedro Vaz reagiu mal, levantou a voz em tom de desafio e começou a perguntar que artigo é que o Presidente da Mesa estava a usar para lhe tirar a palavra. O Presidente da Mesa em tom de voz igualmente pesado disse-lhe para voltar para o seu lugar e que de seguida lhe dizia o artigo, mas numa atitude de nítido afrontamento, o deputado recusou-se a voltar ao lugar, enquanto o Presidente não lhe dissesse o artigo em questão. Perante a recusa, o Presidente da Mesa foi obrigado a suspender a reunião, mas o deputado insistiu em não voltar ao lugar. Nunca tinha visto tal coisa em Estarreja. Estava a reunião suspensa, quando vereador Fernando Mendonça do seu lugar decide intervir para dar cobertura ao comportamento do deputado dizendo que o que se estava a passar era uma vergonha e que tudo aquilo parecia uma ditadura. Lamentável a intervenção do vereador em questão, não só por dar protecção a um comportamento inaceitável por parte de um deputado, como também como factor de perturbação da própria assembleia e de desrespeito da Mesa. O vereador não sabia claramente do que estava a falar e teve um comportamento pouco digno perante a assembleia. E com a conversa da ditadura, saiu da sala mais o deputado em questão. Pouco depois, alguns deputados do PS receberam um sms para abandonarem também a sala, coisa que não foi seguida por grande parte deles. Mas a atitude mostra uma vontade de continuar a querer perturbar o correr dos trabalhos.

Ora tudo isto era escusado se as pessoas prezassem o regimento da AM e acatassem com respeito as decisões do Presidente da Mesa. Se o Presidente da Mesa tivesse cometido algum erro (o que não foi o caso), o deputado em questão podia sempre recorrer da decisão nos termos do regimento. É assim que funciona a democracia, não é com birras, ainda por cima, com pessoas com especiais responsabilidades públicas. Agora o que também é pena no meio deste episódio é que o partido que apoia estes dois eleitos tenha vindo fazer barulho em comunicados por causa de um pequeno caso da política local.

Ao fazê-lo quis alimentar a birra do deputado e atacar o Presidente da Mesa com ofensas perfeitamente gratuitas. O mais espantoso é que há uma exigência para que o Presidente da Mesa se retrate, quando quem se devia retratar era o deputado em questão e o vereador pelo comportamento que tiveram. Ora parece que agora em protesto, os deputados socialistas adoptaram um pacto de silêncio e que não falam mais até ao fim do mandato. Ou seja, também decidiram fazer uma birra. Obviamente que estão no seu direito de não falar e não virá daí mal ao mundo. Agora se não falam o que é que estão a fazer na assembleia? Em tempos, a líder do PS local disse que no último mandato os deputados do PS tiveram que fazer de conta que eram muitos, pois efectivamente eram poucos numericamente. Agora parece que estratégia mudou. O objectivo é fazer parecer que não são nada. Qualquer dia já ninguém dá por eles. E é pena, pois até há pessoas válidas dentro daquele grupo.

(In Jornal de Estarreja)

Memória da guerra

Não tenho por hábito escrever aqui sobre coisas que faço fora da minha actividade política. São coisas que ninguém tem que saber ou deixar de saber. Mas de vez em quando abro uma excepção, quando se trata de desvendar um pouco mais da história da guerra colonial. E o meu último contributo a este nível saiu na revista da força aérea de Junho/Julho.

-O CASO DOS MIRAGE NA FORÇA AÉREA PORTUGUESA

O pacto de silêncio

Soube ontem que em protesto pelo cartão vermelho que o Presidente da Mesa da AM deu ao deputado Pedro Vaz, os deputados socialistas adoptaram um pacto de silêncio e que não falam mais até ao fim do mandato, isto caso o Presidente não peça desculpa pelo sucedido. Ou seja, também decidiram fazer uma birra. Obviamente que estão no seu direito de não falar e não virá daí mal ao mundo. Agora se não falam o que é que estão a fazer na assembleia? Em tempos, a líder do PS local disse que no último mandato os deputados do PS tiveram que fazer de conta que eram muitos, pois efectivamente eram poucos numericamente. Agora parece que estratégia mudou. O objectivo é fazer parecer que não são nada, pois já nem sequer falam.

Há gente que não sabe estar numa assembleia…

A história já divulgada aqui de forma parcial e que faz correr tinta conta-se em poucas palavras. Há um deputado na assembleia municipal chamado Pedro Vaz, que ainda não encontrou o registo certo e que pensa que ainda está no outro mandato autárquico (2001-2005). Por diversas vezes e em situações de vária ordem tem sido advertido pelo Presidente da Mesa para respeitar os trabalhos da assembleia.

Na última reunião no período em que se estava a discutir a informação escrita do Presidente da Câmara decidiu falar da política dos mega-agrupamentos, quando isso não estava na informação escrita do Presidente da Câmara. E decidiu para responder a uma intervenção minha, feita no período antes da ordem do dia sobre esse assunto. Foi advertido pelo Presidente da Mesa (estava a violar o regimento da AM no artigo 33, ponto 2) mas não quis saber e ainda tentou embrulhar a mesa dizendo que o assunto estava de certa forma contido na informação escrita. O Presidente da Mesa não gostou e ao abrigo do artigo 33 retirou-lhe a palavra. Ora o deputado Pedro Vaz reagiu mal, levantou a voz e começou a perguntar que artigo é que o Presidente da Mesa estava a usar para lhe tirar a palavra. O Presidente da Mesa em tom de voz igualmente pesado disse-lhe para voltar para o seu lugar e que de seguida lhe dizia o artigo (o tal 33), mas numa atitude de nítido afrontamento, o deputado recusou-se a voltar ao lugar, enquanto o Presidente não lhe dissesse o artigo em questão. Perante a recusa, o Presidente da Mesa é obrigado a suspender a reunião, mas o deputado continua a birra dizendo que não vai para o lugar.

Está a reunião suspensa, quando vereador Fernando Mendonça do seu lugar decide intervir para dar cobertura ao comportamento do deputado dizendo que o que se estava a passar era uma vergonha e que tudo aquilo parecia uma ditadura. Lamentável a intervenção do vereador em questão, não só por dar protecção a um comportamento inaceitável por parte de um deputado, como também como factor de perturbação da própria assembleia e de desrespeito da Mesa. E com a conversa da ditadura, saiu da sala mais o deputado em questão, tendo sido enviado depois uns sms ao resto dos deputados do PS para estes também abandonarem a sala, coisa que não foi seguida por grande parte deles. Ora tudo isto era escusado se as pessoas respeitassem o regimento da AM e acatassem com respeito as decisões do Presidente da Mesa. Se o Presidente da Mesa tivesse cometido algum erro (o que não foi o caso), o deputado em questão podia sempre recorrer da decisão nos termos do regimento. A atitude que tomou é triste e por isso não podia deixá-la passar em branco, pois não é digna de um eleito local. Nem a dele, nem a do vereador que lhe deu cobertura.

Recordo já agora num contexto diferente uma situação que aconteceu uma vez entre o ex-deputado Vladimiro Jorge e o Presidente da Mesa, Carlos Tavares. Durante uma intervenção do Vladimiro Jorge, Carlos Tavares retirou-lhe a palavra ao arrepio do regimento. Não tinha razão (a meu ver) para lhe tirar a palavra, mas mesmo injustiçado o Vladimiro aceitou a decisão e voltou ao lugar. Acho que nem chegou a fazer um protesto à mesa, mas podia tê-lo feito. Mas com fair-play aceitou a decisão. Por aqui se vê a diferença de atitude.